Salto Fino 1

O dia em que o caminho para a felicidade foi mais rápido de bike

Por Gizele Toledo

bike reduzida 8

Os jornais falam da crise, assim como a TV, o rádio, as conversas no WhatsApp… Eu também ando falando desse furacão na minha página no Facebook… Mas tudo na vida tem dois lados e, se ora olhamos indignados, pois não podemos ser alienados, em outros momentos precisamos de um respiro, senão entramos em curto circuito, já que não temos todas as soluções do mundo.

Então vamos falar também de amor, de alegria, de felicidade. Vamos lá fora inflar os pulmões com ar puro, seja entrando num parque arborizado, seja sentindo a maresia ao passear na areia. Vamos! Venha junto comigo dar um passeio sobre duas rodas, pedalando, pedalando, pelas paisagens da cidade maravilhosa, apreciando as sinuosidades das montanhas.

O Rio de Janeiro nos encanta com o que Deus lhe deu. Mesmo para quem o olha todos os dias, é impossível se acostumar com ele. Sua beleza é de um fascínio irreversível. E, nada melhor do que apreciar tanta formosura de um jeito nem tão rápido, nem tão devagar. Nem na alta velocidade dos veículos motorizados (quando o trânsito raramente contribui), nem na estagnação dos engarrafamentos rotineiros, nem na morosidade do passo a passo do pedestre, que não pode alcançar de forma rápida longas distâncias. O Rio quer você de bicicleta.

A proposta

Como jornalista e colunista, fui convidada pela Rio by Bike para participar de um dos passeios que a empresa, fundada por holandeses residentes no Rio de Janeiro, oferece a turistas brasileiros, estrangeiros e a cariocas. Sim, cariocas também, por que não? Há mais cariocas que desconhecem os pontos turísticos mais famosos do Rio do que se possa imaginar. Há aqueles que se acostumam a fazer sempre as mesmas coisas, a se divertir sempre da mesma maneira e acabam se esquecendo de conhecer a fundo a cidade onde vivem. Às vezes se conhece tão bem um lugar estrangeiro quando visitado, mas esquece-se de aproveitar riquezas que estão bem debaixo do nariz. Acontece. Em tempos de dólar em alta, inventar novas programações perto de casa não é nada mau.

Ganhei o passeio e, como combinado com a empresa, fiquei livre para contar ou não a minha experiência para vocês, falando bem ou falando mal. Foi apenas uma porta que se abriu, sem comprometimentos. Mas foi tão bom conhecer o Rio de Janeiro de novos ângulos, que minhas impressões foram bem positivas. Gostei especialmente da oportunidade de ouvir o que um guia gringo conta para os turistas que nos visitam em nosso país, sob o ponto de vista dele. Sou curiosa e me senti uma mosquinha xereta como se estivesse prestando atenção em conversa alheia.

Fomos divididos em dois grupos: um com explicações em holandês e outro em inglês. Fiquei com o menor grupo, em inglês. Partimos de Copacabana às 9h da manhã, fomos passando por diversos pontos turísticos ao longo do caminho, indo em direção a Botafogo, seguindo pelo Flamengo, Catete, Glória até o Centro da cidade e, depois, retornamos, sempre dando preferência às ciclovias.  O guia, um alemão poliglota que mora no Rio, alerta aos ciclistas envolvidos no passeio para terem muito cuidado com nossas ciclovias, que ainda não estão em ótimas condições: diversas vezes nos deparamos com buracos, pedestres, carros invadindo e até mesmo a interrupção misteriosa de trajetos cicloviários, quando tínhamos que nos virar por entre os veículos, trafegando pelo canto da rua mesmo, desviando de ônibus e caminhões tão desacostumados à nossa presença.

