Uninter – 1

O que eu aprendi sobre amizade

Por Bruna Tschaffon

 

Foto: Pixabay

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Cinco lições que eu aprendi sobre amizades (até agora):

1. É bom ter amigos diferentes de você

É claro que, ao buscarmos amizades, procuramos pessoas que tenham algumas semelhanças conosco, principalmente quando se trata de características importantes como fidelidade, honestidade, integridade… Ninguém busca um “amigo” mentiroso ou hipócrita. Afirmo que é bom ter diversidade no seu grupo de amigos porque sua visão de mundo se expande e você aprende mais sobre a vida do que o faria em um contexto no qual todos concordam com você e compartilham suas ideologias. Amigos não são sombras, mudas e coordenadas com seus passos. Ter amigos de diferentes religiões, aparências físicas, contextos econômicos, orientações sexuais, opiniões políticas e afins nos ajuda a compreender e, sobretudo, a ter empatia pelo amplo espectro de facetas e cores que a humanidade proporciona. Você crescerá tanto em sabedoria quanto em sentimento, permitindo-se destruir aos poucos pré-conceitos e barreiras da sua própria individualidade.

2. Você descobrirá seus verdadeiros amigos nas horas ruins

A cruel verdade é que, na alegria e na festa, é fácil ver o recinto cheio de sorrisos, risadas e efusividade em rostos familiares e acolhedores. Não é, infelizmente, um retrato fiel da cena oposta. Em momentos de profunda tristeza, dificuldade ou amargura, a quantidade de amigos tende a diminuir vertiginosamente se você tiver ao seu redor “amizades” por puro interesse. Entretanto, esse também é o lado bom das adversidades: nelas se reconhece a real compaixão e as máscaras caem. Então, fique atento aos que estiverem presentes e valorize-os intensamente. Você ainda pode ser educado (a) e cortês com os demais que não deram sinal de vida, mas tenha ciência de que o seu círculo de intimidade e confiança não deve abranger as pessoas que sumiram durante a tempestade. Saiba reconhecer as árvores pelos seus frutos.

3. Perdoar não significa insistir em relacionamentos maléficos

É comum termos desavenças até mesmo com amigos muito próximos e é também essencial que saibamos relevar os nossos erros e os alheios se reconhecermos que a amizade em questão é mais preciosa e importante do que aquela briga específica. Todo mundo erra e perdoar é um gesto muito nobre. O que eu demorei bastante a aprender é que nem sempre perdoar significa insistir em relações que não se mostram mais saudáveis. Por vezes, com saudosismo de um passado melhor, queremos nos apegar às memórias construídas e nos esquecemos de avaliar corretamente o presente e as perspectivas de futuro. Algumas amizades genuínas podem se desgastar. As pessoas mudam, amadurecem, se transformam. É natural. Se você chegar à conclusão de que insistir em reparar os laços não trará resultados ou que o seu empenho não é correspondido, saiba que perdoar não precisa ser um retorno à estaca zero. Por vezes, perdoar pode ser desejar, com toda sinceridade, o melhor para aquelas antigas amizades e seguir em frente, num caminho mais compatível com o seu momento.

4. Às vezes, você precisará falar algo que seu amigo não quer ouvir

Amizades verdadeiras não estão dispostas a agradar permanentemente, sobretudo se houver uma questão delicada em jogo. Amigos incondicionais sabem que a intimidade serve justamente para poder aconselhar, sempre pensando no bem do outro. Claro, isso deve ser feito com jeitinho, já que ninguém gosta de se sentir julgado ou confrontado. É possível dizer a verdade sem ser agressivo ou pedante. Por vezes, chamar a atenção é necessário para que seu amigo não caia e se machuque demais (metaforicamente). Contudo, e aqui é relevante frisar, uma vez que você der sua opinião, entenda que não é concebível forçar o seu amigo a aceitá-la, por mais que isso seja decepcionante. No fim das contas, cada um faz suas escolhas e arca com as consequências. Só não deixe de servir de alerta e de apoio. Quem sempre passa a mão em sua cabeça e concorda com cada um de seus passos não é amigo, mas mero adulador com segundas intenções.

5. A amizade é uma via de mão dupla

Amizade não significa exigir dos outros sem fazer qualquer investimento emocional e de tempo em troca. Claro, há fatores como tempo e distância que podem fazer com que você não possa ver seus amigos com tanta frequência quanto gostaria (e em situações justificáveis é papel dos seus amigos entender o cenário com razoabilidade), mas descartar amizades sem qualquer motivo para depois querer reutilizá-las não é nem um pouco legal. Se a pessoa constantemente dá demonstrações de que não se importa com você, fazendo questão de constantemente excluí-lo (a), você não precisa se sujeitar a esse tipo de tratamento. Faça novos amigos, invista em quem também procura sua presença, em pessoas com as quais você possa contar. 

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e é autora de três livros: seu primeiro romance, “Lítio”,publicado pela Editora Giostri, à venda na Livraria Saraiva e na Livraria Cultura; o e-book de poesias “Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais”,está à venda na Amazon e no site da Livraria da Folha. Seu terceiro livro e segundo romance, ” Morfina”, está disponível na Amazon em formato digital. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia, no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora) e no youtube (www.youtube.com/c/BrunaTschaffon)

 

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