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O machismo de Marcos no BBB

Por Daniel Romano

Foto: TV Globo/Divulgação

Foto: TV Globo/Divulgação

No Big Brother Brasil 17, a gente aprendeu que o programa não é apenas futilidade. Temos muito o que aprender com o convívio humano, o que somos diante da sociedade e o significado da palavra respeito. Sabemos tão pouco que uma maioria quase que absoluta permitiu a permanência do desrespeito, mesmo tendo opções de interromper diante de votações populares. Precisou que a lei interferisse no programa para frear um provável desfecho pior.

Deixar o braço de uma mulher roxo de tanto apertar na hora de uma discussão é agressão física. Colocar o dedo na cara e gritar para acuar uma pessoa é agressão verbal. E não sou eu que estou dizendo, é a lei. Esse tipo de comportamento machista agressivo não deveria ser tolerável, mas foi. Pela Emilly e pela maioria do público.

O machismo estava ali, ao vivo, escancarado pra todo mundo ver no horário nobre da principal emissora de televisão aberta do nosso país. E esteve não somente em formato de agressões físicas ou verbais. Comentários como achar horrível uma mulher segurar uma garrafa de bebida alcoólica também é machismo. Nós vimos o que ninguém vê. Nós vimos o início da falta de controle, que geralmente é ocultado pelas mulheres por medo, por vergonha ou por uma espera de melhora. Nós vimos que um machista é um ser humano comum, que erra e acerta, que tem defeitos e qualidades como qualquer outra pessoa.

O mais triste nisso tudo é saber que estamos falando da vida real, que muitas mulheres vivem conflitos constantes dentro de casa durante anos, sendo desrespeitadas e não percebem que por uma questão de segundo um problema seríssimo pode acontecer. Precisamos aprender a ter limite, pois o descontrole acontece de forma crescente, com a intimidade e com a convivência. E precisamos ter tolerância para saber conviver, respeitar e lidar com as diferenças. Faltou respeito. Faltou limite. Mas nada melhor do que três mulheres na final do programa para servir de antídoto contra o machismo desse cara. Tchau, Marcos.

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