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Política Internacional. Hiroshima e Nagasaki.

Por Sebastião Neves

Foto: Reprodução Internet

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Nestes dias, estamos vivendo e recordando os aniversários lúgubres de 6 e 9 de agosto de 1945, quando, estando o Japão militar e economicamente aniquilado no fim da II Guerra Mundial, a Força Aérea dos EUA, por ordem do Presidente Harry Truman e de seu Alto Conselho Consultivo, lançou duas bombas atômicas, uma sobre a cidade de Hiroshima e, a outra, sobre Nagasaki. Morreram mais de 70 mil pessoas em Hiroshima e mais de 40 mil em Nagasaki, em consequência imediata das explosões. Em ambas as cidades, as populações ficaram expostas, durante o bombardeio, a temperaturas de 4.000 graus centígrados. Se levarmos em conta, no entanto, as mortes decorrentes dos elevados níveis da radiação nuclear, que provocaram leucemia e câncer em dezenas de milhares de pessoas que não estavam entre as primeiras vítimas, o número sobe para mais de 242.000 vítimas. Foi a primeira e única vez que seres humanos usaram contra outros seres humanos artefatos tão pavorosos de destruição.

Teria sido mesmo necessário o uso de bombas nucleares para induzir o Japão à rendição? Até hoje se discute o assunto. Foi ético por parte dos EUA empregar um meio tão maciço de aniquilamento, num país que já estava abatido por sucessivos bombardeios em suas cidades, durante os 6 meses anteriores às explosões nucleares?

Os principais argumentos dos EUA são os seguintes:

  1. Seu Alto Comando calculava que entre 500 mil e 1 milhão de soldados americanos poderiam morrer numa possível invasão das ilhas japonesas, no período de outubro de 1945 a março de 1946, acrescidos de 5 a 10 milhões de mortos japoneses, na maioria civis.
  2. O gabinete de governo japonês, integrado por militaristas dominados por código de honra e desespero, opunha-se a quaisquer negociações, apesar de que alguns membros civis do governo tivessem indicado, por canais diplomáticos, o desejo de conversações conducentes e um tratado de paz.
  3. Estrategistas e estudiosos americanos queriam concluir a guerra na Ásia rapidamente (a guerra na Europa já havia terminado em maio de 1945), para reduzir a expansão russa nos territórios da Manchúria e da Coréia, principalmente, que eram ocupados pelos japoneses. Os russos tinham “oportunamente” declarado guerra ao Japão em 8 de agosto, dois dias após o lançamento da bomba em Hiroshima. Os oportunistas sempre querem chutar um cachorro morto.
  4. Outros estrategistas americanos, entretanto, desaconselharam o governo americano de usar armas atômicos, sugerindo como alternativa imenso bloqueio naval, que muito provavelmente levaria o Japão à rendição.

Mas a pergunta que subsiste é a seguinte: Por que escolher cidades tão densamente povoadas como Hiroshima e Nagasaki? Não teria sido persuasivo, primeiramente, lançar bombas sobre lugares esparsamente habitados? O holocausto nuclear contra Hiroshima e Nagasaki, ao invés do uso de alternativas, não poderia levar os EUA a serem considerados, in extremis, como país que cometeu crime de guerra?

Na verdade, o que assusta é o seguinte: o poder pavoroso de destruição dos artefatos atômicos. O que a História ensina é que toda e qualquer arma que o ser humano inventa, ele sempre acaba usando contra seus semelhantes. E a capacidade dos engenhos nucleares de hoje são milhares de vezes mais poderosos e aterrorizantes do que os de Hiroshima e Nagasaki.

2 thoughts on “Política Internacional. Hiroshima e Nagasaki.

  1. Caetano Mauro Tavares

    Ontem vi uma reportagem na TV que teceu um comentário sobre um prazo que venceria e, se a guerra não se encerrasse, os russos estariam "autorizados" a entrar na guerra contra o Japão. A minha dúvida é: a guerra não era ALIADOS x EIXO? Os russos não estavam entre os Aliados e os japoneses no Eixo? Dessa forma os russos não já estariam na guerra contra o Japão? Melhor perguntando: como foi feito esse acordo de "fatiamento"?

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  2. Luiz Claudio R. Ferreira

    Sebastião, fui professor de História da sua filha, Rebeca, lá no MV1. Gostei muito de suas observações e gostaria de contribuir humildemente sobre esse tema. Existem duas questões para tentar explicar esse ato insano dos EUA. Primeiro, a própria insensatez e a banalidade da guerra em si naquela época. Segundo, a Guerra Fria já estava no seus primórdios (para os mais tradicionais, ela havia começado a partir da ocupação da Alemanha em 1945. Para mim, ela começou a partir das decisões da Conferência de Teerã, em 43, quando os Aliados foram dando concessões a Stálin). Pouco antes de Potsdam, o clima entre americanos e soviéticos já não era amistoso porque Stálin não estava cumprindo com as decisões de Yalta (fev. de 45) e, portanto, o uso das bombas teve dois aspectos: um, militar (obrigar o Japão a se render) e outro político – causar impacto, medo, apreensão ao líder soviético para mostrar que os EUA tinham uma arma poderosa que a URSS não tinha, e aí o Japão serviria de campo de provas (mal sabia Truman que Stálin já sabia dessa nova arma de guerra).

    A outra questão que possa explicar o uso dessas bombas era para causar um impacto positivo junto à opinião pública americana e evitar que vazasse a informação de que o governo estava gastando milhões de dólares – dinheiro público – para fazer uma bomba que, no início de 45, não tinha em quem jogar (a Alemanha já estava derrotada). Isso poderia pesar nas urnas. Portanto, o ideal era jogar no Japão. Mas essa teoria é questionável porque o Projeto Manhattan era ultra secreto e dificilmente a população saberia dele e de seu objetivo.

    Obrigado pela atenção.

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