Conquista Editora – Topo

Afinal quem é dono do Plano Real e qual o ônus e bônus?

Por Robson Profeta

moeda-real

 

Alguns dizem que o Plano Real foi criação de FHC, outros defendem a hipótese de ter sido de autoria de Itamar Franco. Então, que tal fazermos uma viagem ao passado e entendermos um pouco mais o que foi o plano, seus criadores, seus benefícios e malefícios? Tudo isso com isenção partidária, afim de não poluir a história real, ou ao menos, a história que entendo eu, ser a “Real”.

Em março de 1990, o então Presidente Fernando Collor de Mello e sua Ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, bloquearam da população brasileira os depósitos das contas correntes e das cadernetas de poupança por 18 meses, deixando apenas um pequeno saldo disponível. Recordo-me que este dinheiro não era suficiente para comprar um fusca velho.

Este confisco tinha como ideia macro, a redução drástica do consumo por parte da população, obviamente forçando a queda dos preços, afinal, se não tivéssemos dinheiro não compraríamos, e se não comprássemos, o mercado era obrigado a reduzir os preços, até achar o preço de equilíbrio, ou seja, inverter a inflação de demanda. A famosa Lei da oferta e procura.

Obviamente que este confisco trouxe um impacto negativo na popularidade do então Presidente Collor, que, após diversas denúncias de corrupção, culminou em seu pedido de impeachment e sua respectiva renúncia em dezembro de 1992. Dai então assume a Presidência da República o então Vice-presidente, Itamar Franco.

QUEM FOI O DONO DO PLANO REAL? Economistas, políticos, acadêmicos e intelectuais já vinham se reunindo, mesmo antes da entrada de Itamar Franco, não apenas para estudar o confisco, mas para desenhar como seria o Plano Real. É óbvio que as mentes que desenharam o Plano Real também tomaram como base, experiências fracassadas do passado como o Cruzeiro, Cruzeiro Novo, Cruzado, Cruzado Novo, Cruzeiro, Cruzeiro Real, URV e por fim o Real, que em 01 de Julho de 1994 converteria cada 2.750 URVs em R$1.00.

 E ONDE ESTAVA FHC NESTE PERÍODO? FHC durante 1992 e início de 1993 era o então Ministro das Relações Exteriores (o que talvez explique seu talento como estadista) e, apenas no segundo trimestre de 1993 foi nomeado Ministro da Fazenda por Itamar Franco. Entretanto FHC não concluiu seu Ministério, pois, ao término do primeiro trimestre de 1994, antes da virada da URV para o Real em Julho de 1994, deixou o posto para se candidatar à Presidência da República.

 Itamar então convidaria para assumir o posto de Ministro da Fazenda, Rubens Ricupero, sendo este responsável pela condução do Plano Real até Setembro de 1994, quando pediu demissão em função do episódio da “Parabólica” com o então Jornalista Carlos Monforte da TV Globo.

 Assumindo a premissa que de não tem existem desvios relevantes nesta história, é impossível citar que Fulano ou Beltrano seja o dono ou mesmo grande coordenador do Plano Real. Foram várias pessoas envolvidas no processo.

 E O QUE FOI O PLANO REAL? O Governo entendia que precisava atacar as seguintes frentes para que o Plano Real fosse bem sucedido, a saber:

 Equilíbrio Fiscal: Cortar as despesas públicas e aumentar as receitas com acréscimo de tributos, gerando superávit primário.

Privatizações: O Governo alegava que era preciso privatizar bancos estatais, siderúrgicas como a Vale do Rio Doce etc., para reduzir custos e obrigações públicas, Alegava ainda que privatização trazia modernidade para as empresas e crescimento para a nação. Esta frente do Governo recebeu e ainda recebe duras críticas pelo valor irrelevante que as empresas foram negociadas bem como levantamento de dúvidas quanto a legitimidade destas operações.

Abertura do mercado nacional: a abertura do mercado para produtos importados fez com que empresas nacionais se vissem obrigadas a reduzir seus preços para conseguir competir com os importados baratos, puxando os preços para baixo. Veja que interessante: Se o mercado internacional invade o mercado nacional, os preços locais acabam se ajustando aos preços dos importados, ou seja, de certa forma, era uma manobra para indexar a economia ao dólar. Como o próprio FMI afirmava que dolarizar economia era atitude de países economicamente irresponsáveis, não soava bem para o Governo brasileiro dolarizar a economia de forma escancarada. E como deixar o Real colado ao Dólar Americano?

