FBIE – Topo

Evereste

Por Daniel Romano

everest

Foto: Reprodução / Internet

“Evereste” é baseado em fatos reais e se inspira em dois livros que tratam do mesmo assunto. A trama conta a história da fatalidade que vitimou oito montanhistas durante uma escalada ao topo do Monte Everest. O acontecimento foi considerado por muito tempo como a maior tragédia de “ataque” ao cume. O filme se passa na época de início de toda a questão comercial que envolvia a escalada do Everest como uma rota turística. Os grupos eram formados por um número grande de pessoas, e elas desembolsavam uma fortuna pra participar da atração.

A produção é muito bem elaborada e a fotografia do filme é linda. Podemos perceber em várias cenas uma visão completa de toda aquela imensidão congelada. O roteiro é bem trabalhado e não fica uma coisa monótona ou técnica demais. A gente se envolve com a vida dos personagens, nos colocamos no lugar da família deles. A personagem da Keira Knightley é essencial para o filme, é uma espécie de porto seguro, com café, travesseiros e cama macia.

Vou abrir uma brecha pra fazer uma colocação pessoal. Em muitas vezes eu me perguntava o motivo de alguém se interessar em participar de uma aventura maluca dessa. Um trajeto perigoso, que tem milhões de chances de dar errado, custa um dinheirão, precisa de um treinamento intensivo e tem o clima como vilão durante meses de jornada. Não sou um aventureiro desse naipe e gosto bastante do meu chuveiro quente. Nunca entendi muito bem essa gana toda de viver uma aventura que pudesse custar a própria vida. Por que escalar tudo aquilo, chegar ao cume, e descer tudo de novo? Na minha cabeça parecia bastante esquisita essa “programação de índio”.

Mas o filme te transporta pra realidade daquelas pessoas, porque eu não preciso gostar de aventuras perigosas pra entender a emoção de alguém que gosta. A cena da japonesa me emocionou bastante, e não quero contar mais do que isso pra não estragar a surpresa. “Evereste” não traz um bando de gente perdida em uma montanha congelada comendo carne humana. Esqueça isso. Todos ali sabem o que estão fazendo e não estão perdidos em lugar algum. Eles querem estar ali e querem enfrentar aquela situação. É uma escolha e não um acaso. É um dos melhores trabalhos em equipe que já pude ver. É um estilo de vida. Uma cumplicidade que dá orgulho de assistir. Eles querem quebrar barreiras. Querem vencer um recorde pessoal, que só está dentro da cabeça de cada um daqueles aventureiros. O filme é fantástico, é sufocante, é angustiante, é perfeito. Tecnicamente brilhante e com um elenco incrível. Um dos melhores filmes que vi esse ano.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *