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Cineasta Hector Babenco morre após parada cardíaca

Por Edir Lima

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O cineasta argentino Hector Babenco, de 70 anos, morreu por volta das 22h50 de ontem (13), vítima de uma parada cardíaca. Ele havia sido internado na terça-feira (12), no Hospital Sírio-Libanês, na região central de São Paulo. Entre os filmes mais famosos de Babenco estão Pixote, Carandiru e O Beijo da Mulher-Aranha.

Com o filme O Beijo da Mulher-Aranha, de 1985, o cineasta conseguiu ser indicado ao Oscar de melhor diretor. Com Carandiru, Babenco ganhou vários prêmios dedicados ao setor no Brasil e no Exterior. O filme foi baseado no livro Estação Carandiru, do médico Drauzio Varella. A publicação aborda a rotina dos encarcerados na extinta unidade prisional, que ficava na zona norte da cidade de São Paulo. No local, em 2 de outubro de 1992, ocorreu a ação policial que resultou em 111 mortes e ficou conhecido como Massacre do Carandiru.

O cineasta também dirigiu duas produções hollywoodianas: Ironweed, de 1987, e Brincando nos Campos do Senhor, de 1990. O primeiro é protagonizado por Jack Nicholson, que vive o atormentado Francis Phelan, e Meryl Streep, uma cantora decadente e depressiva. Por sua atuação, Nicholson foi indicado ao Oscar de Melhor Ator e também ao Globo de Ouro. Meryl Streep também foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz pelo papel.

Em Brincando nos Campos do Senhor, de 1990, foi retratada a saga de um casal de evangélicos, vividos por Aidan Quinn e Katty Bates. Em plena selva amazônica, eles tinham a missão de catequizar os índios. O longa, que conta ainda com Daryl Hannah e Tom Berenger, é baseado em um romance homônimo de Peter Matthiessen e foi escrito por Babenco e Jean-Claude Carrière.

Depois de curar-se de um câncer linfático, em 1990, o cineasta lançou em 1998 o longa Coração Iluminado, estrelado por Maria Luisa Mendonça, Miguel Ángel Solá e Xuxa Lopes, e que fez referências à sua juventude, na Argentina. A obra foi indicada à Palma de Ouro do Festival de Cannes 1998.

Em 2003, outro trabalho com êxito: O Carandiru, baseado no livro Estação Carandiru de Dráuzio Varella, sobre a dura rotina dos presos na extinta Casa de Detenção que ficou, mundialmente conhecida após a morte de 111 presos, em 2 de outubro de 1992, no episódio que recebeu o nome de Massacre do Carandiru. Essa produção foi vista por mais de 4 milhões de espectadores nos cinemas do Brasil e teve a indicação à Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2003.

Nascido em Buenos Aires, na Argentina, em 1946, ele naturalizou-se brasileiro em 1977. O cineasta era descendente de imigrantes ucranianos, o pai era argentino e a mãe polonesa.

O corpo do cineasta Hector Babenco, que morreu na noite de ontem (13), aos 70 anos, vítima de uma parada cardíaca, será velado amanhã (15), das 10h às 15h, no prédio da Cinemateca Brasileira, na Vila Clementino, zona sul da cidade. Segundo a produtora do cineasta HB Filmes, a cerimônia será aberta ao público e depois o corpo seguirá para o Crematório Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, ao sul da Grande São Paulo.

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