Cinemark – 2

Ponto de Equilíbrio lança show inédito gravado no Canecão

Por Redação

Grupo de reggae Ponto de Equilíbrio. Foto: Divulgação

Grupo de reggae Ponto de Equilíbrio. Foto: Divulgação

O grupo de reggae Ponto de Equilíbrio inicia o ano de 2018 completando maioridade na cena musical. Como forma de comemoração, presenteia o seu público com a divulgação do material audiovisual inédito da turnê “Abre a Janela”, gravado em show no Canecão em maio de 2007, no Rio de Janeiro. “Capturamos apenas para registro, pois na época as redes sociais não tinham a força de hoje. Onze anos depois, encontramos as imagens e vamos compartilhar estas lembranças e momentos de alegria no nosso canal do YouTube”, conta o baterista, Lucas Kastrup.

No repertório, sucessos do primeiro CD – que teve 50 mil cópias vendidas – chamado ‘Reggae a vida com amor’. Estão presentes as faixas ‘Aonde vai chegar? (Coisa Feia)’, ‘Árvore de reggae’ e ‘Ponto de Equilíbrio’, ‘Janela da favela’, ‘Verdadeiro amor’, ‘Velho amigo’, ‘Lágrimas de Jah’ e ‘O inimigo’. A produção do disco assinada por Chico Neves, foi lançada pela gravadora Warner Music também na Alemanha, Grécia, Portugal, Espanha e Suíça, impulsionando a Ponto de Equilíbrio no mercado internacional. A ocasião também marcou a estreia do selo do grupo, chamado Kilimanjaro Records.

A escolha do palco deste momento especial se deu em função da energia que o local transmite. Para o baterista, tocar no Canecão é um sentimento único, pois o espaço é notório e carrega passagens de grandes artistas da MPB. “O palco ganha uma magia, como se tivesse um pouco da energia de cada artista que por lá passou. Apresentar-se nele, é sinal de que você está no caminho certo”.

A divulgação da apresentação lendária traz à tona o sentimento de reflexão em um momento de luta pela reabertura da casa de shows, desativada há sete anos. Localizada no bairro de Botafogo, no Rio de Janeiro, o Canecão possui 36mil metros quadrados, atualmente marcados pelo abandono.

Para a rapper e integrante do movimento Ocupa MinC, Taz Mureb, a atitude de levantar a questão da reabertura do Canecão deve partir também da classe artística e musical e não somente de movimentos políticos. Pesquisadora e estudiosa da MPB, a artista afirma que o espaço é de todos e para todos, salientando a importância do local que já recebeu concertos históricos e marcantes da música, desde a MPB à bossa nova.

O movimento político Ocupa Minc surgiu em maio de 2016, em defesa da revitalização e ativação do Canecão e também do movimento ‘Fora Temer’, quando o presidente acabou com o Ministério da Cultura. Taz estava entre os integrantes que ocuparam o Canecão por 112 dias.

Para Kastrup, o fato é uma perda inestimável para a cultura brasileira. “Os locais artísticos proporcionam as pessoas momentos de interação, transcendência e descontração. Sentimos a falta do Canecão e lamentamos que ele esteja com as portas fechadas. A Ponto de Equilíbrio torce por uma renovação e valorização do local, e busca uma nova consciência da importância da arte para todos. Acreditamos na música como ferramenta de conscientização e entretenimento.”

Na batalha pela reabertura do Canecão, Taz comenta que há o espaço funcional, mas que precisa de investimento para obras. Para ela, os músicos, bandas e artistas em geral devem se conscientizar mais em prol da revitalização do espaço, que possui um palco místico.
“Espero que este material do Ponto de Equilíbrio que surgiu depois de tantos anos desperte novamente o debate sobre esta questão. Queremos saber: o que podemos fazer sobre o Canecão? Porque ele ainda não foi revitalizado? É um espaço importante para a nossa cultura e o queremos funcionando”, encerra.

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