Uninter – 1

Histéricas, graças a Deus!

Por Lívia Nakaguma

Foto do arquivo pessoal da autora

Foto do arquivo pessoal da autora

Acontece que os homens adoram nos chamar de histéricas. Bem, não só eles, nossas mães, irmãs… Bom, mas o que acontece é o que termo caiu na boca do povo de forma caricata, e nós ficamos conhecidas como escandalosas, dramáticas e carentes. Tudo bem que temos um pouquinho disso tudo, mas convenhamos que não somos personagem de novela, né?! Somos sim personagem de um filme de Almodôvar ou de uma música do Chico, que nos dão a devida beleza e significância!
Mas afinal o que é uma mulher? Sim, não tão longe da velha pergunta do doutor Freud. Ser uma mulher é ainda mais complicado que saber o que quer uma mulher. O que fazer com esse corpo que não tem falo pra exibir e se gabar? O que fazer com esse desejo de ser desejada? O que fazer com esse tal falo que a gente nunca teve mas que nos sobra quase o tempo todo? Porque no final das contas quem “bota o pau na mesa” somos nós, não é mesmo?
A histérica, agraciada por sua estrutura psíquica, sabe bem o que é desejar, sabe bem lidar com esse vazio que nos preenche, mesmo sem saber. Muitas vezes, é usando o corpo que ela elabora suas questões. É, minha gente, somatizando! E somatizar não é somar as coisas, não. É mostrar no corpo o que ficou mal resolvido. Sabe aquilo que se chama de estresse, drama? Então, conversão histérica.
Por mais que isso pareça ruim e às vezes chegue a ficar bem grave e sério, foi ele, o próprio doutor Freud, quem disse que a histeria é a estrutura mais bem resolvida entre as estruturas psíquicas. Então, quando chamada de histérica, não se sinta ofendida! Responda: graças a Deus! E ao doutor Freud!

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