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RJ recebe festival com novos rumos da dança contemporânea

Por Agência Brasil

Rio de Janeiro- Performance Poros, do Coletivo Em Silêncio realizada no Parque Lage é parte da 24ª edição do Festival Panorama, o maior evento de artes do corpo, dança e performance do Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro- Performance Poros, do Coletivo Em Silêncio realizada no Parque Lage é parte da 24ª edição do Festival Panorama, o maior evento de artes do corpo, dança e performance do Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Até o dia 15 de novembro, os novos caminhos da dança tomam conta de 12 espaços do Rio de Janeiro, espalhados pelo centro e pelas zonas sul, norte e oeste da cidade. É a 24ª edição do Festival Panorama, que desta vez traz em sua programação dez atrações nacionais e 11 estrangeiras, de oito países, que fazem do evento um dos mais importantes da América Latina nas chamadas artes do corpo.

Além dos espetáculos de dança e performance, o Panorama, maior evento de artes do corpo, dança e performance no Brasil e um dos mais importantes da América Latina, oferece ao público palestras, oficinas e outras atividades que ampliam o conhecimento sobre as diversas linguagens que se destacam na cena contemporânea mundial. Toda a programação tem preços de até R$ 30, ou entrada franca, como é o caso das apresentações nas praças e parques da cidade.

Sempre com uma proposta temática, o festival investiga nesta edição a relação da dança com o texto e com a passagem do tempo. “Reunimos na programação deste ano um conjunto de artistas e obras que nos colocam diante da potência do corpo como arena de resolução, ou pelo menos de conciliação dos muitos discursos conflitantes no mundo. E obras que nos obrigam a desacelerar e rever nossa relação com o tempo e com a paisagem”, explica sobre o tema a curadora Nayse López.

Desde a edição de 2010, o Panorama vem se abrindo para outras linguagens, sem deixar de lado seu foco nas artes cênicas. O evento foi aberto na tarde desta sexta-feira (30) com três apresentações, no Oi Futuro Flamengo, de Sensescapes, da sérvia Dalija Acin Thelander, uma proposta de experiência coreográfica, interativa e multissensorial para bebês entre 3 e 18 meses de idade e seus cuidadores.

Trata-se de uma instalação, formada por elementos visuais , táteis e sonoros, projetada para desafiar as concepções habituais de estética daqueles que ainda estão dando seus primeiros passos. As sessões de sexta-feira foram restritas aos participantes do programa educativo que o festival mantém desde 2008 para profissionais de várias áreas de atuação, mas hoje (1º)Sensescapes pode ser visto pelo público em geral, no mesmo Oi Futuro.

A programação ganha ritmo a partir deste fim de semana. Na Escola de Artes Visuais do Parque Lage, no bairro do Jardim Botânico, o Coletivo em Silêncio apresenta hoje a inédita Poros. O trabalho, iniciado em 2011 com a pesquisa e prática do grupo com presos no Rio de Janeiro, teve sua origem no tema Cárceres Corpóreos e seus desdobramentos políticos e estéticos.

Poros é um dos quatro novos espetáculos produzidos por coreógrafos cariocas que fazem sua estreia no Panorama 2015. “O festival é inscrito na cidade do Rio e dialoga constantemente com ela e suas transformações. O Panorama é mais que um festival, é construído como um percurso carioca, que cruza suas zonas e paisagens”, diz Nayse López.

Entre os destaques nacionais, estão dois espetáculos de uma das mais renomadas companhias brasileiras, o Grupo Cena 11 Cia. de Dança, de Florianópolis, com o tema Monotonia de Aproximação e Fuga para 7 corpos  e Colônia – mobilidade emergente de autonomia coletiva. Este último, que terá apresentações ao ar livre na Cinelândia, no Campo de Santana (centro) e no Parque Madureira, na zona norte, busca uma investigação sobre a mobilidade, feita com performers selecionados através de convocatória.

Uma das  atrações internacionais é HA!, criação da coreógrafa e performer marroquina Bouchra Ouizguen e sua companhia Cie. O, composta de cantoras de meia-idade – vocalistas de cabarés desprezadas pela sociedade marroquina.  O trabalho reúne canto, dança e rituais místicos e tem como inspiração a obra do poeta e místico persa Jalal ad-Din Rumi (1207-1273), que fundou a ordem dos Dervixes Rodopiantes.

A partir desta edição, a Sala Cecília Meireles, reaberta no início do ano após uma longa reforma, integra a programação do festival. Lá, no dia 6, às 19h, o alemão Raimund Hoghe apresenta o seu solo An Evening with Judy.  Hoghe, que durante dez anos trabalhou como dramaturgo para a célebre coreógrafa Pina Bausch (1940-2009), teve como ponto de partida para a obra a cantora e atriz americana Judy Garland (1922-1969) e o vasto repertório musical da estrela.

A agenda de workshops, residências, oficinas e debates começa neste domingo, quando a Escola de Artes Visuais do Parque Lage recebe duas mesas de debates mediadas pela crítica de dança e teórica Helena Katz. Haverá ainda atividades no Centro de Artes da Maré, no Circo Crescer e Viver, na Cidade Nova, no Centro, e na Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, entre outros espaços culturais. A programação completa de espetáculos e demais eventos está disponível no site do evento.

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