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Ministério Público denuncia Eduardo Cunha e Fernando Collor

Por Conrado Pinto

Foto: Reprodução / Internet

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Após seguidos meses de hipotéticas acusações, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), enfim, foi denunciado pelo seu suposto envolvimento no esquema de corrupção da Petrobras. Junto ao senador e ex-presidente Fernando Collor (PTB-AL), eles se tornaram os primeiros políticos em atividade a serem denunciados pelo Ministério Público Federal.

As denúncias apresentadas pelo Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, contra o peemedebista, são estarrecedoras, sendo acusado de receber propina de pelo menos U$5 milhões, entre 2006 e 2012, para facilitar a compra de navios-sonda. Cunha também está sendo investigado por utilizar empresas de fachada e uma instituição religiosa para lavagem de dinheiro, por meio de falsas doações.

Quanto ao Senador, nem todas as acusações contra ele foram especificadas. Fora firmado um acordo de delação premiada, que ainda estar para ser validado pela justiça, e diante disso as investigações só indicaram que Collor recebeu mais de R$26 milhões em propina de uma subsidiária da Petrobras.

Ambos os parlamentares se defendem das acusações. Eduardo Cunha afirma estar sendo vítima de conspiração, enquanto Collor partiu para o ataque e acusou o procurador de arbitrariedade.

O esquema de corrupção centrado na Petrobras tem deixado sua marca no cenário Político Nacional. A instabilidade e a incerteza têm sido constantes no segundo mandato da presidente Dilma Rousseff, principalmente quando surgiram os primeiros boatos sobre a participação do Presidente da Câmara no esquema de corrupção, que o levou a romper com o governo e acusar o mesmo de tentar constranger a Câmara com essas acusações.

Apesar de descartar a renúncia, ainda que com a pressão de opositores do congresso, Eduardo Cunha poderá trazer instabilidade e agravar ainda mais a crise política, caso resolva aumentar a carga de ataques contra o Palácio do Planalto. Com o que ainda lhe resta de força, poderá continuar a aprovar pautas que desagradam o governo, ou se aproximar ainda mais da oposição e “flertar” com um possível pedido de impeachment contra a presidente Dilma.

É cedo para avaliar qualquer possível ação do presidente da Câmara, mas as graves acusações contra ele o fazem perder força. Ainda que Cunha tenha uma base de parlamentares ao seu lado, sua liderança pode perder importância frente aos setores mais fortes. Quem pode ganhar com isso é o governo, que se livrará de um feroz opositor. Resta saber agora o que o peemedebista anda preparando. Veremos nas próximas semanas.

Conrado Pinto, Cientista Político.

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