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Ser sensível não é fraqueza

Por Bruna Tschaffon

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As pessoas tendem a achar que a sensibilidade, no mundo tão competitivo e individualista em que vivemos, é uma fraqueza que deve ser camuflada, varrida para debaixo do tapete e posta de lado sempre que ameaçar vir à tona. Sabe como é, não é recomendável deixar que pensem que você é feito de açúcar. Você tem que se proteger. Usar uma máscara de confiança intimidante, projetar uma imagem inabalável de impermeabilidade emocional. É para o seu próprio bem, na teoria.

Tive problemas com tal lógica desde a infância. Havia uma novela famosa à época sobre meninas órfãs que me impressionara. Em razão dela, passei a minha alfabetização a chorar, com medo de que meus pais me abandonassem assim que me deixassem no colégio. Imagino a paciência das minhas professoras.

Com o tempo, fui fazendo o que eles – o temível coletivo onisciente – me disseram: tentei não demonstrar o quanto alguns acontecimentos me afetavam e vestir uma expressão blasé distanciada dos meus verdadeiros sentimentos.

Digamos que não fui tão bem sucedida. Disfarçar minha sensibilidade era rejeitar parte da minha natureza. Não parecia certo ou confortável ou apropriado. Era uma espécie de atuação que me deixava insatisfeita com a contradição entre o que eu sentia e como eu agia. Algo que deveria me blindar de mais sofrimento fez com que parasse de me aceitar.

Mas o que não é tão óbvio e que aprendi ao logo dos anos é que as pessoas abertamente sensíveis são muito corajosas. Elas se permitem vivenciar a dor do outro, entram em contato com suas próprias emoções e enxergam a realidade com olhos lavados pelas próprias lágrimas.

Pessoas sensíveis brindam o planeta com música e literatura e desenhos e toda espécie de arte.  Desafiam o estereótipo de que ser durão e andar por aí com a cara amarrada é proveitoso; exibem suas facetas sem temer a vulnerabilidade. Pessoas abertamente sensíveis são julgadas por sua inadequação, cientes de que o que é visto como revés é, em termos simples, uma preciosidade.

Se ainda não assumiu sua sensibilidade, vou lhe contar um segredinho. Você tem uma pérola em mãos e querem que assuma o papel de ostra. E eu pergunto: para que aceitar essa proposta?

A humanidade precisa desesperadamente de pessoas que se importem e não tenham receio de demonstrar.  De gente que se disponha a hastear a bandeira da compaixão para almas entorpecidas. Seja autêntico. Emocione-se e deixe que pensem o que quiserem pensar.

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e seu primeiro romance, “Lítio”, será lançado pela Editora Giostri. Lançou o e-book de poesias “Meu coração é uma fábrica de arritmias sentimentais”, à venda na Amazon e na Livraria da Folha. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia e no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora).

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