Alecs – 1

Quem é você? Todo mundo quer saber!

Por Caetano Tavares

Foto: Reprodução/Internet

Foto: Reprodução/Internet

Mude o paradigma e conheça a si mesmo

É possível que você seja um leitor que nasceu nesse imenso mundo digital que traz entretenimento – sadio ou não, dependendo do ponto de vista – e que, em paradoxo, também traz novos vícios e outros paradoxos ainda. Talvez não seja fruto concebido na nova era e, assim como eu, assistiu ao mundo analógico convergindo ao digital para solucionar os problemas da humanidade. Nesse caso, durante a migração para a era da informação estaria com medo do desconhecido ou empolgado, trabalhando para construir essa nova realidade com a maior rapidez que o homem fosse capaz, rumo às novas maravilhas que a tecnologia traria. Um mundo novo. Mais justo. Humano. Mas em qualquer caso que você estivesse entre esses dois extremos, era possível – e muitos fizeram esse alerta – que as causas fundamentais da felicidade não estivessem sendo tratadas em prol do bem estar da humanidade. O paradigma do “outro” permanecia, isto é, o mundo seria um lugar melhor para se viver, porque a tecnologia era a responsável por esse avanço. A tecnologia no lugar do homem.

Esse artigo não tem o intuito de responsabilizar a tecnologia pelas dificuldades, angústias, aflições e sofrimentos do mundo. Reforço que não. Mas a amplitude que ela pode dar é inconteste. Quero que você se concentre apenas nas aflições: como não fugir das divergências entre certezas e incertezas, amores e ódios, educação e ignorância, inteligência e inépcia que tão claramente se manifestam nas mídias sociais? E o que isso tem a ver com você e com as aflições que podem se instalar em sua mente e emoções? Que impacto isso pode causar em sua vida e modo de ser, pensar, agir, se relacionar? Pois aí é que está a chave que abre portas – ou fecha – de empresas, relacionamentos, envolvimentos. A verdade é que todo mundo quer saber quem é você e quando eu digo “todo mundo” estou categorizando o ser humano, curioso por natureza, aquele que através dos tempos aprendeu que para se defender é melhor atacar e, ainda, impõe dificuldades emocionais para se desligar dessa crença limitante.

Proponho uma mudança de paradigma: que tal conhecer-se a si mesmo e fazer bom uso disso em lugar de ser alvo da interpretação de alguém?

Era uma vez...

(Reprodução Internet)

Era uma vez…

O autoconhecimento e a plenitude

Vera e Fidel se conheceram na casa dos vinte e poucos anos de idade. Naquele tempo, não existia internet. O gênio Isaac Asimov ainda previa o surgimento de uma “grande biblioteca” que impactaria fortemente na educação e na vida das pessoas. Naquele mundo, após alguns anos de namoro, o casal entendeu que já estava na hora de se casar. Procuraram os padrinhos – que naquela época não eram somente testemunhas do enlace – e conversaram sobre sua intenção.

Uma tia de Vera, Dona Maria de Fátima, inteligente e sagaz, reconhecida em seu meio familiar e de relacionamento por essas qualidades, foi a escolhida pela noiva para ser sua madrinha. Dona Fátima não titubeou em impôr uma pequena condição: aceitaria, se ambos aceitassem ter uma conversa franca sobre algumas questões interessantes e chegassem a um acordo, tácito ou formal, mas verdadeiro, sobre as condições do casamento. Naturalmente, Vera e Fidel não se opuseram, mesmo que achando esquisita aquela imposição – afinal, “esse é um assunto dos noivos e ambos já concordamos com o regime de comunhão parcial de bens” – diziam um ao outro.

Chegado o dia da reunião, após uma pequena entrada com refresco de caju e bolo de laranja coberto por uma deliciosa calda de chocolate, o trio se instala confortavelmente nos sofás da residência de Dona Fátima. A tia e futura madrinha de casamento inicia os diálogos:

  • Então, eu tenho certeza de que vocês se amam, se desejam e entendem que estão prontos para constituírem um novo lar, uma nova família. É certo que ambos estão cientes do sacrifício que deverão fazer para manter essa união de forma a permanecerem felizes.

