Salto Fino 1

O discurso de Temer e a baixa popularidade de Dilma Rousseff

Por Conrado Pinto

Foto: Reprodução/Internet

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De acordo com a pesquisa realizada no último mês de agosto pelo Datafolha, Dilma Rousseff tem a menor popularidade entre presidentes da República desde a democratização. Os números de reprovação do governo chegaram a 71%, menor índice desde que a petista assumiu o Palácio do Planalto em 2011, com a taxa de aprovação ficando em míseros 8%, um ponto a menos que Fernando Collor, que, em 1992, às vésperas de ser afastado da Presidência da República, chegou a ter seu governo rejeitado por 68% da população.

Os números não surpreendem em meio à atual crise econômica. Com o maior número de desempregados desde 2010, as constantes denúncias de corrupção, o valor exorbitante do dólar e a inflação cada vez mais alta, motivos não faltam para esses níveis históricos de rejeição.

Mas o que mudou de lá para cá é que o pessimismo finalmente chegou à base aliada do governo. Na última quinta-feira, 03/09, Michel Temer (PMDB-SP) deu declarações sobre a situação que vive o governo e a presidente Dilma Rousseff.

Nas palavras do vice-presidente, “Hoje, realmente o índice é muito baixo. Ninguém vai resistir três anos e meio com esse índice baixo. Muitas vezes, se a economia começar a melhorar, se a classe política colaborar, o índice acaba voltando ao patamar razoável. O que nós precisamos não é torcer, é trabalhar para que nós possamos estabilizar essas relações. Se continuar assim, eu vou dizer a você, para continuar 7%, 8% de popularidade, de fato fica difícil passar três anos e meio”.

Michel Temer está vivendo um momento de crescente protagonismo, graças, principalmente, ao momento de fragilidade política da Presidente Dilma. Mas isso não é só por causa dessa balança. A força do PMDB, e consequentemente de seu presidente, tem sujeitado governantes a aceitar constantes manobras políticas feitas por seus partidários em favor da governabilidade.

Essas manobras, somadas aos comentários do vice-presidente, como a de que existe a necessidade de uma figura capaz reunificar o país, fomentam as alas do partido que querem um rompimento imediato com o governo, que é o caso do presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Elas também elucidam o quão distante Temer está do governo, distanciamento este que ficou mais claro com a sua saída como articulador político e pela sua descrença na forma de governar da Dilma. Declarações como essas ainda que não sejam desonestas, pelo seu teor e dada a atual crise política, podem ser mal interpretadas e vistas como oportunistas.

O PMDB, ainda que demonstre apoio ao PT e ao governo, sabe que a crescente impopularidade da Presidente pode chegar a níveis intoleráveis, o que poderia conduzir o peemedebista à Presidência da República. Quem mais se favorece com essa instabilidade é a oposição que, além de ver com bons olhos o vice-presidente, sabe que sem apoio político, do povo e do empresariado, qualquer coisa pode desestabilizar o governo, ainda que seja fazendo uma tempestade em copo d’agua.

A imparcialidade e ambiguidade dos discursos de Michel Temer têm o intuito de agradar vezes o governo, vezes as alas mais “radicais” do PMDB, e na política não se consegue agradar a gregos e troianos. Resta saber quais são as verdadeiras intenções do peemedebista.

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