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Lições de um dos mais longos estudos sobre vida adulta, satisfação e felicidade

Por Gizele Toledo

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Foto: Pixabay

O Estudo do Desenvolvimento Adulto, produzido em Harvard, talvez seja a pesquisa mais longa já realizada sobre a fase adulta dos indivíduos. Ao longo de 75 anos, a vida de 724 voluntários tem sido investigada, ano após ano. Um dos achados da pesquisa é o sentido da felicidade para as pessoas. O estudo concluiu que o que mantém as pessoas mais felizes e saudáveis são as boas relações humanas estabelecidas.

Segundo Robert Waldinger, atual diretor do estudo, alguns entrevistados começaram a participar da pesquisa na infância, outros na juventude. Hoje 60% deles ainda estão vivos e continuam participando dos questionários. No começo, a maioria deles respondeu que seu maior objetivo na vida era enriquecer ou conquistar fama. Entretanto, ao acompanhá-los de perto por todos esses anos até a velhice, o que se conclui é que o que realmente importou foram as conexões criadas com as pessoas com quem se relacionaram.

O estudo concluiu que as relações sociais são essenciais para nós e que a solidão é tão danosa que pode até matar. Talvez já soubéssemos disso intuitivamente, mas estamos falando do resultado de um estudo criterioso que está comprovando a nossa tese coletiva. Segundo as pesquisas realizadas, as pessoas que são mais conectadas com a família, com os amigos e com a comunidade são mais felizes, mais saudáveis e vivem mais tempo.

Não se trata de ter um número grande de amigos ou um duradouro relacionamento amoroso, explica Robert Waldinger, mas o grau de satisfação na vida diz respeito à qualidade das relações. Quão conectado com as pessoas mais próximas você se sente? Essa seria a questão.

A exemplo do que acontece no filme O Preço do Amanhã, pergunto: e se lhe entregassem um relógio com contagem regressiva para seu último dia de vida? Pode ser que seu relógio tenha milhares de horas, mas pode ser também que tenha apenas algumas dezenas ou unidades. Mas o fato é que todos os cronômetros em algum momento apontarão para nada mais que alguns minutos restantes. O que você faria quando lhe restasse muito pouco tempo? Quais seriam as suas prioridades?

O relógio já está contando e está no seu pulso agora mesmo. No meu também, no de todos nós. E o que de melhor queremos fazer das nossas vidas? Algo que faça realmente sentido, considerando a finitude da existência. É mais prudente que cuidemos agora do que faz nosso coração vibrar de alegria e satisfação, pois não nos entregaram de fato o contador de tempo e não nos revelaram quantos momentos ainda temos pela frente.

Podemos nos inspirar no resultado dessa pesquisa para rediscutir aquilo que intuitivamente já sabíamos: enquanto o mundo lá fora tenta nos cobrar realizações materiais e nos impor como parâmetro de sucesso a ascensão profissional, o poder de consumo e o status social, há um sentimento dentro de nós que parece nos dizer baixinho que os valores estão todos trocados.

Enquanto investimos nosso tempo tentando obter esse sucesso superficial e aparente, muitas vezes estamos abrindo mão de valiosos momentos em família e entre amigos. Ao final, quando for tarde demais, descobriremos que deveríamos ter nos apoiado nas relações humanas em vez de lutar por tanto reconhecimento de pessoas que nos são estranhas?

É momento de escolher a que dedicar o nosso tempo e energia. Se pudermos compreender que a vida é rara, escassa e breve, que, mesmo que vivamos mais de 100 anos, ainda assim, tudo será passageiro, talvez possamos dar mais valor aos mais singelos momentos ao lado de quem nos é caro.

Não deixemos para amanhã o reconhecimento do que realmente importa na vida… Reconheçamos que para sermos felizes precisamos não muito mais do que uns dos outros. Trabalhemos então na qualidade das nossas conexões. Que nos aprofundemos nas relações, que olhemos nos olhos, que possamos dar abraços cheios de sentimento, que conversemos e nos importemos em realmente saber ouvir o que o outro fala.

Clique aqui e assista à palestra de Robert Waldinger, que atualmente conduz o “Estudo do Desenvolvimento Adulto”, e saiba um pouco mais acerca desse trabalho que investiga o que torna a vida feliz.

Clique aqui para assistir também a uma palestra com Ric Elias, um homem que estava no avião que caiu no rio Hudson, em Nova Iorque, em 2009, e aborda questões como revisão de valores e prioridades na vida.

 

Gizele ToledoGizele Toledo é jornalista formada pela PUC-Rio, especialista em Jornalismo Cultural, pela Uerj, e em Docência do Ensino Superior, pela Ucam.  Apaixonada pela vida, atualmente mergulha nas descobertas a respeito da felicidade, inspirando-se nos conhecimentos de escritores como Eckhart Tolle e Louise Hay. Gizele Toledo escreve contos, poesias, artigos e é autora do blog www.gizeletoledo.blogspot.com, intitulado Mania de Ser Feliz. Atuou como apresentadora de TV, repórter, produtora, roteirista, mestre de cerimônia, assessora de comunicação social. Em sua trajetória, frequentou escolas de jazz, ballet, sapateado, canto coral, teatro, redação, entrevista, interpretação para TV, modelo, manequim, empreendedorismo, inglês, francês, espanhol, alemão e Língua Brasileira de Sinais. Gizele Toledo é colunista da Folha do Rio de Janeiro, produzindo textos e vídeos que trabalham a autoestima, elevam o ânimo e motivam, com dicas para uma vida mais satisfatória e feliz. Acompanhe o trabalho da autora aqui e também no blog www.gizeletoledo.blogspot.com, no Instagram @gizeletoledo, no canal “Gizele Toledo” do YouTube e curta a página no Facebook www.facebook.com/gizeletoledo2.

 

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