 Política monetária de juros: Para que o real tivesse valor próximo ao dólar e fosse uma moeda forte, era preciso que a moeda estivesse “colada” a moeda americana, ou seja, era preciso deixar o dólar barato. E como deixar o dólar barato? Enchendo o mercado de dólar (Lei da oferta e procura novamente). E como fazer isto? Aumentando a taxa de juro e tornando o mercado brasileiro atrativo aos investidores estrangeiros. E lógico, além disso, as altas taxas de juros inibem a produção e o consumo, deixam o dinheiro mais caro, desacelerando a economia e consecutivamente o consumo, puxando os preços para baixo, reduzindo a inflação.

Mas é claro que esta ação deveria ser temporária, apenas para estabilizar a moeda, caso contrario seria um tiro no pé a longo prazo, pois as despesas de juros e amortização da dívida, aumentaria bruscamente, impactando no desequilíbrio fiscal.

 Como muito bem dito por Ciro Gomes, o Plano Real não era um plano econômico completo, e sim um passo inicial com objetivo de criar uma moeda estável, uma inflação controlada e a chance de podermos nos planejar. Muitos também acreditam que a abertura do mercado nacional foi salutar, pois forçou as empresas locais a se modernizarem, a melhorar a qualidade de nossos produtos. Afinal quem não se recorda da famosa frase de Fernando Collor de Mello, que dizia que nossos carros se pareciam com carroças? Convenhamos, não era mentira.

 Na contramão dos benefícios, o Plano Real como já citado, trouxe um aumento monstruoso da dívida interna através da elevação das taxas de juros para colocar dólares no mercado e conter a inflação.

Fato é que o Governo (seja ele qual for) um dia terá que pagar esta dívida, e não existe outra forma de pagar a conta se não for progredindo, ou cobrando mais impostos e cortando gastos.

É claro que a dívida interna brasileira não é apenas legado do PSDB. Quando o Governo do PT se intitulou responsável pela quitação da dívida externa brasileira, por exemplo, não explicou para a população como isto foi feito. O governo do PT apenas trocou os bolsos liquidando a dívida externa e aumentando a dívida interna. Como sempre existiu uma percepção muito negativa da população brasileira em relação à dívida externa, não existiria notícia mais populista para o Governo do PT do que a quitação da dívida externa. O Governo apenas não explicou para a população como fez isso, e foi mais ou menos assim:

– O Governo deve 100 para o “Fulano Externo”. Paga os 100 pedindo emprestado para o “Beltrano Interno” e fica então devendo para o “Beltrano Interno”, só que ao invés de pagar 104 para “Fulano Externo” no final do ano, é obrigado a pagar 110 para “Beltrano Interno”.

 A verdade é que o Plano Real não foi obra de uma única mente brilhante. Foi fruto de diversos erros e alguns poucos acertos, teve seus aspectos positivos e negativos. Foi um plano que se desenvolveu ao longo da nossa história.

 O que extraímos deste texto? A certeza de que nossos governantes precisam ter em suas veias o interesse na prestação de serviços à sociedade; precisam se envergonhar em ver a posição do Brasil como um dos últimos colocados no ranking da educação, mesmo que seus filhos estudem em Harvard. Precisam investir maciçamente em infraestrutura, atraindo investidores, não apenas investidores que lucram com nossos altos juros e retornam aos seus países de origem, mas com investidores que queiram fincar suas bandeiras em um país com capacidade produtiva, digno, justo, ético, seguro que valha a pena apostar. Estes mesmos governantes conectar estados com meio de transporte com logística barata; precisam estimular os meios de comunicação, principalmente as televisões abertas que utilizem seus espaços para levar conhecimento, educação e conscientização para a população e acredite, esses meios de comunicação possuem um poder absurdo (para o bem e para o mal).

 Desta forma nossos filhos, netos e bisnetos poderão finalmente viver em um país que assumiu como sua maior missão “ORDEM E PROGRESSO”!

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *