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“Como tudo começou”

Por Alexsander Sena

Foto: Reprodução?Internet

Foto: Reprodução/Internet

Começarei esta coluna contando a história real de uma pessoa para vocês. Nosso personagem: um senhor – que na gíria podemos chamar de “figurinha carimbada” (rs) – que passou por vários altos e baixos ao longo dos seus 84 anos de vida. Limitarei a uma parte da sua história, a profissional, por ser mais relevante ao nosso foco.

Ele começou sua carreira muito jovem, como gráfico retocador, profissão extinta com a entrada da tecnologia e seus computadores e programas sofisticados. A função principal era cuidar da qualidade de fotos e imagens para jornais e revistas. Importante lembrar que na época (período de 1951 a 1980) tudo era feito de forma totalmente manual, com pouquíssimo auxílio de tecnologia. Mas vamos voltar ao nosso protagonista. Ele era tão bom no que fazia que rapidamente passou a trabalhar para várias empresas.

Passados alguns anos, veio a ser chamado por um “colega” para montar uma gráfica, pois teriam grande possibilidade de ganhar muito dinheiro com o próprio negócio. E assim eles fizeram. Montaram a empresa, contrataram pessoas e ele continuou trabalhando na linha de produção com seus funcionários. Gostava do que fazia e não se interessava pela burocracia do escritório. O “sócio” fazia exclusivamente a “administração da empresa”, controlando praticamente tudo do negócio.

Alguns anos se passaram e algumas situações curiosas começaram a acontecer. O “sócio” passou a trocar de carro com frequência, comprou casas, além de ostentar uma vida que, mesmo sendo um dos donos, não havia faturamento que justificasse aquilo tudo. Bem, acredito que a maioria dos leitores mais experientes com certeza já desvendou a trama e o que ocorreu. Sim, o “sócio” estava desviando muito dinheiro e aos poucos tirando a saúde da empresa, até levá-la à falência e deixar, além de muitas dívidas, também muitos desempregados.

Nosso personagem perdeu praticamente tudo que havia construído com o suor do seu trabalho. Por dívidas fiscais – falta de pagamento de impostos – quase comprometeu, inclusive, sua casa. Mas pela qualidade e excelência profissional, ele foi contratado pelo jornal O Globo, onde terminou sua carreira, vindo a se aposentar com homenagens da Diretoria. Lá recebeu até mesmo uma medalha de honra ao mérito, pelos serviços prestados à Instituição.

Mas você deve estar se perguntando:

– Por que ele não se preocupou ou não mandou auditar o financeiro? Por que além da parte técnica, também não cobrou a prestação de contas da empresa, do contas a pagar e a receber?

Agindo assim, ele resolveria praticamente tudo, não é mesmo? Pois desvendaria a tempo de evitar a catástrofe que ocorreu. Concordaria com você, se não fosse por um pequeno, mas importante detalhe: ele simplesmente não se considerava um gestor ou empreendedor. Se você se considera (ou mesmo se não), deve estar sofrendo, indignado com a história do nosso amigo!

Como ele, neste momento, milhares de “empreendedores” e “gestores” estão fazendo o mesmo. Não estão gerindo corretamente seus negócios, suas finanças ou seus colaboradores. Muitos pelo fato de serem simplesmente “aventureiros empresariais” e outros muito pelo encanto do “ganhar dinheiro” e – “por enquanto” – pelo baixo interesse em se profissionalizar. Até que passem por algum susto.

Esta coluna visa, despretenciosamente, colaborar com cases, estudos, pesquisas e informações que possam contribuir com você, meu caro leitor, a se tornar um gestor mais eficiente e eficaz. Como consultor empresarial há mais de uma década, vivenciei algumas experiências que terei prazer de compartilhar aqui, para que juntos possamos construir um canal produtivo de conhecimento.

Ah, quase ia me esquecendo de falar: o nosso protagonista – que passou por isso tudo – é meu pai. Graças ao aprendizado que tive por conviver com ele, sentindo na pele as dificuldades que passamos, resolvi fazer o que faço hoje: ajudar empresários, empreendedores e gestores no universo corporativo de nosso país.

Eu sou Alexsander Sena, e espero poder contar com a sua audiência a partir de agora!

One thought on ““Como tudo começou”

  1. Mário leite

    Não sou da área, mas entendi com esta matéria que em uma sociedade faz-se necessário o conhecimento de todo processo para que tenha condições de Gerenciar seja com o sócio, em sua ausência ou para que nenhuma das partes tenha a chance de desviar recursos.

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