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O “Descontrole” de Eduardo Cunha e o rompimento com o Governo

Por Conrado Pinto

Foto: Reprodução/Internet

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A relação entre o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) e o PT já começou conturbada, desde o momento de sua candidatura à presidência da Câmara, quando o governo tentou convencer o atual vice-presidente da República, Michel Temer, a intervir. Ao apostar em uma vitória de seu candidato, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e rejeitando uma chapa conjunta com PMDB, o governo começou com o pé esquerdo a relação com o deputado. Após ser eleito, a relação estremeceu ainda mais depois que o peemedebista, na contramão do desejo do governo, criou uma comissão especial para analisar a proposta de reforma política e instaurou a CPI da Petrobras.

Com o avançar das investigações da operação “Lava a jato”, o cenário político nacional ficou cada vez mais instável, chegando ao seu ápice quando o presidente da Câmara rompeu bruscamente com o governo, declarando ser oposição. Cunha foi acusado pelo empresário Júlio Camargo, delator no caso, de ter pedido uma propina de US$ 5 milhões.

Com a acusação, Cunha partiu para o ataque e afirmou que o governo estaria direcionando as investigações da Operação “Lava a jato” com o intuito de constranger o parlamento, enquanto o Palácio do Planalto acredita que o objetivo desses atos é desviar o foco das investigações.

A decisão de romper com o governo demonstra um ato de descontrole. A atitude do deputado não foi respaldada pelo seu partido que, em nota oficial, afirmou que a decisão do presidente da Câmara dos deputados, se tratava de uma posição pessoal. Das siglas de oposição, apenas o Partido Solidariedade declarou apoio a atitude Cunha. Em nota oficial, Paulinho da Força, presidente do partido afirmou que “nada é mais correto do que se afastar de um governo trapalhão, incompetente e que apaga fogo com gasolina”.

Diante desta situação, é preciso que se busque um diálogo maior com os outros líderes do PMDB com o intuito de amenizar os impactos desta decisão. Crise institucional não há; porém, atitudes como a do parlamentar, de criar a CPI do BNDES e autorizar a criação da CPI dos Fundos de Pensão, podem agravar ainda mais a crise política econômica do país.

Apesar de toda a aparente tensão, um rompimento concreto entre os partidos dificilmente ocorrerá agora. O PMDB ainda estuda o pleito do presidente da Câmara de abandonar o governo, baseado num histórico de falta de diálogo com o Palácio do Planalto. Dentre os fatores capazes de capitalizar essa separação está uma possível candidatura do PMDB à presidência em 2018. Diversos nomes surgem como prováveis candidatos, dentre eles o do próprio Eduardo Cunha, assim como Michel Temer e Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro.

No entanto, a possível candidatura à presidência por Eduardo Cunha está diretamente ligada às investigações da operação lava a jato. Acuado pelas acusações e isolado pelo seu partido, Cunha pode se ver obrigado a renunciar à presidência da Câmara, o que enfraqueceria suas possibilidades. Caso se livre das suspeitas e se mantenha no poder, Cunha pode se tornar um forte concorrente dentro do seu partido a pleitear a presidência.

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