Chelle Oliveira 1

Turismo cinematográfico – hã?

Por Rômulo Duarte

Foto: Reprodução Internet

Foto: Reprodução/Internet

Você é uma daquelas pessoas que, quando assiste a um filme, fica curiosa para conhecer o local onde aquele filme foi rodado? Pode ser uma praia paradisíaca, uma paisagem inóspita ou um centro comercial, por exemplo. Se você se encaixa nesse perfil, você é um turista cinematográfico!

Estamos falando de um segmento do turismo que vem crescendo bastante em todo o mundo, o turismo cinematográfico. Basicamente é um segmento no qual os turistas viajam motivados a conhecer os locais que aparecem nos filmes, seriados e programas de TV. Quer um exemplo? A foto aqui em cima é de um local conhecido como “Hobbiton”, na Nova Zelândia, onde foram gravadas cenas dos filmes da trilogia do Senhor dos Anéis e, mais recentemente, dos filmes da saga O Hobbit. É um lugar que atrai uma galera que quer conhecer o local e poder vivenciar a atmosfera idílica do local. Ou ainda, a Noruega que notou um aumento de 37% no número de turistas americanos após o sucesso do filme Frozen. Existem também aqueles que vão para a França na tentativa de refazer os passos do Robert Langdon, personagem de Tom Hanks no filme Código da Vinci, pelas ruas da capital francesa e seus principais atrativos turísticos. Não podemos esquecer do sucesso avassalador do seriado Downtown Abbey que faz com que inúmeras pessoas viajem para conhecer o vilarejo de Bampton, em Oxfordshire e o Castelo de Highclere, em Berkshire, ambas próximas de Londres.

Castelo de Alnwick / Foto: Divulgação

Castelo de Alnwick / Foto: Divulgação

São inúmeros os exemplos de locais que possuem esse tipo de segmento muito bem estabelecido dentro do seu mercado turístico. A Inglaterra, talvez um dos países que mais saibam desenvolver o segmento a partir das suas produções, realiza pesquisas para entender o perfil desse público e suas particularidades, como o quanto ele gasta, consome, para quais locais vai, dentre outros aspectos. Em uma pesquisa realizada pela Euroscreen em 2012, descobriu-se que um em cada dez turistas internacionais viaja para a Inglaterra motivado pelo turismo cinematográfico e gera, anualmente, uma renda de aproximadamente, £2.1 bilhões para a economia do país. Já em outro estudo, dessa vez realizado pela Olsberg SPI em março desse ano, somente no ano passado, o castelo de Alnwick (conhecido como o castelo de Hogwarts dos dois primeiros filmes da saga Harry Potter) gerou £4.3 milhões em gastos pelos turistas cinematográficos que visitaram o local.

Pensando nessa oportunidade, a Film London produziu um mapa interativo, de onde é possível localizar todas as produções já filmadas na cidade. É possível selecionar através de alguns filtros pré-estabelecidos, como filmes de romance, cult, terror, etc. Clicando em uma das marcações no mapa, é aberta uma janela com informações sobre: o filme produzido, o ano, diretor e elenco, além de informações sobre o local real e como ele foi usado naquela produção. Um dos pontos interessantes nessa ferramenta é a possibilidade que os usuários têm de enviarem outras informações sobre outras produções feitas em outros locais para o site, visto que a ferramenta é constantemente atualizada com novas produções.

E quanto ao mercado brasileiro?

Rio de Janeiro / Foto: Divulgação

Rio de Janeiro / Foto: Divulgação

Por aqui, o segmento ainda é novidade. Em termos de produção internacional que tenha retrato do país de alguma forma, recentemente alguns filmes hollywoodianos mostraram cenários do Rio de Janeiro, como um dos filmes da franquia Velozes e Furiosos (Velozes e Furiosos 5 – Operação Rio), da saga Crepúsculo – Amanhecer Parte 1, Rio, Rio 2 e Rio, eu te amo são alguns desses exemplos. Apesar desses exemplos, não temos pesquisas no segmento que indiquem onde estão estes turistas, se eles realmente vêm ao país motivados pelo segmento, quais são os locais que procuram, entre outras informações relevantes no auxílio ao desenvolvimento sadio do segmento no mercado turístico do país.

Nesse cenário, o Ministério do Turismo produziu uma cartilha que visa orientar quanto à produção de novos produtos do audiovisual, na tentativa de estimular o mercado para atrair produtores e, a longo prazo, turistas do segmento. Traz ainda outras indicações como, por exemplo, a importância do catálogo de locações e como produzir um, a necessidade da criação de entidades de fomento, como as film commissions, dentre outras informações relevantes.

Talvez seja esse o ponto mais crucial para o desenvolvimento do segmento: a criação das film commissions locais. Essas entidades são responsáveis por mediar a relação entre os produtores e as locações disponíveis na região, através da oferta de serviços de filmagem, equipamentos, mão-de-obra e outros serviços relacionados à produção, no sentido de atrair novas produções. Por meio dessa articulação, a film commission consegue gerar produção audiovisual para a localidade e, assim, na medida em que essa produção for transmitida e retransmitida nos mais diversos canais, aumenta-se a possibilidade de geração de fluxo turístico na localidade.

Não se sabe ao certo quantas film commissions o país possui. Há uma especulação de que este número gire em torno de 15 entidades. Duas delas, a São Paulo City Film Commission e a Rio Film Commission, são filiadas à AFCI – Association of Film Commissioners International. Havia também a ABRAFIC – Aliança Brasileira de Film Commissions, extinta associação que representava o setor. O cenário ideal seria uma entidade para cada localidade turística brasileira, já que as representações locais sabem trabalhar melhor com os recursos disponíveis em cada uma dessas localidades e oferecer um produto melhor estruturado para o mercado. Um caso de exemplo são os Estados Unidos, que possuem 137 entidades filiadas à AFCI.

Esperamos que, com o amadurecimento do setor nacional, o cenário brasileiro mude e, nos próximos anos, consigamos ver novas film commissions sendo criadas, trabalhando seus produtos, fomentando o audiovisual local e, assim, sendo capazes de transmitirem para o mundo todas suas belezas locais e atrairem fluxo turístico para novos destinos.

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2 thoughts on “Turismo cinematográfico – hã?

  1. Juliana Carneiro

    Concordo que esse segmento deve ser mais pesquisado e investido aqui no Brasil. Temos muito potencial!
    Vários filmes nacionais também mostram as belezas do nosso país e precisam ser divulgados!
    Parabéns pela matéria!!

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  2. Rômulo Duarte Post author

    Olá Juliana, obrigado pelo seu comentário!

    Também acredito que seja importante pesquisar mais sobre ele aqui no Brasil. Aliás, não só esse segmento, como muitos outros que ainda não são tão conhecidos assim e podem ser verdadeiras 'minas de ouro' se bem desenvolvidos.

    Quanto ao turismo cinematográfico, temos belezas naturais tão diversas que nos permitem criar diferentes 'cenários' e propagar essa beleza para todo o mundo através da força que o cinema tem. Mas para isso, alguns pontos precisam ser muito feitos antes de avançarmos.

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