Hinode – 1

Estudo diz que Rio Doce ressucitará em cinco meses

Por Edir Lima

Um alento. Mais do que isso, uma esperança para o Rio Doce, considerado por ambientalistas como “morto”, depois que recebeu mais de 25 mil piscinas olímpicas de lama proveniente do rompimento da barragem da mineradora Samarco, em Mariana (MG). O professor de Engenharia Costeira da Coppe/UFRJ, Paulo Rosman, autor de um estudo encomendado pelo Ministério do Meio Ambiente para avaliar os impactos e a extensão da chegada da lama ao mar, ocorrida no último domingo (22) e que afeta a costa do Espírito Santo, afirmou nessa sexta-feira (27) que o rio “vai ressucitar” em até cinco meses, no final da época de chuvas, em abril do próximo ano.

Contrariando as previsões dos especialistas, que registram danos catastróficos, que incluiriam danos à reserva marinha de Abrolhos, no sul da Bahia, e um espalhamento da lama por até 10 mil m², Rosman afirma que os efeitos no mar serão “desprezíveis”, que o material se espalhará por no máximo 9 km e que em poucos dias a coloração barrenta deve se dissipar.

Segundo o engenheiro, há três diferentes cenários de gravidade do desastre e de velocidade de recuperação. No alto, onde a barragem se rompeu, próximo ao distrito de Bento Rodrigues, deve durar mais de um ano e dependerá de operações de limpeza dos escombros e de um programa de reflorestamento.

“A sociedade e os governos mineiro e federal precisam cobrar de Vale e BHP Hillington, donas da Samarco, o processo de reflorestamento e reconstrução ambiental, de custo insignificante para as empresas”, analisa.

Ele acrescenta que, na maior parte do percurso do rio Doce, as próprias chuvas devem limpar os estragos e os peixes devem voltar ao rio no período de cinco meses, e, no mar, a diluição dos sedimentos deve ocorrer de forma mais rápida, segundo ele, até janeiro do próximo ano.

Paulo Rosman considera “inaceitável” que o governo permita que as pessoas voltem a morar nas regiões afetadas e que seria “criminoso” não retirar os outros povoados que se encontram nas linhas de avalanche de outras barragens.

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