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Geração cabeça baixa une todas gerações em uma só

Por Redação

Foto: Pixabay

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Geração cabeça baixa. Somos todos. A internet possibilitou o encontro de gerações e propiciou um novo mundo, no qual todos estão conectados, desde o bebê de 6 meses, que instintivamente pega o celular e move imagens, até os idosos que interagem pelo Whatsapp.

Seja para passar tempo, trabalhar, ler notícias ou fechar negócios, o mundo virtual ganhou um poder sobrenatural de unir homens e aparelhos eletrônicos como se fossem gêmeos siameses, no qual a existência de um só é possível com a permanência do outro.

A queridinha do século XX, com seu formato quadrado e antiquado, não resistiu ao charme avassalador da net, mesmo investindo pesado em sinal digital, novos designs e telas planas. A TV foi desbancada, sem cerimônias, pela internet que rapidamente ganhou status de melhor amigo do homem. Expressões como “Sinto-me nua sem meu celular”, “Não tem como trabalhar porque estamos sem internet” ou “Eu, sem o celular, não sou nada” são apenas alguns exemplos de como as pessoas estão ligadas à máquina.

Esse caso de amor entre o homem e a máquina, essa simbiose que transformou os dois em um só, em uma só identidade perde em, pelo menos, um ponto: a geração head short, literalmente, não olha para os lados. Simples verificar isso nas ruas, quando alguém andando distraidamente com os olhos fixos no celular, de repente, não mais que de repente, encontra um poste no caminho.

Se muitas vezes, estar conectado parece providencial para escapar daquele ser chato que perturba o seu descanso solitário ou para resolver um problema em frações de segundos, em outras, há postes no caminho e, que postes. Pessoas mortas por causa de uma ‘simples’ distração no trânsito, machucadas na caça ao Pokémon, estressadas com cobranças onlines e suicídios transmitidos ao vivo pelos smartphones. Há ainda os problemas ditos mais ‘leves’ como muitos torcicolos, L.E.R (lesão por esforço repetido), isolamento social e falta de paciência para o mundo real.

Alguns podem alegar que o mundo virtual é mais encantador, afinal você pode escolher onde quer navegar, onde quer estar e o que vai olhar. TV, rádio, jornal, vídeos, jogos, redes sociais, tudo está condensado em um só lugar. Confesso que o mundo virtual atrai mesmo. Ele tem o poder de fascinar o homem. Tem o poder de viciá-lo também. Esse vício é bom quando é equilibrado, mas, aviso logo, em altas doses, pode causar transtornos equiparados aos viciados em drogas que, apenas se curam, com apoio psicológico e força de vontade.

Muito mais forte do que a TV ou o rádio, a internet puxa, não uma massa robotizada como nos tempos de Adorno e Horkheimer, mas uma gama de gerações ávidas por adquirir informações e, principalmente, produzi-las. Uma conquista digna de estudos e mais estudos de comunicação.

O quinto poder, talvez. Um poder participativo, no qual o homem dá pitaco e tem voz. Talvez, por isso, agregue tantos. Seja um imã tão forte e tão poderoso. Esse imã, no entanto, se perde quando a geração head short do riso faz-se o pranto e fica totalmente estagnada quando não está conectada durante 24 horas seguidas.

Internet, celulares de última geração, redes sociais, whatsapp, facebook, twitter, portais, sites especializados, virtualização do ser, entre outras parafernálias. Nascemos sem elas, mas será que podemos sobreviver sem elas?

Sobre Flávia Varela:

Flávia Varela é jornalista, com especialização em gestão de Marketing. Atua como assessora de Comunicação nas áreas de educação, saúde, bem-estar e política há mais de 10 anos. Além disso, é responsável por coberturas de eventos, atualizações de sites e mídias sociais.

Formadora de opinião, tem vários artigos e crônicas publicadas em jornais de grande circulação. Já substituiu a coluna de Fernando Veríssimo, em Vitória/ES. No currículo, tem ainda como destaque o livro “Minha Vida de Estudante de Jornalismo”, no qual retrata as experiências do período da Faculdade.

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