Chelle Oliveira 1

O “Jogo do Contente” na crise

Por adrianagoes

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Refletir sobre assuntos como a crise no país, o desemprego, a economia e a política me dá um certo desânimo. Mas como eu li o livro “Pollyana”, quando era pequena e aprendi a jogar o “jogo do contente”, reflito também sobre as coisas boas e as ruins de não ter um emprego fixo.

Não manterei minha mente ocupada ao máximo, mas produzirei o que de fato me motiva. Terei as tardes de sábado, terei as manhãs de domingo.

Não terei dinheiro.

Não terei um carro zero, mas terei passeio de bike com meus filhos no feriado. Não terei férias em Nova Iorque, mas terei a noite de Natal em casa ao lado da minha família. E Réveillon também. E finais de semana inteirinhos.

Não terei mais todas as roupas e sapatos que eu gostaria, mas terei os que preciso. E cuidarei com zelo deles. E poderei organizar aquele bazar beneficente que eu sempre quis (mas nunca tive tempo).

Não terei jantares caros com meu noivo, mas poderei testar as receitas que minha mãe deixou pra mim. Não terei um creme novo por semana. Mas irei, enfim, usar os meus até o fim. Não farei todos os cursos que gostaria, mas poderei garimpar cursos grátis pela internet.

Terei pouco dinheiro.

Mas o que tiver, não gastarei me enchendo de doces. E de tantas coisas supérfluas que eu comprava para preencher meu vazio. E tentar ficar feliz.

Não terei como pagar a escola dos meus filhos e precisarei pedir ajuda. Mas estarei mais ao lado deles e não estarei sempre estressada ou triste.

Terei momentos de tédio em casa. Mas serão só um lembrete para que eu procure fazer o que gosto.

Não terei nenhum dinheiro.

Como farei? Não sei, mas sei que será temporário.

Aprendi que dinheiro só traz felicidade se não levar junto as cinco coisas mais importantes da vida pra mim: saúde, tempo, amor, liberdade e paz.

Talvez eu perca noites de sono pensando na crise e procurando um emprego que faça mais sentido. Talvez eu tenha pesadelos sobre isso. Mas, pelo menos, as noites de domingo não serão mais um terror. E serão cheias de vida, cheias de cor.

E, quando isso acontecer, saberei que arrisquei, vivi e fui feliz do meu jeito.

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