Ana Alarcon – Topo

No Coração do Mar

Por Daniel Romano

O filme, pra quem não sabe, é inspirado no livro da história de Moby Dick, aquela baleia branca assassina que todo mundo já conhece. Herman Melville é um escritor em crise profissional. Ele precisa emplacar um sucesso de vendas, e não somente por questão financeira, mas principalmente pra se autoafirmar como autor. Thomas Nickerson, por sua vez, é um amargurado ex-caçador de baleias e o único tripulante ainda vivo da expedição do navio Essex (feita há mais de trinta anos). Um tem algo do que o outro precisa. Um homem com história de vida interessantíssima pra ser contada e outro querendo contar.

A trama faz os estômagos mais “treinados” embrulharem, mostrando com precisão como se tira o óleo de uma baleia. Vale esclarecer que os baleeiros precisam voltar pra casa com centenas de barris desse óleo para serem bem vistos como profissionais do mar. Como já se imagina, a baleia branca deixa os homens à deriva. Eles vivem em condições desumanas, tendo menos do que o mínimo pra sobreviver. E é aí que a história ganha mais intensidade. Se os homens não têm o que comer e algum tripulante morre, adivinhem o que será feito? Enfim, também preciso falar da experiência em 3D, que não faz muita diferença. O visual é bonito, mas não melhora e nem fica mais interessante em terceira dimensão. Aquele foco em alto-relevo que salta aos nossos olhos com a tecnologia 3D não se destaca tanto.

“No Coração do Mar” traz um roteiro com realidade, mas não muito diferente do que já vimos. O ponto acertado é o passado e o presente sendo apresentados com igualdade. O público consegue acompanhar uma fase sem esquecer a outra. Os personagens estão presentes com a mesma importância nas duas etapas da trama. Não há muita originalidade no filme, parece que estamos assistindo a mistura de várias obras. Mas temos uma breve reflexão sobre o homem contra a natureza, trazendo um gancho importante pra ser discutido. A primeira cena da baleia caçada, com o último esguicho misturando água e sangue, é um dos pontos altos da história. Apesar de não haver grandes surpresas, ou aquela sensação de ser algo repetido, eu gostei. A tristeza do naufrágio emociona e silencia o espectador. Depois de uma experiência dessa, eu não entraria no mar nem pra tomar banho.

 

 

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