Salto Fino 1

PT votará contra Cunha no Conselho de Ética

Por Edir Lima

A bancada do PT decidiu, nessa quarta-feira (2), que os três integrantes do partido no Conselho de Ética – Zé Geraldo (PT-PA), Leo de Brito (PT-AC), e Valmir Prascidelli (PT-SP) – votarão a favor da continuidade do processo que investiga o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O voto do PT é considerado decisivo para que as investigações continuem, já que o placar no Conselho de Ética está apertado.

Os deputados do PT vinham reclamando da pressão que sofriam do Governo para apoiar Cunha e evitar, com isso, que o peemedebista abrisse processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ao mesmo tempo, a direção do partido e mais da metade da bancada exigiam a continuidade das investigações. Os parlamentares temiam ser alvo de chantagem, além do desgaste político, ao apoiar o presidente da Câmara. O grupo avaliava ainda o fato de que o governo quer aprovar a redução da meta fiscal em sessão do Congresso. Entrar em confronto com Cunha poderia prejudicar o interesse do governo na votação.

“A posição de bancada é pela admissibilidade. Isso será comunicado ao governo. E o governo começa a se virar para aprovar a redução da meta fiscal. O partido tomou essa decisão. Nós agora vamos seguir a decisão da bancada do partido. Já era uma tendência nossa. Só que agora a bancada assume uma responsabilidade”, disse o deputado Zé Geraldo.

Para evitar o desgaste de votar a favor ou contra o parecer que recomenda a continuidade das investigações, o três petistas do Conselho de Ética exigiram uma posição da bancada do partido.

“Nós três vamos votar expressando a decisão da bancada do PT. Ontem à noite nos reunimos e cobramos uma posição do partido, uma posição do governo, no sentido de mobilizar sua base para votar projetos importantes para o Brasil. Cobramos uma posição unificada para tomarmos essa decisão”, disse Zé Geraldo.

Cunha adia há meses a decisão sobre os pedidos de afastamento de Dilma, para ter margem de negociação e tentar evitar a cassação do próprio mandato.O peemedebista é acusado de mentir à CPI da Petrobras quando disse, em março, que não possui contas bancárias no exterior. Documentos do Ministério Público da Suíça revelaram, porém, a existência de contas relacionadas a Cunha. O presidente da Câmara diz ser “usufrutuário” de ativos mantidos na Suíça e administrados por trustes.

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