Hinode – 1

Você conhece a área de Neuropsicologia?

Por Rosa Prista

Imagem: Divulgação

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Em um restaurante na cidade do Rio de Janeiro, uma criança brinca com um tablet enquanto sua mãe e seu pai conversam animadamente do outro lado da mesa. A criança chama os pais várias vezes mas eles estão tão concentrados em sua conversa que não percebem a criança. Olham para ele apenas quando o garçom traz o jantar e distribui os alimentos entre os pratos. A criança continua com o tablet enquanto se alimenta e os pais continuam sua conversa.

Durante alguns minutos me recriminei por estar analisando a situação mas alguns momentos depois me permiti viajar pelo meu próprio mundo subjetivo e estampar meus pais jantando comigo e conversando sobre o meu dia. Éramos cinco pessoas. Eu, meu pai, minha mãe, minha avó materna e minha tia materna. Todas as noites sentávamos a mesa e conversarmos entre quitutes que algum membro da família cozinhava para os demais. Tínhamos uma condição econômica tranquila mas que dependia do trabalho de meus pais e de minha avó. Apesar de serem pais trabalhadores nunca abriram mão de me afetivizar com palavras, sorrisos, muitos livros que liam na rua, no parque, em casa e depois abasteciam meu quarto com gibis que eu adorava. Sempre traziam algo do bar para mim: uma bala, um importado novo, um jogo ou simplesmente sentavam em meu quarto para ver meus trabalhos de casa. Se sentir significado por pai e mãe é condição de sucesso e eu não poderia iniciar esta coluna sem trazer aqueles que me permitiram estar aqui escrevendo sobre este tema.

Então, Neuropsicologia é uma especialidade da Psicologia que tem como meta a reconfiguração de paradigmas pessoais, profissionais e sociais estudando a complexidade da atividade cerebral expressa na motricidade humana. Esta especialidade vem ampliando seu campo de abastecimento científico. Existem linhas paradigmáticas para compreendê-la.

A linha americana prima por patologias, síndromes, nomes novos de doenças e a medicação como o maior suporte. A linha que atuo prima pelo paradigma da Escola Européia e foca seus estudos na aprendizagem e no desenvolvimento humano buscando a compreensão dos processos e a origem dos bloqueios para que sua atuação produza efeitos permanentes. A linha paradigmática européia analisa o fenômeno em contexto incluindo o processo de construção familiar e a apropriação sócio-cultural.

Esta linha de percepção é mais profunda porque tece uma teia na compreensão do sintoma. Não culpabiliza pessoas mas devolve a elas sua responsabilidade no processo e propõe novas configurações em busca de qualidade de vida. Suas ações primam por atividades terapêuticas sistêmicas –  atividades meditativas, corpóreas, reflexivas e expressivas que são os únicos caminhos para atingir o inconsciente pessoal e coletivo – fontes de riqueza da singularidade humana e uso de substâncias que promovem a organização do sujeito como a Homeopatia, os Florais de Bach e a Medicina Auricular Francesa.Suas ferramentas ampliam a percepção do sujeito, aprofunda as capacidades cognitivas, desenvolve o pensamento divergente, autoconceito, motivação, amplia a flexibilidade psíquica, dinamização da bioquímica cerebral, evolução no plano relacional e o mais importante: libera a intencionalidade do sujeito que passa a ser construtor de uma história de sucesso.

Mas para construirmos uma história de sucesso é preciso ser significado e apesar de todo o progresso científico nada substitui uma relação contextualizada e significativa com nossos pais.

Um dos pontos mais importantes é que uma relação afetiva com os pais relaxa tonicamente a musculatura pois quando somos abraçados, beijados ou olhados com significação nosso corpo diminui a tensão dos músculos e facilita a fabricação de hormônios significativos ao balanceamento cerebral. Várias pesquisas mostram a correlação entre a ausência dos toques corporais entre filhos e pais, a formação do stress em níveis altíssimos na infância e a produção deficiente de serotonina – neurotransmissor imprescindível na troca de informações entre os neurônios.

Além das práticas já anunciadas acima – atenção dos pais de forma afetiva e significativa, meditação, consciência de si, a integração de alguns alimentos no cotidiano permitem a fabricação natural de serotonina – as nozes, as castanhas do Pará, chocolate amargo, abacaxi,abacate e banana. Saber distribuir tarefas de trabalho, construir contatos efetivos com a família, criar espaços com os amigos são ferramentas  de suporte social que permitem o balanceamento da vida.

Atualmente, os pais estão muito afastados de si, do companheiro (a), não estão construindo espaços com seus filhos, não possuem espaços de silêncio e com isto ficam impossibilitados de buscar o verdadeiro sentido de sua alma. Impulsionados pelo mundo capitalista e pela tecnologia estão abrindo mão do maior tesouro que temos – as relações entre humanos. E como nosso corpo é sábio-  somos nós mesmos – é condição de saúde pararmos para reavaliar os espaços que temos construído em nossas vidas.

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