Leandro Cunha – Topo

O problema não é o amor. É você.

Por Bruna Tschaffon

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O problema não está no atraso do amor em bater a sua porta e arrebatá-lo num conto de fadas, rumo a uma vida perfeita. O amor não perdeu a hora, não demorou demais a se contemplar. O amor não se esqueceu de despertar. O problema é você acreditar que ele precisa chegar só porque você programou. Só porque você acha que todos ao seu redor já o encontraram. O problema é você forçá-lo, suplicando em cada esquina ao acaso, contentando-se com migalhas afetivas. O problema é você, tão cansado de esperar que se satisfaz com resquícios. Com lascívia, com paixão, com carência. O amor é paciente. Premia os sabem identificá-lo em um mar de ansiedade.

O problema não está neste amor que você culpa por causar suas feridas emocionais, por fragilizá-lo até que ficasse completamente vulnerável e rendido. Amor verdadeiro é remédio, nunca foi fonte sádica de dor. O problema é você acreditar que cada concessão é terminal, abrindo mão de qualquer aprendizado por medo de amadurecer. O problema é você achar que quem o ama é quem se regojiza com seu sofrimento para assumir o controle. Isso não é amor, é manipulação. O amor é bondoso.

O problema não está no que você chama de amor, embora não seja nada mais do que máscara a encobrir ciúmes, possessividade e vontade de apropriação. O problema é você ser inseguro e projetar essas paranoias num sentimento que nasceu para ser puro. O problema é você se comparar aos outros e achar que não merece ser amado por não ser tão bonito ou tão inteligente ou tão engraçado. Como se o amor verdadeiro fosse tão superficial. O problema é você querer construir castelos de areia que sobrevivam a ventanias. O amor não é invejoso. O amor sabe que é mais forte do que tudo.

O problema não está no amor que você chama de frágil após saber que os casais tão dedicados e perfeitos e exageradamente verbais nas redes sociais brigam e se desfazem no mundo real, entre quatro paredes. O problema é você achar que essas declarações explícitas significam amor ou sua solidez. O amor de verdade não é orgulhoso nem arrogante. Vira e mexe, pode até gritar em euforia, mas não precisa se auto afirmar a todo tempo para se manter.

O problema não está no amor que é assim denominado, mas que na realidade não passa de joguinho de poder e submissão. O amor não é queda de braço, não é cabo de guerra, não é luta. O problema é você achar que a glória reside em estar no controle. O problema é você querer ganhar. É você ler quinhentos artigos de revista ensinando modos de conquistar o seu alvo de afeição. De dominá-lo. Acertar em cheio. Fazer dele sua presa. Amor de verdade requer a extrema coragem, em tempos pós-modernos, de ser gentil. O amor não exige que se faça o que ele quer. 

O problema não está nesse pretensioso amor que acaba tão facilmente, ante os mínimos indícios de dificuldades no percurso. Desculpem-me os frágeis de coração, mas o real amor é resiliente, perseverante. Quem ama, ama na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, faça chuva ou faça sol. O problema é você achar que o amor só floresce em tempos de primavera. O problema é você cismar que, aquele a sair do barco quando a primeira nuvem mais carregada aparece no horizonte, é quem o ama. O amor nunca desiste, nunca perde a fé, tem sempre esperança e persevera em todas as circunstâncias.

O problema é você: culpando tanto o amor, mas que não está disposto a ter a humildade e a boa vontade de aprender a amar pra valer. Pare de impor limitações inexistentes, de criar regras e fórmulas, de recorrer à dissecação amorosa. Pare de encaixar o amor em gavetas, de rotulá-lo e tomá-lo em doses homeopáticas. Pare de reclamar do que há de mais nobre, do que vence a morte, do que nos é por esperança em um mundo de sombras. Comece a amar da forma que o amor merece e ele o libertará.

Não, não vai ser fácil, porém o amor sabe quem nele se esmera. E o melhor de tudo? A recompensa é diária.

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e seu primeiro romance, “Lítio”, será lançado ainda em 2015 pela Editora Giostri. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia e no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora).

 

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