Hinode – 1

Os cinco sentidos da felicidade

Por Gizele Toledo

Gizele Toledo, em Sydney, Austrália

Foto: Carol Câmara

Um chocolate derretendo, um banho quente e relaxante depois de um dia atribulado, o perfume de um jardim florido, o som da música preferida, a imagem de uma colorida paisagem. Esses são estímulos que despertam nossos sentidos e convocam o corpo e a mente para o tempo presente.

Durante a maior parte do tempo, desperdiçamos nossa atenção com pensamentos sobre o futuro ou sobre o passado. Em relação ao futuro, pensamos no que vamos fazer daqui a alguns minutos, no nosso compromisso daqui a uma hora, na conta a pagar daqui a dois dias, na consulta daqui a um mês e até no evento que só vai ocorrer daqui a um ano.

No que se refere ao passado, nossa cabeça insiste em nos ocupar com lamentações, arrependimentos, saudades. Criamos imagens sobre aquilo que se passou, damos nossas interpretações, fazemos nosso recorte dos acontecimentos que se sucederam. Editamos os fatos e gravamos cenas em flashes, desmembrando contextos complexos em recordações menores.

Criamos fantasias a respeito de passado e futuro: o que acontecerá se eu fizer tal coisa? Como teria sido se eu tivesse agido de tal forma? São elucubrações que tendem a nos afligir e a criar em nossa mente uma dimensão irreal da vida que levamos. É como se inventássemos um outro plano, uma outra dimensão, na qual as coisas não são tal como são, mas como deveriam ter sido ou poderiam ser. Nossa cabeça adora problemas: preocupar-se com o futuro gera ansiedade, e apegar-se ao passado também gera angústia.

Nossa mente é o espaço vazio, no qual imagens, sensações e certezas se projetam. Se não ocuparmos consciente e ativamente esse espaço com conteúdo que possa trabalhar a nosso favor, deixaremos de ser sujeitos de nossos próprios pensamentos para sermos vítimas deles. O passado já aconteceu e o futuro ainda não veio. Dessa forma, qualquer imagem mental sobre passado ou futuro não poderá corresponder a uma realidade, mas a uma invenção, uma projeção.

Trazer a mente para o momento e o lugar presentes é a maneira mais eficaz de controlar e escolher nossos pensamentos e sentimentos, pois o momento presente é o único que de fato existe. O presente é o único instante que pode ser desfrutado. O espaço do aqui e o momento do agora são o lugar e o tempo ideais para se tomar as rédeas daquilo que se passa em nosso interior.

Uma forma de se desapegar do passado e do futuro é prestar mais atenção nas nossas sensações corporais. Para ser feliz, em primeiro lugar, é preciso estar conectado aos cinco sentidos do corpo humano. Cada um dos nossos sentidos é uma porta de entrada para as sensações de bem-estar. Paladar, audição, olfato, visão e tato trabalham a nosso favor quando prestamos atenção naquilo que estamos experimentando no exato momento de agora.

A partir de nossos cinco sentidos, podemos começar a trilhar a nossa busca pela felicidade, pois esta só é possível no momento presente. E percebemos que os cinco sentidos despertam a nossa consciência para este instante. Como diz o psiquiatra e escritor Roberto Shinyashiki, “deixar para ser feliz amanhã é uma forma de ser infeliz”.

Com o pensamento focado no instante presente também é possível tomar consciência de nosso lugar no mundo: da nossa pequeneza quando nos comparamos ao tamanho do Universo e da nossa grandeza se levamos em conta os bons sentimentos que temos em abundância e da importância que temos uns para os outros.

Nos próximos artigos, vou abordar com vocês os sentidos da vida e relacioná-los à felicidade. Acompanhe esta coluna e não perca a Mania de Ser Feliz. Até a próxima quinta-feira!

Gizele ToledoGizele Toledo é jornalista formada pela PUC-Rio, especialista em Jornalismo Cultural, pela Uerj, e em Docência do Ensino Superior, pela Ucam.  Apaixonada pela vida, atualmente mergulha nas descobertas a respeito da felicidade, inspirando-se nos conhecimentos de escritores como Eckhart Tolle e Louise Hay. Gizele Toledo escreve contos, poesias, artigos e é autora do blog www.gizeletoledo.blogspot.com, intitulado Mania de Ser Feliz. Atuou como apresentadora de TV, repórter, produtora, roteirista, mestre de cerimônia, assessora de comunicação social. Em sua trajetória, frequentou escolas de jazz, ballet, sapateado, canto coral, teatro, redação, entrevista, interpretação para TV, modelo, manequim, empreendedorismo, inglês, francês, espanhol, alemão e Língua Brasileira de Sinais. Gizele Toledo é colunista da Folha do Rio de Janeiro, produzindo textos e vídeos que trabalham a autoestima, elevam o ânimo e motivam, com dicas para uma vida mais satisfatória e feliz. Acompanhe o trabalho da autora aqui e também no blog www.gizeletoledo.blogspot.com, no Facebook www.facebook.com/gizeletoledo2, no Instagram @gizeletoledo e no canal “Gizele Toledo” do YouTube.

2 thoughts on “Os cinco sentidos da felicidade

  1. fabio barbosa vagueiro

    Texto impecável, que nos dá uma direção para cultivarmos esta felicidade verdadeira e extrema! Estou neste caminho, graças a sua visão da vida e da felicidade, Gizele Toledo.

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