Uninter – 1

Bonecos de plástica

Por Lívia Nakaguma

Foto: Pixabay

Foto: Pixabay

Somos inteiros a partir de uma imagem, sim, a nossa imagem de um corpo inteiro e integrado. Além daquilo que imaginamos chegar a ser e do que acreditamos que os outros veem em nós.

Atualmente, a afirmativa lacaniana de um sujeito que se constitui em imagem parece ter tomado uma proporção assustadoramente real. Dia a dia passam pelas ruas pessoas que não tem mais a mesma imagem.

Pensando logicamente, é obvio que nossa imagem muda com o passar dos anos e até mesmo dos dias. Mas o que chama atenção é a mudança brusca de, por exemplo, uma senhora para uma senhora esticada, com o bumbum estranhamente empinado, um nariz tão fino que faz parecer difícil de respirar e uma boca que, digamos, remete a um bico de pato. Ou, aquela cara que aparece com uma sobrancelha mais do que definida, e peitorais misteriosamente definidos. Fica sempre no ar uma pergunta: Será que com o nariz não se foi também parte importante daquela pessoa?

Certamente, segue com o nariz, a familiaridade do sujeito que se torna um estranho para o próprio espelho. A estranheza passa com o tempo. Passa com o tempo?

A busca pela aparência ideal atravessa a consciência sendo projetada em infindáveis mudanças físicas que, quase nunca, dizem de uma mudança psíquica. Verdadeiramente, o tempo só muda mesmo as aparências, deixando para traz, sem pena e sem amparo, o que aquela antiga imagem dizia daquele que a portava.

Estariam a humanidade e a individualidade sendo plastificadas?

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