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Paes afirma que suspeita de fraude em obra de Deodoro é caso de polícia

Por Edir Lima

Rio de Janeiro - O prefeito Eduardo Paes visita o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar. Obra que faz parte da reestruturação urbana da região portuária do Rio e que terá a primeira galeria inaugurada no dia 19 de junho. (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

Rio de Janeiro – O prefeito Eduardo Paes visita o novo Túnel Prefeito Marcello Alencar. Obra que faz parte da reestruturação urbana da região portuária do Rio e que terá a primeira galeria inaugurada no dia 19 de junho. (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou hoje (8) que as suspeitas de fraude nas obras do Complexo de Deodoro, destinadas aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos, devem ser esclarecidas em investigação policial. Paes disse que os fiscais de obras da prefeitura conferem o volume de terra retirado do local pelo consórcio responsável, mas ressaltou que, se houve falsificação de documentos referentes à obra, o caso passa a ser policial.

“Essa identificação que eles fizeram é essencialmente policial. O fiscal da obra não pode identificar quem tem assinatura falsa. Ele trabalha com volume de terra retirado. Se tem assinatura falsa e se tem fraude, aí é um caso policial”, disse o prefeito, referindo-se a suspeitas de fraude em documentos das obras.

A Polícia Federal e o Ministério da Transparência, Fiscalização e Controle cumpriram ontem (7) mandados de busca e apreensão na sede do consórcio responsável pela obra do Complexo de Deodoro, formado pelas empresas Queiroz Galvão e OAS, e em duas empresas prestadoras de serviço. Também é investigada uma bióloga, contra a qual há indícios de responsabilidade na confecção de manifestos de resíduos falsificados. Na operação, foi apreendida uma grande quantidade de documentos, além de computadores e aparelhos celulares.

A investigação começou em janeiro e apura se houve fraudes no transporte e na destinação de resíduos sólidos na obra, elevando o valor a ser pago pelos serviços. Os agentes já realizaram 39 oitivas, e a operação ganhou o nome de Bota-Fora.

Eduardo Paes disse que foi alertado, há cerca de um mês e meio, sobre os problemas. Segundo o prefeito, os pagamentos às empresas foram bloqueados até que as investigações esclareçam as suspeitas.

Ontem, o consórcio responsável pela obra divulgou nota, na qual esclarece que a alteração do custo de transporte de resíduos se deve ao acréscimo da quantidade de material transportado, o qual não estava previsto inicialmente no projeto básico. “Tal alteração não impactou o valor total da obra estipulado em contrato”, diz a nota. Já o Ministério da Transparência afirma que o prejuízo aos cofres públicos pode chegar a R$ 85 milhões.

Olimpíada e impeachment

O prefeito apresentou à imprensa, na manhã de hoje, o Túnel Prefeito Marcello Alencar, que fará a ligação entre o Elevado do Gasômetro e o Aterro do Flamengo. O túnel receberá o fluxo expresso que usava o Viaduto da Perimetral, demolido para a revitaliação da zona portuária. Na inauguração, porém, Paes respondeu a questionamentos sobre problemas em outra obra, no Elevado do Joá, onde um buraco no asfalto surgiu menos de um mês após a entrega. “Acho inaceitável. Não pode acontecer. Tem que ser cobrado da empresa que recupere, que faça direito e bem feito”, afirmou Paes.

Sobre a coincidência entre as datas da decisão do impeachment da presidente Dilma Rousseff, prevista para agosto, e a Olimpíada do Rio de Janeiro, cuja abertura é no dia 5 do mesmo mês, Paes minimizou a preocupação com a possibilidade de manifestações impactarem os jogos. “Vai morder a arena? Vai comer a bola? Se não fizer isso, pode protestar”, disse o prefeito.

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