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Como saber o que eu quero? (Parte 1)

Por Caetano Tavares

Seja você a pessoa certa e esteja no lugar certo

Uma das chaves da porta que se abre para o conhecimento sobre o que você quer pode estar em uma frase que tenho usado muito com meus clientes de coaching. Ela é uma pergunta:

“Qual é o seu verbo?”

Qual é o seu verbo?

(Reprodução Internet)

Na verdade ela não foi um insight surgido de ondas resultantes de uma “avassaladora explosão criativa”. Claro que não. Trata-se da aplicação de um trabalho bem defendido pela pesquisadora Dominique Magalhães em seu livro “O que falta para você ser feliz?”, da Editora Gente. O verbo que aqui se trata pode ser a chave do sucesso profissional. Ele é uma ferramenta de alinhamento das preferências pessoais e suas possibilidades. Descobrindo qual é o seu verbo, você pode ser a pessoa certa no lugar certo.

Dominique Magalhães nem me conhece, mas quando li sua proposta, criei um desafio para mim, como coach. O que ela sugeriu?

“Proponho que devamos assumir e realizar esse dom, buscando o equilíbrio em trabalhar beneficiando o outro, através de sua vocação, dentro da situação do mercado de trabalho escolhida.”

O desafio que me impus foi criar um suporte que apoiasse cada coachee (cliente de coach) na busca pelo seu verbo, seu dom ou sua vocação para, então, dar prosseguimento à sua imersão naquele universo ou na qualificação para o mercado de trabalho escolhido. Criei testes, trabalhei sessões impactantes e empolgantes até que tivesse sucesso. E tem sido um sucesso.

Encontrar o seu verbo é para outros e pode ser o seu ponto de partida para uma busca interior que não se restringe ao aspecto profissional, mas da identificação de qual a razão da sua existência. Como exemplo, voltemos ao caso do Rominho (o amigo de Cris, aquela minha personagem na história que contei no artigo da semana passada). Rominho explicara a Cris que só queria fazer as pessoas felizes. Ele encontrara uma missão, mas precisava encontrar o método.

Se o prazer de Rominho estivesse em oferecer alívio, amenizar angústia, promover cura, seu verbo era “ajudar”. Um bom grupo de profissões e ocupações norteiam essa categoria de verbo: médico, terapeuta, advogado, corretor, personal trainer, dentre outros. Mas, talvez o prazer de Rominho estivesse em divertir, distrair, promover a quebra de rotina e a elevação do espirito. Nesse caso ele poderia investigar sua motivação em ser músico, ator, comediante, bailarino e muitas outras opções. A ideia de Rominho estava cercada, então, em três possibilidades: sendo médico ele poderia curar, sendo policial, proteger e, como comediante, fazer as pessoas rirem!

No seu caso, uma boa dica é pensar nos verbos AJUDAR, INSTRUIR, ENTRETER, EMBELEZAR e MULTIPLICAR. Se você detém mais de um verbo (por que não?), encontrar uma profissão ou ocupação que os atenda pode ser o grito de liberdade!

Aliás, combinar mais de uma opção também pode ser o segredo da felicidade profissional ou do sucesso em sua versão de vida. Para isso o autoconhecimento e seu posicionamento são fundamentais. Seu posicionamento é a forma com a qual você deseja ser percebido. Normalmente as pessoas falam sobre isso através de dicas sobre marketing pessoal. Natural.

Era uma vez...

(Reprodução Internet)

Era uma vez…

DR A. x Dom Guimarães x Aristarco Guimarães I

Aristarco Guimarães Filho é um empreendedor e tem negócios em diferentes segmentos para atender a mercados diversos. Ele aprendeu “com o falecido pai” – como ele mesmo diria – que o segredo para ser um fazendeiro de sucesso é investir em diferentes agriculturas e pecuária. “Nunca se deve plantar somente cenouras. Se uma praga vier e atingir sua plantação, você deixa de ser um agricultor para ser um trabalhador falido”, diria com muita propriedade (nossa, parece que estou ouvindo sua voz calma e pensativa).

Sob esse tipo de orientação, Aristarco construiu o grupo AGECO (Aristarco Guimarães Empreendimentos e Companhia – o nome é fictício por motivos óbvios) que hoje tem um faturamento de 38 milhões de dólares anuais e vem crescendo em torno de 8% ao ano. Bacana. Isso significa que no próximo ano o grupo AGECO faturará mais três milhões de dólares. Uau! Mas, quais são as empresas do grupo?

Bem, o grupo AGECO tem mais de dez empresas, mas escolhi apenas três para o exemplo que preciso. Aristarco orientou seu grupo a diversificar os negócios e dentre eles estão três casos interessantes.

Para atender ao segmento de comércio internacional de sêmen bovino e equino de alta qualidade para inseminação artificial de gado leiteiro e de fêmeas mangalarga, ele criou a marca DR. A. A marca traz a letra inicial do grupo AGECO – e, naturalmente, de Aristarco – , além de conciliar certa tradição com modernidade. Um bom conceito para um segmento que envolve a percepção de credibilidade, especialmente pelo fato de o comércio de sêmen ser feito à distância na maior parte das vezes.

Também para atender ao segmento de comércio internacional de vinhos das melhores castas, criou a marca Vinícola Dom Aristarco. Marca tradicional, elegante, forte, que atende aos que prezam pelo temperamento romântico e também aos que gostam de se sentir poderosos. A marca também atende aos “segmentos menos aristocráticos”. O nome Dom Aristarco remete aos tempos em que os mais respeitados priorizavam o que havia de melhor qualidade para atender aos seus anseios.

Já se percebe que Aristarco gosta de lidar com segmentos A e B de mercado e, também, de fazer comércio internacional. Tem suas razões, mas esse não é o assunto dessa abordagem. O grupo AGECO também comercializa cavalos mangalarga (pura de sela). Para atender a um público seleto que tem prazer em criar e montar espécimes tradicionais e de alto apelo comercial, a marca DR. A. comercializa o sêmen dos “melhores garanhões” da raça. Eles são criados, treinados, expostos e comercializados pelo Haras Aristarco Guimarães II. Pois é… que sacada a do Aristarco: deixou de ser Filho para ser “Segundo”!

Como “Aristarco Guimarães Filho” se difere da multidão de concorrentes que têm tecnicamente as mesmas capacidades? Para ser percebido, certamente ele precisou demonstrar outras capacidades que seus demais colegas não têm. Essa foi uma história de posicionamento.

Já sei o que quero?

Ainda faltam boas dicas para tornar essa resposta mais precisa. Até aqui você viu que saber “qual é o seu verbo” é fundamental para alinhar suas preferências pessoais e suas possibilidades, além de ser uma ótima ferramenta para tornar você a pessoa certa no lugar certo. Também viu que para ser percebido em um mercado cada vez mais exigente, assim como na vida, é preciso demonstrar outras capacidades que os outros não tenham; é preciso se posicionar.

Na próxima coluna vamos estudar a lição deixada por Aristarco para quem quer aprender a se posicionar. Você receberá 6 dicas para atender a um mercado cada vez mais seletivo nas contratações e escolhas de parceria ou relacionamento e conhecerá as três colunas de suporte ideológico para quem quer saber o que quer.

Se você leu até aqui, pode acreditar que uma parte de você se interessa por “investigar-se a si mesmo”. Conte comigo.

Até a próxima semana.

Meu nome é Caetano Mauro Tavares. Sou consultor, professor, escritor e coach. Não deixe de acompanhar a série na próxima semana.

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