Hinode – 1

Você deveria desistir

Por Bruna Tschaffon

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Semana passada eu estava na barca voltando para Niterói (tantas das minhas crônicas se iniciam assim…). Durante a travessia, eu costumo aproveitar o tempo livre para estudar. Pois bem, lá estava eu, absorta em minha leitura, quando ouço uma voz a aconselhar em minha direção:

“Desiste.”.

Eu estranhei o fato, mas a voz logo repetiu o mesmo verbo com um dissabor monótono.

“Desiste.”.

Virei-me para o lado e percebi que a dona da voz era uma senhora sentada a dois assentos de distância do meu, que me encarava uma expressão blasé. Eu a fitei com curiosidade, querendo entender o porquê de receber conselhos que nem ao menos pedi de uma completa estranha.

Ela, como se motivada pelo meu silêncio intrigado, se viu compelida a me contar sua história de vida. Disse-me que fizera o mesmo curso que eu e que de nada lhe servira. Contou-me, basicamente, sobre como é idiota ser idealista e que no final, a vida continuava a ser uma droga. Acrescentou que, em trinta anos, eu me lembraria das suas palavras e saberia que ela tinha razão o tempo todo.

Como a garota diplomática que tento ser, apenas me limitei a escutar o discurso mais desencorajador da história da humanidade e fiquei grata ao perceber que já estava em condições de me despedir dela. Eu não disse o que eu realmente queria dizer, mas espero que um dia – ainda que demore trinta anos- ela possa ler o que escrevi aqui.

É muito fácil desistir. É muito fácil deixar que a vida lhe oprima e descontar sua desilusão em outras pessoas. Não há nada nobre e digno em pensar “Quer saber? Não vai adiantar mesmo! É mais fácil eu abrir mão dos meus sonhos. É mais fácil eu desmotivar quem está começando a trilhar o caminho que eu larguei.”.

Eu me reservo o direito de ser estupida, e teimosamente persistente, porque eu tenho a certeza de que a grandeza não foi feita para os que se rendem ao primeiro obstáculo. O sucesso não é conseguir todos os seus objetivos sem esforço. Nunca foi. Sucesso é perseverar e continuar apesar de cada fracasso.

A J. K. Rowling teve o manuscrito de “Harry Potter” rejeitado por doze editoras antes de conseguir publicá-lo. O Van Gogh apenas vendeu uma pintura em vida. Walt Disney foi rejeitado 302 vezes antes de conseguir financiamento para criar a Disneylândia. O Michael Jordan foi cortado do time de basquete da escola dele por não “ser bom o suficiente”.

Não é minha intenção adentrar numa reflexão de autoajuda, mas o inegável grande traço das pessoas bem-sucedidas é, não obstante o revés, o fracasso e a opinião alheia, não perder a tenacidade ou o foco. Essas pessoas acreditaram no seu potencial e seguiram em frente, embora as circunstâncias sugerissem que fosse mais sábio desistir.

Então, minha cara desconhecida rancorosa, espero que você reencontre sua chama. Espero que reencontre sua alegria, sua motivação, sua paixão e que, com isso, nunca mais precise colocar alguém para baixo. Você pode escolher ser alguém que oferece palavras de encorajamento e positividade em vez de extravasar decepção. Você pode escolher ser a mudança que deseja ver ou pode optar por desistir.

Eu já fiz a minha escolha.

“Eu perdi mais de 9.000 cestas na minha carreira. Eu perdi quase 300 jogos. Em 26 vezes, me confiaram a cesta que poderia vencer a partida e eu errei. Eu falhei repetidas vezes na minha vida. E é por isso que eu obtive sucesso” (Michael Jordan)

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e seu primeiro romance, “Lítio”, será lançado pela Editora Giostri. Lançou o e-book de poesias “Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais”, à venda na Amazon e na Livraria da Folha. Seu romance “Lítio” será lançado dia 29 de abril, às 19 horas, na Saraiva do Plaza Shopping Niterói. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia e no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora).

 

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