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Sniper Americano

Por Daniel Romano

Foto: Divulgação

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Chris Kyle é o nosso protagonista. Ele mostra o seu heroísmo logo no início da trama, defendendo o irmão na escola ainda na infância. Desde menino, percebemos que a vocação dele é livrar os inocentes do mal. E é no exército que ele encontra o caminho perfeito para assumir e aperfeiçoar o seu dom. Chris se torna uma lenda dentro da força de operações especiais da marinha americana. Em quatro passagens pelo Iraque, o sniper americano somou mais de duzentas mortes. Um atirador de elite de uma mira precisa, protegendo seus colegas e mostrando um patriotismo bonito de se ver.

Hoje em dia temos tantas plataformas e tantas opções de acesso ao mundo cinematográfico que acho interessante divulgar trabalhos não tão atuais. Esse drama biográfico norte-americano é de 2014 e é baseado na autobiografia American Sniper, de Chris Kyle. Com 255 mortes, 160 delas confirmadas oficialmente pelo Pentágono, Kyle é o atirador mais letal da história militar dos Estados Unidos.

Não posso esquecer de destacar o ator Bradley Cooper, que está brilhante em cena. Ele encarna o personagem de tal forma que muitas vezes esquecemos quem é quem. Eu sou fã de carteirinha dos trabalhos do ator, é impressionante o quanto ele muda em cada trabalho. Não é qualquer artista que tem esse poder.

Sniper Americano não é um filme que agrada a todos os estômagos. Mostra a guerra sem maquiagens, com batalhas sem questionamentos. Não está em discussão se o inimigo é adulto ou criança, ainda que isso mexa com o lado humano do personagem. Mas é importante citar isso para que o público saiba o que esperar. E não é somente aí que o lado sentimental de Kyle aparece. O atirador vive um dilema dentro de si mesmo e carrega sempre o peso do campo de batalha em seus pensamentos. Um barulho de furadeira e até o assobio de uma panela de pressão pareciam suspeitos na mente de um homem que não conseguia mais viver um cotidiano comum ao lado de sua esposa e seus filhos.

Li algumas críticas dizendo que Sniper Americano é a glorificação da violência americana no Iraque. Pois que seja. O filme é ótimo e fica impossível dizer o contrário disso. Clint Eastwood mais uma vez acerta com maestria. Trata-se de uma história real, forte, intensa e muito bem contada de um atirador de elite condecorado por sua atuação na Guerra do Iraque.

Como não mostrar violência em um filme de guerra? Vamos ser coerentes, por favor. Sem contar que a trama não se resume a tão pouco, as cenas de desespero de Taya (Sienna Miller) querendo o marido fora da guerra emocionam bastante. O que vale a pena ser discutido não é a violência nas cenas, e sim a vida dos soldados que retornam do Iraque e carregam um fardo pesado mental pro resto da vida. Eles são psicologicamente afetados pela guerra e muitas vezes de maneira irreversível. Sniper Americano não trata apenas a guerra como tema central, a história e vivência de um ex combatente é tão bem contada que a trama ganha conteúdo em diversos contextos. É um filme que precisa ser visto.

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