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A oportunidade que o Brasil tem de transformar a nação de ótimos profissionais em experientes empreendedores no médio e longo prazo.

Por Gustavo Loureiro

Foto: Reprodução/Internet

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma crise ou um cenário mais complexo separa homens de meninos. Quando trabalhava com planejamento de mídia em agências digitais, eu gostava de dizer que fazer planejamento de mídia com muita verba é fácil. Você conhece um bom planejador, atinge resultados surpreendentes ou pelo menos os resultados esperados. Muitos gostam de falar em crise e de se concentrarem somente nela e em todos os problemas que ela traz; mas, como eu sou ora realista e ora otimista, prefiro entender que a crise que o mundo e o Brasil estão vivendo, hoje, estão ajudando a preparar o que podemos chamar de a geração de empreendedores mais bem preparados para tocar seus negócios em nosso território nacional.

Em julho de 2015, foram divulgadas informações sobre o The 2015 Global Startup Ecosystem Ranking, onde encontramos as cidades com maior possibilidade de um negócio dar certo. Enquanto temos na América do Norte locais como o Vale do Silício, Los Angeles, Nova Iorque e Boston nas primeiras posições do ranking, o Brasil apresenta São Paulo em 12 colocado no Ranking, mas mesmo assim à frente de Toronto, Montreal e Vancouver, que são cidades canadenses com ótima qualidade de vida, ou melhor, com uma qualidade de vida muito superior que São Paulo ou Rio de Janeiro na região sudeste do Brasil.

Gráfico com o The 2015 Global Startup Ecosystem Ranking

Gráfico com o The 2015 Global Startup Ecosystem Ranking

Quando falamos ou até mesmo criamos uma Startup, existem diversos fatores que vão influenciar positivamente para que a empresa sobreviva ao que chamamos de vale da morte. Estes fatores formam um ecossistema favorável para uma empresa alcançar o sucesso e chegar ao “topo da montanha”. No Vale do Silício, isso acontece com frequência, pois o ecossistema é bem mais desenvolvido. No Brasil, o ecossistema para o desenvolvimento e crescimento de empresas focadas em inovação, no Brasil, possui várias lacunas e isso prejudica muito a sobrevivência dessas startups no mercado. Praticamente temos pouco incentivo do governo para o empreendedorismo. Nossa educação universitária é bem deficitária, nossa infra-estrutura tecnológica possui limitações, as instituições de apoio são poucas, praticamente duas, SEBRAE e Endeavor, e muitas vezes os investidores não querem arriscar investir em uma empresa criada em um cenário tão incerto. Recentemente, uma das aceleradoras mais respeitadas no Brasil, a 21212.com, informou ao mercado que deixaria de acelerar novas empresas, pois entendia que o Brasil não possui um cenário apropriado para esse tipo de atividade. Aceleradoras e incubadoras também são fundamentais no ecossistema nacional e hoje ainda temos poucas aceleradoras e incubadoras dispostas a ajudar no fomento do empreendedorismo nacional.

Imagem explicando os fatores importantes em um ecossistema de startups

Imagem explicando os fatores importantes em um ecossistema de startups

Embora as dificuldades sejam muitas, existem empreendedores que mesmo com todas as dificuldades arregaçaram as mangas e estão tocando seus negócios. A Gráfica Online onde trabalho, por exemplo, começou o projeto em janeiro e tivemos um crescimento expressivo em maio com relação aos primeiros meses do ano, que foram meses mais complicados. Não consigo afirmar se todas as empreitadas serão bem sucedidas, mas se muitas das startups, que estão surgindo no Brasil em meio ao cenário de crise, tiverem sucesso em seus negócios, teremos no médio e longo prazo uma nação repleta de empreendedores melhor preparados. Quem sabe isso não incentive as escolas brasileiras a colocarem no currículo obrigatório a disciplina de empreendedorismo para ensinar desde cedo a crianças e jovens como é importante desenvolver as características empreendedoras para alcançar um futuro melhor para eles mesmos e para todos ao seu redor.

Israel, por exemplo, é um país cheio de conflitos políticos e religiosos e, mesmo assim, Tel Aviv está em 5º colocado no Ranking e em alguns itens compete com o Vale do Silício de igual para igual. Israel possui um tamanho equivalente ao estado de Sergipe no Brasil, menor que o Rio de Janeiro e com potentes máquinas de guerra prontas para abater mísseis “inimigos” próximos as regiões da faixa de gaza. A história de Israel como uma nação empreendedora é contada no livro Startup Nation e existe versão em português para essa obra. Apesar da escassa população, da falta de recursos naturais e dos constantes conflitos, o estado judaico tornou-se uma meca da inovação e do empreendedorismo. O que falta em país com tantas riquezas naturais, grande população e conflitos pontuais entre traficantes de drogas e a polícia, como o Brasil?

Mapa do ecossitema de Startups em Israel

Mapa do ecossitema de Startups em Israel

Se soubermos aproveitar esse momento que o Brasil está vivenciando, podemos formar a geração de empreendedores mais preparados para cenários complexos que o pais já viu.

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