Hinode – 1

Tudo que não te disseram sobre o sucesso

Por Bruna Tschaffon

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Foto: Reprodução / Internet

O que faz uma pessoa ser considerada bem-sucedida nos dias de hoje?

Estive pensando sobre isso ultimamente.

A primeira imagem que me vem à mente quando penso na palavra “sucesso” é um homem de terno, bem vestido, chefe de uma grande e lucrativa empresa, a atender algumas ligações telefônicas com uma feição séria, entre um gole de café e uma olhadela em gráficos. No caso feminino, uma moça numa saia lápis, andando em seu salto alto; com um modo de se portar altivo e elegante, ao se dirigir aos seus funcionários e perguntar quem deixou de entregar os relatórios importantíssimos para a reunião da diretoria.

Acho que são estereótipos enraizados, não? É assim que o sucesso aparece nos filmes, seriados e no imaginário coletivo. Quem não se lembra da exigente e intimidante Miranda Priestly, interpretada pela icônica Meryl Streep em “O diabo veste Prada”, poderosíssima com seu séquito de assistentes e subordinados?

É claro que a resposta para a definição de sucesso sofre algumas variações de acordo com a personalidade de quem responde. Para um tenista, a definição de sucesso talvez seja ganhar em um Grand Slam. Para um intelectual, porventura ter sua obra aclamada pela crítica e pelo público. Para um cantor, estádios lotados ou um Grammy. Para os adeptos da internet, o número de seguidores nas mídias sociais, a fama…

Mas há uma zona de interseção bem definida. O sucesso costuma ser associado a atingir objetivos ambicionados. Alcançar metas. Chegar ao topo da montanha e dizer “Consegui. Estava lá embaixo e escalei tudo.”.

De certa forma, faz sentido. Eu mesma defendo ferrenhamente que as pessoas lutem e corram atrás de seus sonhos com unhas e dentes, desde que não prejudiquem ninguém no trajeto. É preciso se dedicar ao que incendeia a sua alma, afinal.

Por outro lado, restringir o sucesso a apenas isso pode ser bastante perigoso.

Hoje em dia os resultados são mais valorizados do que o processo. Não nos apaixonamos pela área na qual trabalhamos, pensamos no dinheiro ao final do mês como o que nos trará satisfação. Não nos contentamos com a arte pela criação, mas pelo grau de aceitação que ela receberá, pelo bom nome que nos dará. Não priorizamos mais a identidade de quem somos, nos preocupamos com quem aparentamos ser para os outros ou com o que temos.

E eu vejo muita gente mascarando seus dissabores por aí, interpretando papéis por hábito. Divãs lotados, crises de madrugada e uma pilha de livros de autoajuda sobre como ser feliz, a sina dos tempos modernos. Tudo é resultado da nossa crise de valores. Parece clichê esta história de que alguém pode ter tudo e ainda ser miserável. Porém é verdade: uma verdade difícil de engolir até que se converta em nossas próprias rotinas.

Vira e mexe surge alguma notícia sobre um milionário que se matou e a reação do público é sempre a mesma: “E eu aqui, trabalhando que nem um condenado e não faço uma coisa dessas.”. No fundo, a grande maioria ainda acha que dinheiro é a solução definitiva para a tristeza, apesar dos exemplos reais em sentido contrário.

Vivemos numa geração de profissionais workaholics sem tempo de ver a família ou amigos, de alegria simulada e berrada em redes sociais por gente açoitada por inseguranças mil, de celebridades que no alto do pedestal da fama morrem de overdose, de seres humanos ocupados demais para serem humanos.

O problema é que relacionar sucesso com aspectos externos nos transforma em robôs enferrujados pelo tempo, corroídos pelos anos. Colocar algo material como o único objetivo cedo ou tarde se torna uma estrada de mão única para a frustração, porque entorpecemos nossos espíritos para a aceitação interna na qual deveríamos nos concentrar, ou pior: condicionamos tal aceitação a nossas ambições.

E você quem sabe pense: quanto idealismo juvenil! O que essa colunista sabe sobre a vida, afinal? Ok, caro leitor passivo-agressivo. Não sou uma guru, tampouco pretendo. Eu sou uma garota de vinte e três anos tão confusa e atordoada quanto todos ao meu redor, confesso. Não, eu não tenho uma fórmula sobre o sucesso. Só tenho meus palpites e achismos.

Sempre fico ponderando: “se eu tivesse um filho ou uma filha, como eu explicaria este assunto para ele/ela?”. Acho que neste caso diria o seguinte.

Criança linda da Bru, ser bem-sucedido é: fazer o que você verdadeiramente ama, ser um bom amigo, ajudar quem precisa, rir sempre que possível, não se cobrar demais, enxergar a beleza que há em você, saber encontrar a luz mesmo nas épocas mais sombrias, dizer a verdade sem precisar magoar outrem, encher o mundo com positividade, valorizar quem está ao seu lado, não permitir que as críticas desmotivem, ter a coragem de levantar a voz frente a injustiças, aproveitar até mesmo as coisas mais simples, não desistir, nunca se sentir superior e ser íntegro, ainda que ninguém esteja olhando. Toda vida importa e todo gesto é relevante.

E para você? O que é ser bem-sucedido?

(Bruna Tschaffon é escritora da Coluna “Prosa pro Café” e seu primeiro romance, “Lítio”, será lançado ainda em 2015 pela Editora Giostri. Acompanhe seus escritos aqui na Folha RJ, no instagram @fazendoprosaepoesia e no facebook (www.facebook.com/brunatschaffonescritora).

 

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