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Como saber o que eu quero? (Parte 2)

Por Caetano Tavares

Na coluna anterior você viu que saber “qual é o seu verbo” é fundamental para alinhar suas preferências pessoais e suas possibilidades, além de ser uma ótima ferramenta para tornar você a pessoa certa no lugar certo. Através da história de Aristarco, o empreendedor que montou o grupo AGECO, também viu que para ser percebido em um mercado cada vez mais exigente, assim como na vida, é preciso demonstrar outras capacidades que os outros não tenham; é preciso se posicionar.

Mas para ser preciso e saber com segurança o que se quer, pode ser necessário mais. Que tal aprofundar-se na técnica do posicionamento? Que tal desenvolver um conceito de suporte idealista que dê sustentação ao seu autoconhecimento sobre aquilo que deseja fazer na sua vida, para ser feliz?

Esse é o assunto dessa coluna.

Aprendendo a se posicionar

No mundo mais próximo de você e de mim, reles observadores de Aristarco, a lição que fica é que o mercado de trabalho – e a vida – está cada vez mais seletivo nas contratações e escolhas de parceria ou relacionamento; para atendê-lo, é preciso que você se posicione:

  • desenvolvendo uma “marca pessoal” que o diferencie de seus concorrentes (igualmente capacitados, do ponto de vista técnico);
  • exercendo outras capacidades, tanto profissionalmente como socialmente;
  • sendo capaz de se relacionar e interagir com outras pessoas potencialmente muito diferentes de você;
  • demonstrando competências de comunicação técnicas e comportamentais;
  • respeitando crenças, costumes e valores diferentes;
  • construindo no detalhe a sua imagem pessoal.

As três colunas de suporte idealista

Colunas de Sustentação

Reprodução Internet

Ainda na linha de se combinar mais de uma opção como um segredo de felicidade profissional ou de sucesso em sua versão de vida, temos o autoconhecimento. A sequência desses artigos é baseada no autoconhecimento, mas há algo que quero destacar agora.

Tenho dois filhos. Ambos maravilhosos em qualquer aspecto que você quiser observar (sim, sou um pai-coruja, mas também sei racionalizar). Tive oportunidade de dizer para ambos várias coisas que digo aos meus clientes. Uma delas é a resposta base para a tradicional dúvida sobre qual caminho percorrer quando existe mais de uma opção profissional a seguir na vida. O conceito é o seguinte:

  • em primeiro lugar, deve-se estar ciente de que “profissão” é uma palavra que veio conceitualmente do latim e corresponde a ação, o efeito de professar ou exercer um ofício, uma ciência ou uma arte;
  • para nós ocidentais, profissão é, portanto, o emprego do trabalho que alguém exerce para ser útil à sociedade, recebendo dela uma remuneração econômica;
  • para que a profissão seja, também, um dos motores da vida do indivíduo que a exerce, é preciso ser feliz exercendo-a (não é lógico isso?).

Com esse pano de fundo é possível erguer colunas de suporte idealista à escolha de qual profissão ou ocupação a seguir. A regra é:

  • Primeira coluna: Utilidade – escolhe-se uma profissão sustentado pela utilidade e benefícios que ela traz para a sociedade;
  • Segunda coluna: Motivação – sustentado pela motivação e o prazer duradouro que se tem por exercer tal profissão;
  • Terceira Coluna: Remuneração – opta-se por uma profissão que permite receber as melhores remunerações ao praticá-la.

Para ser feliz durante uma carreira, uma vida, o ideal é que se combinem essas três condições. Mas nem sempre isso é possível.

Então, uma boa prática é escolher duas das colunas de sustentação. Por exemplo:

  • Utilidade e Motivação – Alguma dúvida de que a profissão de “professor” preenche esses requisitos? Na minha avaliação, nenhuma dúvida, pois salvo algumas exceções, o professor tem muitíssima (se não for a maior) utilidade para a sociedade e só a motivação o mantém professor por toda a vida. Por que só a motivação? Justamente porque o ponto mais fraco dessa escolha está na coluna da remuneração. Lamentável.
  • Utilidade e Remuneração – Considerada polêmica por alguns. Uma boa parte dos profissionais que escolhem essas duas colunas de sustentação costuma justificar que são elas que permitem a prática não profissional da terceira coluna. Vou explicar. Tive uma aluna que era filha de um Major do Exército Brasileiro. Ele escolhera ser militar porque naquela organização era útil à nação brasileira, era razoavelmente bem remunerado e tinha a segurança de prover sua família com o que fosse necessário, podendo manter bom padrão de vida. Mas aqui está um detalhe que não é pequeno para a escolha da carreira militar: o Exército Brasileiro era o único lugar onde o pai de minha aluna podia praticar hóquei, seu esporte favorito e no qual se sentia realmente feliz.
  • Motivação e Remuneração – Menos altruísta do que as demais combinações de colunas de suporte idealista, também colabora para a felicidade profissional. É possível estar sempre motivado a fazer algo que não tenha tanta utilidade para a sociedade e ser bem remunerado por isso. Para não ser consumido pelo egoísmo, atividades voluntárias são muito bem-vindas para completar o indivíduo como ser humano, político, social, integrado à sociedade, não são?

O risco está em escolher apenas uma das colunas de suporte idealista. Fazer isso é optar por ter menor sustentação para a sua felicidade profissional e maior risco de não conseguir compensar a ausência das demais colunas para completar-se como ser humano. Nesse caso são duas as colunas ausentes!

Se você leu até aqui, pode acreditar que uma parte de você se interessa por “investigar a si mesmo”. Conte comigo.

Até a próxima semana.

Meu nome é Caetano Mauro Tavares. Sou consultor, professor, escritor e coach.

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