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As redes Anti-sociais

Por Altamir Lopes

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

 

Em tempos onde a facilidade para acessar os recursos de comunicação está farta, a comunicabilidade humana parece estar cada vez mais entrando em extinção. Aprende-se a teclar numa velocidade que faria inveja a mais hábil das incríveis datilógrafas dos anos 70 ou 80, mas por outro lado, na mesma velocidade, estamos deixando de lado o que há de mais belo na arte de se comunicar: O zelo pela manutenção do relacionamento e pela verdade.

Numa farta e variada oferta de opções para encontrar, conversar, cutucar, perturbar ou investigar as pessoas ( esses dois últimos de forma velada e questionável ), o nosso querido século XXI abandona o caniço dos tempos idos e lança mão de uma rede de malha fina – a rede social – para pescar o máximo possível de almas desalmadas, desanimadas, desavisadas e despojadas que se entrelaçam num laço gigante tais como os peixes fisgados e enredados pelos mais dispostos pescadores de alto-mar. Tão somente para o bel-prazer dos seus algozes.

Em tempo: Até o momento no qual escrevo essas linhas ainda não encontrei nada que fosse oferecido pelo sistema de coisas que não cobrasse um custo, um valor, um preço para o seu uso  ou usufruto. Sim, tudo tem um preço. As redes sociais não são de graça.

E será que as pessoas não estão pagando muito caro? Seu tempo mal aplicado, sua ausência nas livrarias, sua comunicabilidade prejudicada, seus dados coletados, sua privacidade invadida, sua energia consumida, seus amigos “virtualizados”, a absorção de mentiras deslavadas, a mecanização do relacionamento, o ingresso num mundo de sonhos e pesadelos aprisionadores…

Entenda: toda tecnologia alcançada pelo sapiens  – desde a roda até a “manipulação” do átomo – pode ser ora uma bênção advinda da inteligência e ousada capacidade humana, ora uma maldição alimentada pelos seus mais cruéis sentimentos e atitudes recheados de egoísmo, ganância e orgulho. O que as Redes Sociais são para você?

Olhar nos olhos de uma pessoa, traduzir e deixar-se traduzir pelo outro vale mais do que um milhão de seguidores, curtidas e compartilhamentos transmitidos por uma tela de vidro.

Pense nisso.

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