Resultado

Apesar desses inconvenientes, quase nada abala quem está fazendo turismo. Nem o calor escaldante, nem a falta de educação de alguns do povo. Foi o que observei no grupo, que seguia sempre sorridente. Fazer turismo é mágico: quando a gente olha ao redor, o que a gente vê é curiosidade, surpresa, beleza. Tudo na vida depende de como queremos olhar. E, viajando, a gente costuma ter mais suscetibilidade para ver o melhor. Concorda? Porque não trazer esse olhar positivo para o nosso dia a dia e ser mais feliz? No passeio, vesti a minha alma de viajante e me diverti muito.

Interessante foi ouvir curiosidades sobre personagens que fizeram parte da história do Rio, como a princesa Isabel e o artista Jorge Selarón, passando por informações relevantes sobre a construção de ícones arquitetônicos. Ficamos sabendo mais sobre o Copacabana Palace e diversos casarões, igrejas, cemitérios e museus, com elogios, críticas e comentários, sem cortes. Contar sobre as coisas boas sim, mas nada de esconder as mazelas – era o lema do alemão que nos guiou por todo o trajeto. Impressões políticas e sociais fizeram parte das conversas, que envolveram todos os participantes.

Paramos para refrescar e tomar água de côco duas vezes e apreciar as belíssimas praias por onde passamos. Pude constatar que, apesar dos contrastes, apesar da crise, apesar dos problemas de nosso país, sempre é possível ser feliz. Porque durante todo o passeio, que durou nada menos que 4 horas, era como se não existissem problemas. Eu pude estar no tempo presente, sentindo minhas pernas forçarem o pedal, o sol em minha pele, o calor no meu corpo, o suor, o vento no rosto, o cheiro do mar, prestando atenção no azul do céu e nas histórias recontadas de novos vieses, ouvindo os comentários e perguntas dos turistas, curtindo o momento.

O que aprendi

É isto que acredito que precisamos fazer para sermos felizes: lutar quando for hora de lutar, relaxar quando for hora de relaxar. Focar no momento presente, fixar nossa atenção no que estivermos fazendo em cada segundo. Não podemos estar o tempo todo aparamentados com pesadas armaduras. Nem o tempo todo alheios às circunstâncias. Equilíbrio é fundamental. Senão, a bicicleta cai. Mas, se cair, volte firme, pois somos capazes de nos superar sempre. E isso vale para o nosso país também. Tenho visto muita gente desesperançada. Mas vai dar tudo certo. Você vai ver. Quem caiu da bicicleta uma, duas, várias vezes, sabe: a gente sempre pode voltar a se equilibrar. É só não desistir.

Clique nas fotos para ampliar.

 

Gizele ToledoGizele Toledo é jornalista formada pela PUC-Rio, especialista em Jornalismo Cultural, pela Uerj, e em Docência do Ensino Superior, pela Ucam.  Apaixonada pela vida, atualmente mergulha nas descobertas a respeito da felicidade, inspirando-se nos conhecimentos de escritores como Eckhart Tolle e Louise Hay. Gizele Toledo escreve contos, poesias, artigos e é autora do blog www.gizeletoledo.blogspot.com, intitulado Mania de Ser Feliz. Atuou como apresentadora de TV, repórter, produtora, roteirista, mestre de cerimônia, assessora de comunicação social. Em sua trajetória, frequentou escolas de jazz, ballet, sapateado, canto coral, teatro, redação, entrevista, interpretação para TV, modelo, manequim, empreendedorismo, inglês, francês, espanhol, alemão e Língua Brasileira de Sinais. Gizele Toledo é colunista da Folha do Rio de Janeiro, produzindo textos e vídeos que trabalham a autoestima, elevam o ânimo e motivam, com dicas para uma vida mais satisfatória e feliz. Acompanhe o trabalho da autora aqui e também no blog www.gizeletoledo.blogspot.com, no Instagram @gizeletoledo, no canal “Gizele Toledo” do YouTube e curta a página no Facebook www.facebook.com/gizeletoledo2.

 

 

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