Alecs – 1

Neuropsicologia e nutrição; algo em comum?

Por Rosa Prista

Foto: Pixabay

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No sábado passado, entre diversos pais realizamos a ESCOLA DE PAIS da Consultoria ENCONTRE-SE! O tema atraiu muitas pessoas interessadas na alimentação pessoal e dos filhos. Na sede do Centro de Estudos da Criança no Méier, a nutricionista Milena Militão prestigiou com seu saber sobre o tema nutrição e eu fui dialogando com a Neuropsicologia. Neuropsicologia e Nutrição possuem um entrelaçamento muito rico.

No mundo atual, precisamos reforçar aos clientes a importância da nutrição principalmente as famílias que possuem filhos com autismo, transtornos psicóticos e transtornos esquizofrênicos. Por uma questão de não serem orientados desde o início acabam atendendo apenas a desejos distorcidos na alimentação. Então é muito comum encontrar crianças comendo tudo batidinho, muita pizza, muita linguiça e batata frita.

Na busca de acalmar os filhos acabamos fazendo vontades que levam a situações muito sérias como humor instável, impetuosidade, atitudes agressoras, alterações de sono etc. Correm aos neurologistas e psiquiatras mas a causa está dentro do próprio lar.

Mas a discussão está para todos, independente da síndrome apresentada ou da deficiência vitamínica em questão. O problema é que a alimentação do brasileiro está empobrecida apesar da oferta diversificada. E para termos uma saúde mental adequada é preciso: atividade física, nutrição funcional e neuropsicologia. O tema Neuropsicologia e Nutrição tem sido desenvolvido com base em estudos hologramáticos, ou seja, estudos que levam em conta a complexidade do sujeito que não é uma caixinha de gavetas mas um ser total, onde um aspecto influencia o outro de forma efetiva.

Na Neuropsicologia estamos atentos principalmente a SEROTONINA. A serotonina compõe o grupo dos neurotransmissores, incluindo as catecolaminas (adrenalina, noradrenalina e dopamina). Ela é responsável pela regulação de nossa forma de estar no mundo conjuntamente as catecolaminas, nossos estimulantes. O consumo de alimentos ricos em triptofano, tirosina e fenilanina pode garantir a síntese dos neurotransmissores responsáveis pela felicidade. Não adianta ler sobre o alimento e comer, é preciso combinar , daí a importância da nutricionista.

A setotonina encontra-se nas paredes do intestino, nas células cerebrais e no sangue, portanto somos serotonina que é obtida do aminoácido essencial triptofano (Meeusen & De Meirleir, 1995) . Podemos dizer que ela é nosso calmante natural. O chocolate é rico em triptofano mas é preciso usar os amargos pela quantidade de cacau. Combinar os alimentos para se chegar a uma química ideal dos nutrientes também é eficaz para aumentar a sensação de bem estar. Os alimentos com triptofano podem ser combinados com alguns que apresentam vitaminas do complexo B e magnésio, que atuam como cofatores para converter o triptofano em serotonina.

É por isto que no Brasil vendem-se tantos antidepressivos. O faturamento dos laboratórios engordou bastante . Estas indústrias conseguem ter taxas de elevação comercial maior que as fábricas de automóveis, cervejas e computadores.

Paul Hartig, pesquisador da Synaptic Pharmaceutical Corp acredita que a serotonina é um dos campos mais férteis do século. O que não é contado é que a serotonina é fabricada no nosso cotidiano dependendo da atividade física, da nutrição e da forma de ver a vida. Mas tudo isto depende da forma como nossos pais significativamente cuidaram de cada um de nós e como demonstravam afeto. São nossos pais que nos abrem o circuito gerador de nossa mielinização cerebral. A serotonina é um neurotransmissor mensageiro dos bons e maus sentimentos, responsável pela sensação instável de bem estar porque nada é fixo.

O nosso corpo humano não é um instrumento que remédios nos equilibram. Não temos um corpo, somos um corpo! O corpo humano somos nós pois como uma totalidade somatopsíquica somos as escolhas e experiências de vida. Depressão, ansiedade, melancolia, tristeza são estados emocionais normais e necessários, entretanto no mundo atual não queremos esperar a nossa própria reorganização. Queremos rapidez em tudo e nosso ser não funciona deste jeito. As variações de ansiedade, depressão são pessoais. Cada pessoa tem uma história e tem o suporte necessário para enfrentar os fatos de vida desde que ame a sua alma como ela é e não como gostaria que fosse.

O remédio acaba sendo a fuga do encontro consigo pois para ser feliz é preciso passar pela tristeza. Para estar com as pessoas de forma produtiva tenho que aprender a viver a solidão. Os opostos se encontram e há a possibilidade de visualizar saídas criativas. E a criação destes caminhos dependem de esforço, de buscar formas de libertar a alma da dominação, da psicopatologia, do psicologismo .

Mas e a nutrição? Conforme Milena Militão nos ensinou , existe uma diferença entre comer e nutrir-se. A escolha e o cuidado que temos ao formatar um prato colorido com fibras e alimentos orgânicos é a prova do quanto estamos dedicando a nós mesmos. Não alimentamos apenas o corpo – nosso SER, alimentamos nossa alma – nossa ENERGIA. Então quando simplificamos nossa alimentação estamos informando alguma coisa mais profunda a nós mesmos. Quando esta questão refere-se aos filhos mais sério se torna porque só oferecemos o que temos. Uma família onde a alimentação não reúne, não dialoga, não sorri em torno da mesa, está mostrando as fraturas de discurso entre seus membros e induzindo a anulação de desejos e formas de agir espontâneos de nossas intersubjetividades. Vamos comer ou nutrir? Comer frente a televisão e tablet ou reunidos em uma bela mesa?

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