Uninter – 1

A arte de ser artista

Por Lívia Nakaguma

Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

De 24 de Junho a 7 de Agosto, aconteceu no CCBB do Rio de Janeiro a exposição Pablo Picasso e a modernidade espanhola, e como amante e apreciadora de arte, estive na exposição sem expectativas preestabelecidas a fim de receber o que quer que aquelas obras tivessem a me oferecer. Saí de lá, obviamente, fascinada, principalmente com o caminho (organizado pelo curador Eugenio Carmona), que parece ter sido desenhado de tal forma que os olhos dos visitantes percorressem as obras evoluindo histórica e psicologicamente junto ao artista e suas questões.
O artista espanhol, mundialmente conhecido, sofreu influências da guerra civil e tinha fascinação pelo feminino. Que Pablo Picasso é fantástico é sabido, mas a maneira de o artista lidar com sua realidade angustiante diz mais que sua biografia.
Morando na França, o pintor recebera um pedido do governo republicano espanhol para produzir um quadro que comporia o pavilhão espanhol na Exposição Internacional de Paris (1937). Ele pintou uma de suas principais obras, o mural Guernica (1937), que representa o bombardeio e as atrocidades às quais a cidade homônima foi submetida por mando do ditador Franco. A obra é considerada um marco social através da qual Pablo Picasso expõe os fatos da Guerra Civil espanhola em um movimento anti-guerra.
As visões do bombardeio de Guernica foram demasiado pesadas para o olhar sensível do artista. Pablo assume em suas pinturas um lugar mitológico e, por isso, mágico para retratar e elaborar o painel. Influenciado pelos estudos do realismo mágico de seus contemporâneos, Picasso parece-me fazer o contrário do proposto pelo estilo, através do cubismo.
Explico-me: o Realismo Mágico tem como característica incluir elementos mágicos em cenas cotidianas como se fossem fenômenos normais; na obra cubista produzida pelo artista em questão no período da guerra, o mesmo inclui o elemento mágico aos seus quadros em uma tentativa de tornar a realidade suportável.
O real que se apresenta a ele sem filtro, sem piedade e o afeta de tal maneira que somente se faz possível através da arte e da identificação com o fantástico/monstruoso, no caso o minotauro – elemento que já vinha sendo elaborado pelo pintor desde 1927, dez anos antes de pintar o painel nomeado Guernica.
Recorrente a mente do pintor, o minotauro, com corpo de homem e cabeça de boi, representaria a dualidade humana em seu terror e sua humanidade. A figura insistente no inconsciente picassiano poderia, de forma simplista, resumir a mensagem do mesmo na criação e evolução de seu estilo, no qual as figuras estão sempre divididas em um desencontro proposital de lados e sentidos.
Reconhecer e viver tais questões humanas é um desafio intrínseco a existência, a arte está em elaborar as paixões e os horrores de forma a produzir algo que fascina a todos e atinge geração após geração.
Ser artista é uma arte!

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