Cinemark – 2

O polêmico e mais controverso zoológico do mundo

Por Carol Pires

Foto: Reprodução/Wikipedia

Foto: Reprodução/Wikipedia

Cidade de origem espanhola, um dos destinos favoritos dos turistas de primeira viagem, Buenos Aires funciona no esquema ame ou odeie. Conheço pessoas que a adoram, que vão sempre que podem, seja por causa da culinária, pelos cassinos, pela noite agitada e boêmia, pelos bons vinhos…. Ou simplesmente por ser bastante acessível, já que conta com vôos diretos e rápidos. Além do fator financeiro, claro, que pesa bastante em favor da capital argentina. Por outro lado, conheço pessoas que foram uma única vez para a cidade e que decidiram nunca mais voltar, que por puro azar nas escolhas dos locais certos para ir/comer/se hospedar, ficaram decepcionados ao não encontrarem a Buenos Aires de outrora, aquela reconhecida por seu charme europeu.

Verdade seja dita, as inúmeras crises econômicas conseguiram destruir muito do que já foi Buenos Aires um dia. Nas vezes em que estive por lá, pude notar uma drástica mudança para pior na cidade. Ruas sujas, restaurantes vazios e com preços altíssimos e, principalmente, abandono. Esta última palavra é a que me vem à cabeça quando penso, hoje, na capital.

Bom, mas o post não é sobre esses aspectos negativos. Eu indico, sim, que todo mundo conheça Buenos Aires. Entre outros fatores, ela é parte importantíssima do universo fascinante do futebol (gosto e gosto muito!), são nossos hermanos, nossos rivais. Além da já citada gastronomia (ah, o alfajor), trata-se da cidade natal do Papa (#fofo) e das chiquititas (alô anos 90!). Conta também com belíssima arquitetura espalhada por vários bairros, com uma história rica e com inúmeras atrações que fazem Buenos Aires ser conhecida mundialmente. É sobre uma dessas atrações que trata o tópico de hoje…

Na periferia de Buenos Aires, a aproximadamente uma hora do centro, encontra-se o zoológico de Lujan, um local que divide opiniões pelo simples (simples?!) fato de os visitantes poderem fazer muito mais do que apenas admirar os animais através das grades que os separam. Muito popular no roteiro dos turistas brasileiros, nesse zoológico, além de entrarem nas jaulas e ficarem trancados com os animais, os visitantes podem alimentar leões, ursos e elefantes, fazer carinho em tigres e leopardos, pegar os felinos filhotes no colo, passear em dromedários… Enfim, permite-se quase que todo tipo de interação com os animais selvagens.

O gerente-geral do zoológico, Claudio Nieva, diz que essa experiência pessoal com os animais é possível graças ao fato de que as criaturas são criadas desde cedo com cães domésticos, de modo que aprendem a ser mansas, obedientes e a se comportarem bem no convívio com humanos. Da mesma forma, o zoológico proporciona uma diminuição dos impulsos violentos associados à competição dos animais por comida. Isso é feito por meio de uma alimentação balanceada, regrada e farta, de modo que o selvagem não irá sentir fome quando estiver interagindo com um ser humano. O gerente-geral diz que todo o sucesso do zoológico se deve ao treinamento, e que eles são a única instituição do mundo que praticam essa técnica especial com os cães.

Muitas pessoas contrárias ao zoológico argumentam que os animais são sedados para que possam interagir com os humanos. Fora de seu ritmo natural de vida, expostos a uma situação que mais se assemelha à de um circo, o entretenimento estaria acima do bem-estar dos animais. Em relatos, pessoas revelam que os animais são abusados para cooperarem nas fotografias dos visitantes. Há também quem ache que é apenas uma questão de tempo até que algum acidente aconteça e que o zoológico coloca, diariamente, a vida dos visitantes em risco.

A fundação Born Free, um grupo internacional em prol dos direitos dos animais, pede às autoridades que investiguem as práticas do zoológico, afirmando que os funcionários ali presentes exploram os animais de forma degradante para fins financeiros.

Em resposta a essa oposição, o estabelecimento ressalta que, desde 1994, quando da sua inauguração, nunca houve um único acidente no recinto, e que jamais um visitante fica sozinho dentro da jaula com os animais, pois há sempre dois treinadores experientes por lá. Quanto às acusações de sedar os bichos, o zoológico as nega veemente. Diz ser impossível que, com tantas drogas, os animais se mantivessem saudáveis e fortes, como eles de fato se apresentam. O diretor da instituição ainda destaca que a única maneira de criar e educar os habitantes do zoológico é fazendo isso quando eles ainda são filhotes. Recebendo amor, carinho e respeito desde a primeira infância, eles vão desenvolver o mesmo em resposta, perdendo a agressividade de forma total.

Bom, eu estive lá e a minha opinião é a de que é tudo muito estranho, a começar pelo local, que mais parece uma fazenda malcuidada, sem bilheteria, sem estacionamento, sem nenhuma estrutura para suportar os muitos visitantes que ali estavam. O que dizer então do bem-estar dos animais? As jaulas são pequenas, muito pequenas! A sensação é a de que tudo é baseado em uma lógica comercial: você se alinha na fila para adentrar a jaula; entra um número certo de pessoas para a interação com o animal, que já está parado num palanque “esperando” o turista (detalhe que eles te trancam lá dentro – com cadeado, amigos!); de um em um, os visitantes posam para fotos com o animal e assim procede o espetáculo para as jaulas vizinhas.

Se os animais são sedados, nós não sabemos, e não quero acusar ninguém sem provas, mas dá para garantir, com toda a certeza, que eles não são felizes. Além do mais, apesar do zoológico assegurar que não há riscos para os visitantes, não sejamos ingênuos de esquecer que estamos falando de criaturas selvagens, que possuem seus próprios instintos, que são naturalmente imprevisíveis, não cabendo ao homem controlar ou antever alguma reação violenta ou letal.

Eu fui. Se eu voltaria? Não.

O preço? 400 pesos argentinos. Mas acredite, quem paga o preço maior são os animais.

E vocês, o que acham? Iriam ao zoológico?

Até a próxima! Adiós, muchachos!

Por escolha pessoal, preferi não divulgar nenhuma imagem da minha visita ao zoológico, nem o site do local, mas basta dar uma pesquisada no Google para deparar com inúmeras fotos, relatos negativos, positivos, denúncias e informações.

Carol Pires é a colunista de Viagens do Folha do Rio de Janeiro e dividirá as suas informações e melhores dicas todas as sextas-feiras. Não deixe de acompanhar! (Também no Instagram @bycarolpires)

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