IAPP – 1

Poesia e Política

Por Renato Cardoso

Na história da literatura, vemos a poesia como uma forma de expressão, que, talvez, tenha surgido antes mesmo da escrita. Segundo historiadores, o registro mais antigo de uma poesia, Epopeia de Gilgamesh, é datada de, aproximadamente, 3000 a.C na Suméria (atual Iraque), sendo feita em escrita cuneiforme (escrita desenvolvida na argila e feita por objetos pontudos). Com o passar dos tempos, várias formas poéticas foram surgindo, mas vamos nos valer somente da poesia política.

A política surge na poesia desde a Grécia Clássica, berço de seu nascimento. Grandes filósofos debatiam em seus textos a forma de governo local, uns liderados pela força, outros pela democracia. Tempos depois, a política continuou sendo um dos temas favoritos dos poetas. Vemos isso em: Gil Vicente, William Shakespeare, Pablo Neruda, Machado de Assis, Ferreira Gullar, entre outros.

Sinceramente, como poeta, nunca me vi apto a escrever sobre política. Sou um tipo de pessoa totalmente contra qualquer ato político, seja na forma propriamente dita, ou num simples ato de bajulação (isso também é ser político). Mas tenho que concordar, que com tudo que está acontecendo, a poesia não poderia deixar a política para um 2º plano. A Dilma e seus comparsas não deixam os poetas escreverem sobre o amor. Eles querem a atenção só para eles.

Poetas, ao longo do tempo, foram perseguidos por expressarem seus ideais e opiniões contra governos ditatoriais. Mas hoje, devido o advento da internet, a crítica política ficou muito fácil e com um alcance muito maior. Imagino se Neruda, com toda a sua inteligência, vivesse em nossa época. Seria, com certeza, um prato feito para ele, usar a internet, através das redes sociais, para divulgar o seu engajamento político.

No Nordeste brasileiro encontramos os cordéis, que contam sob o olhar do sertanejo, a sua opinião sobre tudo que acontece, vemos isso no poeta pernambucano Zé da Luz. No Centro-Oeste temos o que chamamos de causos caipiras, que assim como os cordéis, expressam os ideais políticos de um povo totalmente esquecido pelos nossos governantes, temas como seca, fome, corrupção, reformas são abordados com frequência.

Poetas nunca vão deixar de escrever sobre política, e eu, sendo poeta, também me atrevi a escrever um cordel que ilustrasse um momento político vivido, e ainda vivo, no nordeste do nosso país. Obrigado a todos! Até uma próxima coluna. Abaixo o soneto. Espero que gostem.

Soneto: Cordel do meu sertão

Sabe o senhor moço este cordel vou fazer
Nas rimas d’um soneto tenho tanto a lhe dizer
Lá no meu sertão, o gado não cresce não
O sol de tão quente, matou mais de um milhão

Tudo isso por que do céu chuva não cai
E o senhor aí olhando sem dizer o que se faz
Para modo desse problema se resolver
E eu, pobre jeca, sem comida pra comer

Ah! Seu doutor, você ganha muito com a tal da falação
Nós só prestamos em época de eleição
Para do poder você não sair mais não

Posso ser ignorante, não entender de votação
Mas a minha honra ninguém tira, honra do sertão
Posso ser tudo seu doutor, menos ladrão.

DICAS CULTURAIS

ALÔ ITAPUAÇU – Quer ouvir Blues, Rock e MPB?! O Recanto do Uly vem fazendo o maior sucesso, sempre com uma ótima pedida para noite cultural da região.

LEITURA – Recomendo a leitura do livro “Momentos Poéticos” da poeta Bartira Mendes.

————————
Renato Cardoso é poeta, professor e ativista cultural. E-mail de contato: renatocardoso82@gmail.com

One thought on “Poesia e Política

  1. Uly Riber

    Adorei a matéria "Poesia e Política".
    Parabéns!!!
    Obrigado pelo toque do "Recanto do Uly".
    Aguardando sua visita.
    Abraços

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *