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Passando o bastão da educação

Por Professor Barragan

Foto: Reprodução/Internet

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Que nota é essa? Muitos ouviram essa pergunta sendo formulada pelos seus respectivos pais durante a fase estudantil. No entanto, em outros tempos, o questionamento era direcionado para os estudantes, ao contrário dos tempos modernos – que não são os de Chaplin – em que a pergunta vem em tom de cobrança para o professor responder. Em nossa atual conjuntura, encontramos pais que têm se esquivado de sua função de educadores de seus filhos para tentar transferir esse encargo aos professores daquelas crianças e adolescentes. Entretanto, o papel da escola se revela, especificamente, pela escolarização e não pela plena educação do indivíduo, a qual compreenderá um processo muito mais completo de promoção da formação daquele indivíduo como ator social na sociedade em que habita. Neste ponto, se não deve admitir que tal “munus” seja transposto, de modo integral, para aquele que conduz o conhecimento em milhares de salas de aula do país.

Bons modos e costumes, regras de boa convivência, entre outros, são relevantes indicadores do processo de formação do indivíduo para o exercício da cidadania. Os pais não podem (nem devem) imaginar que os professores passaram a ter a função de plenos educadores de seus filhos de modo a lhes atribuir bons modos, demonstrar os costumes da sociedade em que ele vive ou as regras que devem ser seguidas para a convivência harmônica em sociedade. A pensar desse modo, aqueles pais ingressam em uma zona de conforto e de impunidade pessoal em relação a possíveis resultados negativos de seus filhos como cidadãos em uma determinada sociedade. Assim, precisamos ter claro em mente que a escola não substitui a tarefa da família de educar suas crianças e adolescentes. A escola é um complemento ou uma parceira dos pais na formação educacional de seus filhos. Os pais educam em primeiro lugar e a escola complementa tal educação.

Educar é um ato difícil, contínuo e demorado, pelo que alguns pais aparentam não ter interesse em investir os seus preciosos minutos na formação de seus filhos. Muitos pais dão preferência ao tempo para si em detrimento do tempo – esse sim, precioso – de seus filhos em idade estudantil. Deixar os filhos na porta da escola e imaginar que eles sairão de lá com a formação plena de um cidadão é uma verdadeira utopia. Afinal, os filhos passam mais tempo na convivência de terceiros que com o professor em sala de aula. Exigir que a escola assuma esse papel de modo isolado, como alguns pais têm feito, é passar o bastão do dever precípuo que a eles foi imputado: o de educar os seus filhos.

Talvez possamos compreender, mas não aceitar, que aqueles pais tenham aquela conduta por temer o fracasso no processo de educar seus filhos, ou que não se julguem capazes o suficiente de fazer os seus filhos agirem em conformidade com os atos minimamente admitidos perante a sociedade. Ou, ainda, que eles tenham desistido daquela missão por descobrir como aquela tarefa é demasiada árdua, capaz de lhes retirar a pouca paciência que ainda restava. Por outro lado, a escola também tem o papel fundamental de escolarizar o indivíduo fornecendo-lhe o conhecimento disciplinar necessário para se tornar um homem médio na sociedade, capacitando-o ao trabalho, bem como, aprimorando-o para melhor exercer a cidadania.

Neste prisma, a formação educacional de um indivíduo deve ser o resultado combinado de esforços, com um propósito comum, entre os pais e a escola de maneira harmônica e ininterrupta. Passar o bastão da educação, seja dos pais para a escola ou o contrário, trará o caos educacional para as futuras gerações com uma redução no nível de qualificação de nossos profissionais atrelada a um relativo aumento da marginalização. Portanto, precisamos elucidar em nossas mentes que o dever de educar começa desde os primeiros anos de vida, quando se tem grande influência sobre a personalidade do sujeito que inicia a sua formação. Logo, é dever de cada um – pais e escola (em sentido lato, a também incluir a universidade) – segurar o seu bastão da educação, não importando o quão difícil possa ser o processo educacional, responsabilizando-se por suas parcelas de participação no êxito ou no fracasso do resultado que será obtido pelo indivíduo como parte integrante da sociedade. E que venha a próxima lição!

 

*Professor Barragan é professor, consultor educacional, advogado, contador e mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento.

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