Ana Alarcon – Topo

Olhai por nós!

Por Professor Barragan

Foto: Reprodução/Internet

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No início da vida estudantil, a criança sobe os degraus da escada com o sentimento – em seu subconsciente (que ainda não sabe o que é) – de que aqueles são alguns dos muitos degraus que ainda irá subir em sua vida. Veste com orgulho a roupa de uma escola pública, guardando a esperança de que lições de grande valia lhe serão ofertadas e acreditando no mundo mágico do conhecimento, que aparecerá de modo fascinante para atender aos anseios sua inquieta mente, a despertar um dos sentimentos mais intensos que seu coração sentirá. A cada passo naquela escada, mais rapidamente pulsa o seu coração.

A primeira leitura, a primeira conta resolvida no estudo da matemática, a primeira prova e tantos outros momentos fazem com que tudo aquilo realmente tenha um inestimável valor, afinal, Educação não se negocia, se encanta. O desejo nutrido em cada estudante, que todos os dias carrega ânimo e energia para adquirir mais conhecimento, faz surgir um inigualável brilho de felicidade nos olhos de um professor quando ele vê o estudante compreender a lição ou resolver uma questão que lhe parecia impossível. Isso traz a beleza de uma relevante parte da Educação que deveria servir de combustível para motivar todo o sistema educacional na busca cada vez mais incansável da eficiência.

Entretanto, conforme aquela criança sobe os degraus da escada e alcança a adolescência, ela descobre que tudo parece ser um sonho que se torna cada vez mais distante de se concretizar. O conhecimento já não vem de forma tão mágica ou deslumbrante como antes. Certas vezes, sequer a lição chega à sala de aula, deixando a sensação desesperadora de que alguém deixou de se interessar pelo seu futuro. O abandono começa a parecer a única opção para aquele estudante que, sem recursos, opta por fechar a porta do desejo de infância de continuar a subir na escada do conhecimento para se lançar no mercado de trabalho, submetendo-se a qualquer emprego que lhe pague o suficiente para a sua satisfação consumerista imediata.

É nesta conjuntura que a evasão escolar se revela como a realidade que entristece os apaixonados pela Educação. O Brasil tem uma taxa de, aproximadamente, 25% de evasão escolar (1/4 do total de estudantes), a representar uma das maiores taxas de abandono escolar entre os 100 países com maior IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) no mundo. A ONU (Organização das Nações Unidas) emitiu uma nota sugerindo que o Brasil adote “políticas educacionais ambiciosas”, o que é demasiado interessante, afinal, com o envelhecimento da população brasileira – a se intensificar nas próximas décadas -, a falta de educação tende a reduzir o percentual de trabalhadores ativos qualificados. E nesse ponto de nossa história nos perguntamos: Em que momento foi permitido que a chama da paixão pelo conhecimento se apagasse em nossos estudantes? Em que momento foi apagado o brilho dos olhos de nossos professores?

E é aí que, de repente, aquele jovem estudante não quer mais o uniforme, nem o material didático. Ele simplesmente para de avançar nos degraus da escada e fica prostrado. Ao seu lado, a vida continua passando (e cada vez mais veloz) e o reflexo de cada ano aparece em sua face, traçando rugas de perplexidade e de tristeza por uma vida que não foi a desejada por ele. Podemos até encontrar um ou outro que tenha conseguido uma história diferente, mesmo com os percalços de uma dura vida estudantil, mas, por sem dúvida, estão a representar a exceção.

Sendo assim, o que seguimos assistindo ao final de cada episódio da Educação pública, é o caminhar de jovens que, infelizmente, não terão os seus nomes em listas de aprovados em um vestibular ou no ENEM, mas, ao contrário do que se espera, algumas vezes, aparecerão nas tristes páginas policiais de uns noticiários. Precisamos salvar nossa Educação, nossa juventude e nossas futuras gerações. Afinal, tudo o que aqueles jovens estudantes rogam aos seus governantes é: Olhai por nós!

 

Professor Barragan é professor há mais de 10 anos, advogado, contador e mestre em Direito Econômico e Desenvolvimento.

Página do Facebook: Professor Barragan

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Twitter: @profbarragan

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