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Case-se com a vida: diga sim para você

Por Simone Rabello

Case-se com a vida: diga sim para você

Case-se com a vida: diga sim para você

O quanto podemos dizer que estamos casados com nossa própria vida? Tenho ouvido muitas músicas românticas, cada uma mais bonita do que a outra. Promessas de amor eterno, de felicidade, de mundos e horizontes, pedidos de perdão, crescimento, lembranças de sorrisos, abraços, noites e dias de amor. Praias, montanhas, casas em memórias de um tempo que se dobra sobre si mesmo e torna passado e desejos de futuro, vivências dentro de um presente que se constrói com toda a força e dedicação de quem se dá integralmente.

Vivemos felizes assim, com o coração aos pulos onde um simples café da manhã, a mais trivial das experiências de quem amanhece, se torna um momento mágico onde as cores e sabores se misturam dentro da gente como se nenhum outro tempo tivesse acontecido até ali. Os apaixonados conseguem por instantes, cravar na linha do tempo barreiras que impedem o passado de entrar e o futuro de chegar. Apaixonados param o tempo, apenas abrindo o coração e vivem o presente como jamais viveram, conseguem colocar dentro de si tantas cores, luzes, sabores, texturas e calores que a memória do que realmente foi, brota no corpo em qualquer momento com a mesma força do momento original, e assim o tempo ganha uma dimensão diferente, dobrando sobre si mesmo.

Sem máquinas poderosas ou objetos de magia, apenas fechando os olhos e deixando o coração guiar os pensamentos, o apaixonado experimenta viajar no tempo. São essas pequenas viagens que permitem ao coração e a alma humana transcender sua mortalidade. Há os que dizem que o mundo é dos apaixonados, porque as distâncias somem e não há mais lugar impossível de se chegar.

Sabemos dos amores que mudam o mundo, a história e a vida de cada um. Só há uma única condição pra se conseguir dobrar o tempo em algum momento, é  ter vivido em sua plenitude, com sua presença incondicional, o momento que se pretende revisitar. Apaixonados que vivem seus amores, abandonam a solidão, deixam de ser um para ser dois, sem fusão, porque ninguém se abandona. São duas almas a caminhar juntas, e lado a lado criam horizontes que se tocam e as tais paralelas que nunca se juntam, põe-se uma sobre a outra, onde as cores se misturam, as dores, os sabores, os cheiros, os propósitos. Um espaço onde o egoísmo vai embora e vê-se o outro às vezes mais que a si mesmo. Aprendemos a enxergar, mesmo que às vezes seja confuso, onde terminamos e onde começa o outro.

Ficamos felizes porque estamos, porque não estamos, porque fizemos, porque não fizemos, ficamos felizes apenas porque sim. E finalmente entendemos que para viver algo assim é preciso experiência, é preciso ter se casado consigo mesmo, é preciso saber ouvir a canção de amor de você para você mesmo, e se emocionar com seu amor por você mesmo. Quando a gente se ama consegue atrair quem também nos ama. No caminho do amor, vamos aprendendo que podemos transpor o amor romântico para todos os outros tipos de amor que nosso coração experimenta, e aprendemos também a cortar o tempo como um apaixonado romântico faz, para viver com o seu par a integralidade do tempo.

O quanto dessa força que parece transfundida do outro, mas que vive em nós conseguimos acessar e usar para vivermos melhor sem precisarmos estar intrinsecamente envolvidos num amor romântico? Será que conseguimos parar um pouco de olhar no smartphone quando estamos  com nossos queridos? Será que podemos exercitar o desfrute do momento presente sem fugir? Como? Já esteve apaixonado? Você consegue olhar para o seu smartphone quando o amor da sua vida está diante de você? Pense nisso, pense que para o seu par, para o seu filho, filha, mãe, pai você é o amor da vida deles, como você se sentiria se o amor de sua vida olhasse o celular de um em um minuto quando está com você?

Então imagine que seu filho, sua filha, seu amor, sua mãe, seu pai, seus amigos, merecem de você a sua integralidade e ponha-se integralmente a disposição desse tempo mágico que vive ao lado deles, não permita que o passado, a lateralidade das tecnologias ou a ansiedade do futuro invadam esse tempo. Dê-se a você mesmo. Experimente se pedir em casamento, quem sabe uma canção não te ajude (https://www.youtube.com/watch?v=4LJ0WetyoiQ ) ?  Case-se com você e permita-se viver o seu tempo com quem você quer estar, e simplesmente esteja!

 

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