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Por que vender o mando?

Por Pedro Bedran

foto026Venda de mando de jogos vem sendo adotada no Brasil. Mas o que parece a solução pode atrapalhar em campo.

 

Como já é sabido por todos, os times de futebol do Brasil, em sua maioria, vivem afundados em dívidas e crises financeiras. Para tentar cobrir um pouco esse buraco no orçamento, alguns clubes grandes aproveitam-se das novas arenas, que foram construídas para a Copa do Mundo de 2014, e vendem o seu mando de campo. Ou seja, em vez de o clube jogar em sua “casa” (seu estádio próprio ou o de seu próprio Estado), ele vai jogar em um outro Estado. Por um lado, dependendo de como o time está no campeonato, isso é muito bom. Por outro, o tiro pode sair pela culatra.

O caso mais recente disso é o Flamengo. O clube carioca vendeu o seu mando de campo na partida contra o Coritiba. Era para o Fla jogar no Maracanã, mas foi atuar no Mané Garrincha, em Brasília. Em termos financeiros, foi fantástico. Quase 70 mil pessoas foram ao jogo. O Flamengo é muito grande, tem a maior torcida do país, o que fez gerar um lucro de mais de 3 milhões de reais, dos quais o Rubro-Negro ficou com mais de um milhão e meio, já que a renda foi dividida com o grupo que é dono do estádio da capital brasileira.

Mas para o time foi bom? Não, foi péssimo. O Flamengo vinha de uma sequência de seis vitórias no Campeonato Brasileiro. Havia acabado de entrar no G4. Logo no início da partida, sofreu um gol de pênalti. E a torcida, que pagou caro pelo ingresso e queria espetáculo, não teve paciência para apoiar o time. Isso mesmo. Vaias, ao invés de apoio, em um jogo que parecia mais um espetáculo de teatro. É exatamente essa a parte ruim da venda do mando.

Por que tirar o Flamengo do Maracanã? O Flamengo é um time que sempre precisou da sua torcida organizada. Não tenho dúvidas de que isso fez muita falta em Brasília. O torcedor brasileiro “comum” é assim. Vai para assistir. Canta um pouco, mas fica em silêncio a maior parte do tempo. Somos diferentes, por exemplo, dos torcedores argentinos, uruguaios, chilenos. Nesses países, não apenas as organizadas cantam, apoiam, vibram o tempo inteiro. Lá é um coro constante. Em alguns estádios europeus, as torcidas organizadas fazem campanhas para que se tire o Wi-Fi do estádio, pois os torcedores ficam mais preocupados em tirar selfies do que em torcer e apoiar.

Portanto, os clubes devem pensar, e muito, antes de vender um mando. Não seria melhor arrecadar dinheiro através de ações de marketing, ativações de patrocinadores, planos de sócio-torcedor? Pensem, dirigentes, antes de tirarem seus clubes de suas casas, do calor e incentivo de suas organizadas, pois elas são sempre as esposas fiéis de seus times do coração.

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