Cinemark – 2

REFLETIR: A arte de abraçar o bem estar

Por Simone Rabello

Foto: Pixabay

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Refletir é cada vez mais difícil num mundo onde o excesso de estímulos cria em nós demandas e necessidades, que são muitas vezes diários de fantasmas que jamais conhecemos. As coisas estão simplesmente nos invadindo. Sentimentos e pensamentos nos invadem sem que consigamos nos dar conta de que não são efetivamente nossos, não tendo nada a ver com as nossas dores e demandas pessoais reais. Tenho visto boas pessoas, inteligentes, capazes de vidas maravilhosas afogarem-se no lodo de sentimentos pejorativos e frios, perturbadores e claustrofóbicos. Nenhum deles está diretamente relacionado com sua vida e com as coisas que intrinsecamente a ela se relaciona!

Tenho observado pessoas ricas de conteúdo e com uma vida boa falando em morrer! O fim de todos os discursos é quase sempre a seguinte sentença “assim essa porcaria acaba!”. Pessoas com casa, comida, família, filhos saudáveis, netos saudáveis, cães, gatos, emprego, renda, dias e noites ricos pela frente. E tenho visto pessoas com amargor na alma clamando contra outras, que não as incomodam em nada, exceto pelo fato de viverem suas vidas. O mundo parece desequilibrado ainda que não esteja. Tanto um grupo quanto outro está tão contaminado com influências externas, e tão incapaz de refletir o que não lhes pertence, que se torna cativo de influências e forças que os invadiram e neles fizeram casa! Pessoas estão brigando por espaços que jamais seriam capazes de ocupar, espaços de que não precisam pra existir sendo felizes! Tenho visto pessoas cultas defendendo a existência de uma espécie de homem intrinsecamente corrompido e ruim, incapaz de ser mais do que um amontoado de átomos de carbono que luta por sobreviver e persistir através de suas proles no mundo. Vejo gente interessante com discursos lindamente construídos que nos colocam no mesmo patamar que os extintos dinossauros! Como se quiséssemos apenas comer, acasalar, selecionar os filhotes mais agressivos e dominantes e sair por aí dominando o mundo. Sem reflexão, sem inspiração, deixamos de lado outras experiências de vida positivas, experiências da nossa história, desconhecemos as vivências de superação diante dos desafios nossos de cada dia, permitimos que se tornem entediantes diante de uma suposta incapacidade de repeti-las! Criamos exclusões de valor para validar o sucesso de ser feliz de outras pessoas “ela é feliz porque tem um bom marido”, “ele é feliz porque é rico e bonito”, “ele ficou bom porque teve dinheiro pra se tratar” e muitas outras. Abandonamos histórias de superação em nosso próprio quintal, nossas mães e pais, aqueles que nos criaram a custa de resolver mais problemas e situações difíceis pra eles do que suportavam naquele momento, nossos avós que percorreram histórias inimagináveis, nossos amigos e seus pais e avós. Quando olhamos para essas histórias saímos da invasão e refletimos, percebemos que temos muito que agradecer, por eles não terem desistido e se atirado de um penhasco! Não estaríamos aqui, experimentando o doce sabor de se estar vivos e aprendendo, se qualquer um deles tivesse desistido de refletir… O mundo deles também era cheio de dores, mas eles olharam além!

Reflita! Nesse contexto refletir é selecionar o que te serve deixar de fora o que não serve ao seu bem-estar. Discuta com qualquer pensamento ou prova que deseje mostrar que você é infeliz ou incapaz de viver bem! Refute evidências, revire-as e experimente discutir com qualquer pensamento que lhe traga o desconforto da insuficiência de si mesmo diante do mundo. Mergulhar em dores não é se autoconhecer, é olhar apenas para um exíguo pedaço mal iluminado de sí mesmo e achar que está se vendo por inteiro. Deprimir-se é apoderar-se dessa visão acanhada, mal iluminada e distorcida, trancar-se numa caixa com ela, fazer dela seu mundo e esperar que sem “ar” e sem “luz” a vida vença o autoconfinamento da alma. Conhecer a si mesmo traz uma liberdade, que pode ser assustadora, especialmente para quem de fato apenas sobrevive de sombras e em pequenas caixas, mas é uma alternativa brilhante para quem deseja e se dispõe a  VIVER BEM e APRENDER SEMPRE.

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