Naturalmente, diante de amenas palavras, o casal estava ainda tranquilo e esperando para entender onde aquele preâmbulo chegaria. E eis que Dona Fátima lança as perguntas que podem levar a nocaute o casal:

  • Eu preciso que vocês digam um para o outro, agora, que parte do contrato está oculta. Por exemplo: Fidel, você está disposto a ir aos domingos almoçar com a família na casa de sua sogra e deixar de ir ao futebol com os amigos? Vera, você está disposta a assistir ao Fidel em suas palestras de quarta-feira no grupo de estudos da Igreja? Que hábitos vocês não deixarão, de forma alguma, mesmo depois de casados? O que vocês são e não deixarão de ser? Compreendem que isso pode determinar o grau de felicidade que estão escolhendo para os dois desde agora?

A continuidade da história eu deixo para você redigir. Ela mostra que conhecer a si mesmo é tão importante quanto conhecer ao outro e, para muitos, é até mais importante.

Você pode não concordar com Dona Fátima, mas há de convir que dentro da sabedoria daquela senhora havia uma centelha de luz que clareava algo que os amantes costumam negligenciar em prol da satisfação de seus interesses emocionais ou materiais. Para ser pleno de felicidade é preciso se conhecer e ser transparente consigo mesmo.

Investigue-se e conheça as suas (in) competências

Você encontrará inúmeros motivos para conhecer a si mesmo. No que diz respeito às organizações e às pessoas (lembre-se, empresas são feitas de pessoas), elas querem saber qual é a sua competência. Elas têm um motivo muito forte para isso: amizades são travadas e contratações são feitas com base no conhecimento que se tem do outro, no conhecimento que o outro tem, admirando-se ou reconhecendo-se suas habilidades. As inimizades e as demissões (de qualquer lado) acontecem com base no comportamento, na atitude das partes. É por isso que, mais do que nunca, as corporações estão utilizando o mundo digital para conhecer você.

O autoconhecimento é um processo que pode – e deve – explorar seu universo por toda a vida. Mas, por onde começar? Que tal respondendo às perguntas: por que você precisa se conhecer? O que as empresas querem saber de você? O que as pessoas querem saber de você? O que responderá se não souber quem você é?

Se você leu até aqui, pode acreditar que uma parte de você se interessa por “investigar-se a si mesmo”. Conte comigo.

Até a próxima semana.

Meu nome é Caetano Mauro Tavares. Sou consultor, professor, escritor e coach. Também sou um teimoso admirador de todas as formas universalmente lícitas de ajudar a erradicar o sofrimento. Pretendo aprender a fazer isso.

4 thoughts on “Quem é você? Todo mundo quer saber!

  1. Cláudio Gomes

    É a chave da existência, de fato, Caetano.

    Excelente conteúdo oferecido na forma de texto qualificado.

    Eds.

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  2. Rodrigo Abbott

    Há 15 anos quando comecei a estudar mais a fundo sobre tecnologia tive minha 1º aula com o Mestre Caetano, e dai em diante aprendi muito com os cursos que ele ministra, sempre atencioso e super bem informado trazendo a vanguarda pra dentro da sala de aula.

    Mestre Caetano vc é o cara, faço questão de acompanhar as suas matérias !

    Sucesso sempre!

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  3. Rafael

    Olá, Caetano!
    Cheguei a esse artigo através de um amigo meu que é ex-aluno seu.
    Interessante essa busca de auto-conhecimento pelos homens nos parecer estar ainda tão crua.
    A tecnologia não para de mudar e se renovar e progredir. Já as questões do âmago permanecem pouco praticadas. Por isso técnicas milenares como yoga e meditação ainda são tão produtivas. Pq não investimos nelas. Diferentemente das tecnologias, elas pouco mudaram.
    A sua frase "admirador de todas as formas universalmente lícitas de ajudar a erradicar o sofrimento." me chamou a atenção.
    Conhece o blog http://opicodamontanha.blogspot.com.br/ ?
    É de um Monge Zen chamado Genshô. Acredito que você irá apreciar muito.
    Ele era empresário também interessado no sofrimento e continua a ser mesmo depois de iniciar sua vida monástica.

    Abraços,
    Mãos em prece

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