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Neuropsicologia com transtorno psicótico: Uma intervenção sistêmica

Por Rosa Prista

Foto: Divulgação

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Uma profissional de saúde muito próxima  me ligou na última quinta feira e me informa que um cliente quebrou toda a sua sala de atendimento  e ela não atenderá mais este tipo de cliente. Estava apavorada e o cliente veio encaminhado por um psiquiatra.

Em outro dia um médico parceiro teve as portas de seu consultório quebradas por um cliente com “transtorno psicótico”. Este manteve seu compromisso, cuidou do cliente e encaminhou a um pronto socorro.

Outro dia em minha clínica um cliente arrebentou a porta de minha sala de atendimento com um chute. O cliente foi trabalhado com formas de apropriação do “não”  fomatando regras sociais.

Em todos estes casos um gatilho emocional foi disparado. O primeiro não posso identificar porque não participei ativamente do processo mas lamentei perdermos no mercado uma profissional importantíssima no processo de saúde das pessoas com “transtorno psicótico”

O segundo caso é meu cliente direto e o dispositivo foi a intervenção protecionista da mãe que disse bem alto que ele não sabe esperar a  consulta. Deve ser logo atendido. Com a proteção e consentimento materno fez o que desejou sem processo de freio inibitório, processo motor e reflexivo que nos faz pensar antes de agir e ser dominado pelas emoções.

O terceiro também é nosso cliente e tem sido trabalhado para expor seus melhores conteúdos. Infelizmente chegou para tratamento já adolescente e com muitos vícios principalmente de ser atendido de forma imediata. Assim funcionava em casa com a cuidadora.  Tudo na mão, tudo fatiado, cortado, tudo de imediato para que não se estressasse.

Este é o ponto: Onde estão sendo atendidos as pessoas que possuem este transtorno e que não nascem assim , mas se tornam psicóticos? A maioria acaba em instituições públicas e isto é fato a ser considerado pois tratar psicótico não é medicar. A palavra “cuidar” possui outras dimensões que passam pelos contextos familiares, comunitários e escolares quando é possível estar em uma instituição escolar.

As rotulações do DSM-V e CID – 10 são insuficientes  para um trabalho que provoque resultados. Quem atua com aprendizagem , desenvolvimento, ou seja, de forma psicodinâmica informa que há muito mais a ser observado, avaliado e transformado!

Só para se ter uma idéia os autores abaixo são fundamentais para esta compreensão que vai além dos psicotrópicos: é preciso saber Foucault, Spitz, Bowlby, Racanier, Freud, Fromm- Reichamann, Arieti, Klein, Bion, Kohut, Bleger, Laing, Winnicott, Lacan, Mahler, Jung, Rosenfeld, Segal, , Sullivan, Moreno, Bustos, Rojas-Bermudes , Fonseca Filho, etc.

Se analisarmos os laudos que chegam sobre estas pessoas apenas encontramos números e códigos. Falta a pessoa e sua história, falta a família e sua cultura, falta afetividade, comunicação e fundamentalmente humanidade. Quando encontrar uma pessoa com “transtorno psicótico” não o confunda com autista, mas trate-o como um humano que precisa de nosso melhor humano.

Definir psicótico depende do paradigma a ser definido e a teoria para compreensão das variantes e invariantes. O mais importante é a alteração no contato com a realidade, alterações nas relações com as pessoas e dificuldade na formação da identidade sexual e da imagem corporal,  realizando contato segundo seu próprio desejo e sem referendar o outro como um ser diferenciado.

O que deve ser bem definido é que a maioria dos profissionais de saúde não aceitam este tipo de cliente inclusive alguns psiquiatras pois definem uma rigidez quanto ao progresso destas pessoas limitando ao uso de medicamentos controlados. Não acredito nisto pois todo ser humano possui dentro de si a capacidade de reorganização biológica e  psíquica. Mas, para conhecer este mundo interno é preciso não estar “dopado” e impregnado pelos medicamentos.

Muitos clientes com “transtorno psicótico” reagem bem ao processo de limpeza orgânica oferecida pela homeopatia unicista, pela alimentação indicada pela Medicina Chinesa aliado a um processo terapêutico sério, interdisciplinar e cuidadoso pois para atuar com este tipo de cliente eu preciso me terapeutizar primeiro e em segundo lugar eu preciso ter a capacidade de síntese bem desenvolvida para ser capaz de unir, integrar e transformar com o cliente.

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