Uninter – 1

Sobre a dor e o amor

Por Lívia Nakaguma

Em tempos de horror produzido por gente que não é humana, por radicalismos e desesperos, por religiões de morte e orações de medo, talvez a solução seja se lembrar do amor.

Mas não do amor dos ciúmes, nem da posse, nem do materialismo, nem do peso, nem da prisão, nem da alienação. E, sim, no amor puro. Naquele que vê o outro como igual, que vê beleza no trivial, que faz um cotidiano cordial.

Sim, o amor pode despertar sentimentos negativos, aquilo que nos afeta, nos tira do eixo, muitas vezes permite que essa negatividade e violência intrínsecas a nossa existência sejam liberadas. Porém, agora é hora de relembrar o que os afetos podem produzir para a humanidade em ambos os sentidos da palavra.

Enquanto o terror se dissemina nas redes sociais e meios de comunicação, a bondade e o carinho parecem ser escondidos, mas trabalham, existem e insistem. Famílias insistem em se formar, bebês nascem, animais são salvos, flores florescem.

Que fronteiras que não a de nós mesmos é preciso dissipar para amar? Que violência pra além dos abraços fortes e gargalhadas altas que nos invadem? Que palavras além das preces, religiosas ou não?

Amar é um ato de coragem, este clichê não o é por acaso. Amar mesmo é estar em paz consigo mesmo e com o próximo. Qualquer outro afeto que o acompanhe vem inundado de questões, da nossa historia, dos nossos traumas, das nossas disputas.

Curiosamente, a dor parece despertar mais compaixão que o amor. Na atualidade, o gosto pela carnificina, as visões de morte e a insistência na divulgação de imagens chocante se mantêm. No entanto, em meio a toda essa confusão e sofrimento, uma faísca de bondade insiste. Nos resta alimentá-la e fazer com que ela ganhe.

 

“You may say I´m a dreamer, but I´m not the only one”

 

Foto: Sergio Moraes/Reuters/Divulgação

Foto: Sergio Moraes/Reuters/Divulgação

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