Salto Fino 1

Afinal, qual é o propósito da vida?

Por Bruna Tschaffon

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Crianças naturalmente fazem simples perguntas, as quais são igualmente difíceis de se responder com precisão. É uma habilidade incontestável dos pequeninos. Toda criança, inevitavelmente, se pergunta: de onde eu vim? (ah, aquela velha história da cegonha!) Para onde eu vou? Por que eu estou aqui?

São ponderações que, bem ou mal, nos acompanham até a adolescência. Na escola e na faculdade, eu comecei a ler sobre Filosofia. Comecei a perceber que o fardo de dar um significado a nossa existência era carregado, com muito custo, pelas mais brilhantes mentes. E eram tantas e variadas abordagens! Uma confusão sem fim ou começo, e não se chegava perto de atingir um consenso.

Pode parecer muito pretensioso querer delimitar um propósito da vida num texto proveniente de uma garota comum e nada extraordinária de vinte e três anos. A verdade é que eu não sou, nem de longe, tão inteligente quanto os pensadores que estudei. Talvez pensar demais e teorizar em excesso, chuto eu, humildemente, seja a origem de mais problemas do que soluções.

Eu vim a descobrir que a vida é um grande clichê. Simplesmente assim. A vida não traz uma complexidade insana e estarrecedora, de modo que seu propósito tampouco será fruto de uma epifania alcançada por um intelecto incomparável que se recluiu em suas divagações.

Não. A vida é de uma simplicidade trágica.

Então, ao senhorzinho que hoje estava a dois assentos de distância de mim nas barcas, com um olhar perdido e pensativo… Ao homem no final de sua jornada de trabalho, contemplando o cinza da cidade pela janela de seu escritório… À grávida que acaricia a própria barriga, a ponderar sobre o futuro do seu filho… À adolescente que escuta seu ipod com uma expressão de insatisfação…

Aqui vai meu palpite. O propósito da sua vida, da minha vida, das nossas vidas… É amar.

Não atire o seu computador/celular pela janela! Eu tenho a convicção de que a resposta é simples assim.

O Amor é o que há de mais poderoso no mundo. Não há nada tão intensamente libertador ou forte quanto o amor puro. Eu acho que a existência só faz sentido quando deixamos de submergir em nós mesmos e passamos a servir o próximo, a amar com paciência e dedicação e altruísmo e empenho e compaixão. No final das contas, a nossa capacidade de amar e de nos entregarmos ao Amor termina por definir o quanto vivemos.

Pelo menos é nisso que eu acredito. Sinta-se livre para discordar.

Eu vou lá tentar amar e já volto.

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e seu primeiro romance, “Lítio”, será lançado pela Editora Giostri. Lançou o e-book de poesias “Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais”, à venda na Amazon e na Livraria da Folha. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia e no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora).

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