Hinode – 1

Mariana e Paris, uma ação contra a indiferença: amor ao próximo

Por Simone Rabello

www.folharj.com.br - 164Numa semana em que a indiferença pelo outro e o oportunismo das verdades absolutas fez história e mostrou sua conta para a humanidade, o sentimento de impotência e revolta pelas injustiças presenciadas nos desperta o desejo de ter algum poder para amenizar o sofrimento do outro. A empatia ganha seu lugar e nos solidarizamos com as vítimas de dois eventos cujas opiniões e debates acalorados polarizam opiniões e levantam questões e sentimentos profundos. Mariana e Paris nos deixaram atônitos!

Perguntamos onde está a resposta do governo brasileiro ao maior desastre ambiental de sua história? Perguntamos o que as autoridades tem feito para minimizar o desastre de Minas e a destruição de um rio inteiro? Haverá recursos financeiros para sanar todo o dano? Os bens das empresas e de seus executivos já foram bloqueados? Onde estão os responsáveis? Perguntas sem resposta, imagens de horror e destruição. Se em um lado do atlântico a lama mata, do outro lado o sangue é derramado impiedosamente por grupos que possuem relações tão complexas com a história, a religiosidade e o desrespeito pela vida que mal os distinguimos como humanos. Alguns aceitam culpar religiosos, outros não, muitas discussões e conclusões, verdades? Tantas quanto o número de olhos possíveis a um ser humano. Recorremos à opinião de especialistas para tentar entender por que alguém é negligente e destrutivo por dinheiro? Por que alguém mata deliberadamente para impor uma visão, para vender armas, para justificar guerras onde milhares vão morrer e algumas dezenas vão lucrar? Paris e Mariana permanecem sem explicação, sentido ou solução.

E nós? Seguimos? Será que olhamos para os atos nossos de cada dia que impactam na vida dos nossos semelhantes? Roubamos a paciência do outro dirigindo mal, não prestando atenção às filas, não dando bom dia, interpretando gestos e atos de dor  como declarações de ofensa. Talvez devêssemos, diante desses desastres, ser reverentes à grandeza do outro! Não é preciso apoderar-se da dor do outro para lhe ser solidário! Por algum motivo, você que se revolta não foi diretamente atingido e pode agir em seu “universo”. Pense no que pode fazer para que tragédias como as de Minas e Paris não se repitam! Você já fez a sua parte hoje? Embalou o seu chiclete para jogar no lixo, pra que nenhum passarinho morra engasgado? Embalou o seu copo quebrado para que o lixeiro não corte as mãos? Jogou o seu óleo de cozinha num recipiente e o entregou a coleta seletiva? Questionou as empresas que lhe atendem se elas se importam em preservar o meio ambiente e quais as medidas que elas tomam? Pediu ao seu chefe religioso que não destile ódio contra as minorias e outros grupos que não o seu? Respeitou a escolha do outro de seguir um destino diferente do seu? Diminuiu o volume do seu som porque poderia incomodar o seu vizinho que gosta de ler ou que precisa dormir? Saiu da sua zona de conforto e abriu mão do seu pedaço de torta de morango para alimentar alguém com fome? Economizou água para que alguém tenha o que beber?

O amor ao próximo é algo que vai além da solidariedade diante das catástrofes! É também respeitar a grandiosidade da dor do próximo, transformando a sua própria vida num exemplo de leveza e amor, para que não nasçam os indiferentes que amam o lucro antes de todas as coisas, os radicais que prezam mais interpretações equivocadas de escrituras do que a vida. A pedra que se joga no lago cria ondas que chegam até a margem, jogue a sua pedra de amor, respeito e solidariedade no lago da vida, e sua grandiosidade chegará até as margens. Precisamos que cada pedra de amor seja jogada no lago, até que as águas tenham se movido tanto pra encontrar quem está de fora que não existam mais margens, marginais e excluídos. Até que tudo seja pertencimento, vamos ser solidários tanto quanto pudermos e suprir o tanto que conseguirmos, as ausências daqueles que em tese, tem por dever de ofício, combater, debelar, prevenir e remediar males que devastam a natureza, a sociedade, a alma humana e nossa capacidade de crer numa humanidade capaz de viver em paz e harmonia. Façamos nossa parte todos os dias, nos dedicando a sermos melhores e mais amorosos do que somos, em honra à vida e ao sofrimento dos que não mais podem fazer por si.

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