Salto Fino 1

Como definir o tempo?

Por Simone Rabello

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Ousamos medir o tempo mesmo antes de compreender o que ele de fato é. Ousamos usá-lo e desperdiçá-lo como se nossa medida para o encontro fosse única e incontestável. Medimos segundos, minutos, horas, dias, noites, semanas, meses e anos. Ousamos considerar algo velho ou novo por classificar e acomodar outras tantas coisas em cima de uma linha onde o tempo pode ser olhado através da memória e através das expectativas. Ousamos, ousamos e ousamos, mas nunca paramos para conversar com o tempo, este senhor que mede nossa existência do dia em que abrimos os olhos nesse planeta ao dia em que fechamos. Ousamos chorar quando o tempo de alguém acaba e ousamos chorar quando o tempo de alguém começa.

Ousamos mais ainda quando esticamos a “corda” desse “senhor”, sobre o que nada sabemos muito bem, e desconcertados não entendemos quando foi que envelhecemos, quando nossos filhos ficaram tão grandes, quando nossos amigos ficaram tão distantes, quando deixamos de prestar atenção ao que realmente nos importa. Criamos agendas, planejamentos e deitamos sobre nossos desejos e mesmo assim nada nos faz compreender melhor o tempo que o amor. Sim o amor, porque ele desafia a linearidade da nossa modesta compreensão sobre esse tempo que organiza nosso pensamento, classifica nossa existência e se faz remédio para muitas de nossas dores. O amor não se incomoda com nenhuma das manifestações do senhor tempo, ele transcende a compreensão do relógio, do calendário e se acomoda em nossas vidas quando bem entende, sendo sempre bem vindo. O tempo não mata o amor, mas é transformado por ele.

Muitas vezes o tempo é uma lente que aumenta ou diminui o que experimentamos, vemos e tocamos. O tempo às vezes demora, às vezes não. Às vezes nos atordoa e às vezes nos acalma. Ainda não sabemos se ele passa por nós ou se somos nós quem desfilamos sobre ele. Você já parou para se perguntar o que sabe sobre o seu tempo? Já parou para reparar como o tempo para quando certas coisas acontecem e como acelera quando são outras? Já perdeu alguém que ama profundamente? Já viu como o tempo que designa o ontem se desfaz numa memória e vira hoje dentro de você, acelerando seu coração e te fazendo suar frio nas mãos?

Diante do espelho como você ousa definir o tempo? Como ousa vive-lo? Ele é seu ou você é dele? Quem você ganhou com o tempo, quem perdeu? Como você se reconhece? Você ousa medir o seu tempo pelos anos, meses, dias e semanas, ou mede o seu tempo de outra forma? Você programa, joga fora, perde, ganha?

Jamais conheci alguém que tenha vivido mal amando. Jamais conheci alguém que amando tenha percebido o tempo se esvair diante de si mesmo e possua arrependimentos. Jamais conheci quem tenha organizado seu tempo incluindo e dando espaço aos que ama e que tenha se arrependido disso. Mas de fato, conheço muita gente que não se organiza, gente que se organiza mal, gente que não ama, gente que se desperdiça no consumo de sentimentos tóxicos. Esses sempre, sempre reclamam do tempo, tempo que não basta, que não existe, que não serve, que falta. E você? O tempo é um espaço em branco que construímos com o que somos e com o que escolhemos viver. Todos temos um espaço em branco a cada instante onde podemos “escrever” tudo o que desejarmos, inclusive nossos próprios desejos. A tinta que escreve o nosso tempo está dentro dos nossos corações. Um coração limpo escreve melhor a cada dia.

One thought on “Como definir o tempo?

  1. Jacqueline Hauser

    Realmente… somo nos que definimos como usar o tempo! Ele passa por nós… você se agarra a ele… ou deixa ele ir!
    Faz do seu tempo sua história!!! Ou um vazio que já era! Não tem mais como preencher!

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