Uninter – 1

O povo quer educação?

Por Professor Barragan

Será que realmente o povo brasileiro tem prioridade em receber educação?

Nas manifestações populares que tomaram as ruas de nosso país em 2013, um dos pleitos mais formulados, além da redução da tarifa das passagens rodoviárias, foi a eficiência na educação. É comum ver o povo se insurgir contra os que tentam depreciar ou macular o ensino em nosso país. Bandeiras, faixas, cartazes e gritos de ordem sempre se tornam instrumentos relevantes para aqueles que lutam por uma educação eficiente em nossa sociedade. Entretanto, paira a dúvida: será que o povo realmente está preocupado com a educação?

Observem a situação que, por vezes, ocorre em uma instituição de ensino. Manhã de segunda-feira. Na sala de aula, alguns alunos conversam, outros soltam sonoras gargalhadas e outros poucos tentam aproveitar o tempo disponível para desfrutar de minutos de sono enquanto o professor não chega. Neste momento, o Diretor da escola entra em sala e anuncia que o professor está adoentado e não poderá comparecer. A reação da turma? Todos comemoram! Este episódio não é uma raridade. Na condição de educandos, deveríamos ficar chateados pela falta de oportunidade de, naquele momento, absorver mais uma lição disciplinar. É claro que o professor pode ter um problema de saúde ou algum outro problema (e destaco “problema”, e não “desculpa”) que o afaste temporariamente da sala de aula, afinal, é um ser humano suscetível a contratempos, assim como os estudantes. Mas, ver o semblante comemorativo nos rostos dos estudantes, em decorrência daquele fato, revela-se como um paradoxo para os que afirmam se importar com a educação.

Noutro giro, outra circunstância também macula a defesa da educação eficiente. Boa parte dos estudantes afirma que os livros possuem altos preços. Entretanto, tal alegação se torna dúbia quando consideram caro um livro técnico, próprio para uma carreira de nível superior, que possua o valor de R$200,00, mas não agem de modo irresoluto quando o objetivo é a aquisição de um aparelho celular que custe R$800,00 (quatro vezes o valor do livro que o estudante achou caro). Muitos justificam que o aparelho celular possui acesso às mensagens de e-mail, ao Whatsapp, ao Facebook, ao Twitter, ao Snapchat, ao Instagram e a outros aplicativos, que, mesmos reunidos em um único aparelho telefônico, jamais serão capazes de se aproximar do valor intelectual que o livro de R$200,00 poderá agregar. Então, por que hesitam em gastar R$200,00 em um livro, mas não fazem o mesmo para adquirir um aparelho celular de R$800,00. Será, francamente, que o povo está interessado em educação?

Por outro lado, deve ser destacado que o valor dos livros deveria ser reduzido, afinal, esses bens gozam de imunidade tributária relativa aos impostos. Ou seja, não incidem impostos sobre a produção e a comercialização de livros no Brasil. Aliados àquilo, temos os baixos direitos autorais pagos aos autores, que aviltam a capacidade intelectual do autor e o tempo que ele dispendeu para escrever a respectiva obra, porquanto são, em média, de 5% a 10% do valor do livro, ressalvadas raríssimas exceções.

Por lógico que existem os custos das editoras na produção do livro, que podem até ser elevados, mas não a ponto de estabelecer o valor de um livro em R$200,00. Contudo, de causar arrepio é o valor de lançamento daquele mesmo livro quando a editora decide comercializá-lo na modalidade digital, pois, quase sempre, tem a sua precificação próxima do valor da obra literária impressa. Ora, se o interesse é difundir a leitura digital em nossa atual Era, então, que o preço final seja atrativo para a sua venda na versão em e-book. Mas isso nos dá papo para outra coluna.

Por concluir, diante de todas aquelas situações que, de modo empírico, já vivenciamos ou soubemos de alguém que vivenciou, passamos a compreender – mas não se conformar – com a posição de desprezo que a maior parte dos governantes possui com o nosso sistema educacional. A maioria do povo parece não se interessar pelo processo educacional que deve percorrer para se qualificar. Para o Governo, imagina-se que muitos deixem a impressão de que apenas almejam um diploma, um título. Neste intento, parecem não se importar com a valiosa e apaixonante jornada de estudos e de descobertas que a educação pode proporcionar, capaz de nos conduzir à revolução intelectual de ideias e à construção de ideais. Portanto, a educação deve ser um desígnio para uma nação e, se o povo realmente quer um reivindicar educação eficiente, primeiro precisa provar que com ela se importa.

É hora de educar!

 

*Professor Barragan é professor, consultor educacional, advogado, contador e mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento.

Página do Facebook: Professor Barragan

Instagram: @professorbarragan

Twitter: @profbarragan

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *